VÍDEO

Lançado em 2015, documentário Fisionomia Belém agora está disponível no Youtube

POSTADO EM: Sexta-Feira, 12/01/2018, 11:13:16
ATUALIZADO EM: 12/01/2018, 11:15:36

Quão estranha e sofrida pode ser (ou é) uma cidade castigada pelo calor e pela chuva quase diariamente? Quão esperançosa é uma cidade que é capital de um estado que desde o hino já setencia: “teu destino é viver entre festas, do progresso, da paz e do amor”? Quão suja e abandonada é uma cidade com inúmeras “obras-sem-fim” e monturos de lixo, em que seus próprios habitantes e filhos não se intimidam e, em qualquer local e a qualquer momento, escarram grosso e raivosamente em dezenas de cusparadas destinadas ao solo citadino, amaldiçoando-o? Quão alegre e diversificada é uma cidade que na cultura, em que pese a gestão raquítica (pública e privada), possui uma produção rica, peculiar e instigante? 

Tais situações peculiares, evidenciadas – e evidentes – na capital paraense e as relações com seus moradores, muitas vezes “inscritas” e/ou sugeridas na fisionomia da cidade são pontos centrais no documentário Fisionomia Belém, lançado no Festival de Audiovisual de Belém em 2015 e que agora está disponível no Youtube, e com legendas em inglês. A direção do filme é assinada por Relivaldo Pinho, professor e doutor em Antropologia e Yasmin Pires, publicitária, graduada em Cinema e Audiovisual e mestranda em Filosofia. 

O "Fisionomia Belém" busca mostrar uma "outra cidade": contemporânea, talvez pós-moderna, bem mais "real" e (re)conhecida por sua população, e não somente apresentada através do ufanismo e imediatismo turístico e midiático que, por vezes, a simbolizam. O documentário começou a ser produzido em 2014, durante as atividades do grupo de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia”, coordenado por Pinho, e contou com a participação de membros das várias áreas do conhecimento. 

Nas pesquisas, que resultaram ainda em um grande acervo de imagens disponibilizado no site do projeto, teve destaque a observação de ruas, avenidas, espaços, propagandas e linguagens artísticas que singularizam e comunicam tais processos, mas que, por vezes, parecem estar despercebidos ou ignorados por certa preferência em incensar a repetição de determinadas fórmulas e imagens.

O FILME

No documentário, além de imagens da cidade, tem relevo as entrevistas com pessoas que comunicam de algum modo, percebem e interpretam as modificações pelas quais passa a cidade. Nesse sentido, sua produção integra cinco entrevistas: com Edyr Augusto, jornalista, radialista, redator publicitário, autor de peças de teatro e livros como Os Éguas (1998), Moscow (2001), Casa de caba (2004), Um sol para cada um (2008), Selva Concreta (2012) e Pssica (2015); Ernani Chaves, pós-doutor em Filosofia e professor na Universidade Federal do Pará; Fernando Segotwick, roteirista e diretor, produtor de filmes como Dias (2000) e Matinta (2012); Eder Oliveira, graduado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará e “pintor por ofício” desde 2004; e Lázaro Magalhães, jornalista e músico, um dos fundadores da banda paraense Cravo Carbono.

“As imagens do projeto, e o próprio filme, procuram representar uma contemporaneidade ignorada por um cotidiano que impossibilita uma reorientação do olhar, incapaz de perceber a cidade sob as várias existências imagéticas e temporais, sobre um espaço que se modifica, que abandona certas vivências e incorpora outras, na qual ruínas e novos edifícios coexistem, uma metrópole veloz, mas, que ainda caminha, repleta de imagens que cintilam e de rostos anônimos”, explica Relivaldo Pinho.

Yasmin Pires afirma que “O documentário é importante para que haja uma quebra nessa construção amplamente difundida pela mídia sobre o que é Belém ou a Amazônia. Belém deve ser entendida como um espaço urbano cuja construção é permeada por experiências contemporâneas que transcendem o achatamento de uma realidade representada pelo dançar carimbó, ir ao Ver-o-Peso, tomar açaí etc.”, finaliza.

Assista:

(Enderson Oliveira/DOL)



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