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(Foto: Jose de Holanda)

Manoel e Felipe Cordeiro na Virada Cultural - Cultura |

Sexta-Feira, 19/05/2017, 09:12:20 - Atualizado em 19/05/2017, 09:12:20

Pode ser o sotaque, pode ser o jeitinho de tocar que é só deles ou mesmo uma simpatia difícil de resistir – além do talento, claro –, mas o fato é que a Virada Cultural de São Paulo parece ter mesmo se enamorado da música paraense. Em sua 13ª edição, que ocorre a partir das 18h de amanhã e segue até as 18h deste domingo, o evento recebe oito atrações locais: Jaloo, Strobo, Félix Robatto, Fafá de Belém, Juca Culatra, Dona Onete, Gaby Amarantos e o combo formado por Felipe e Manoel Cordeiro.

Sendo um dos principais eventos do calendário cultural de São Paulo, a edição 2017 da Virada será marcada por circuitos artísticos, cortejos no centro da capital e palcos descentralizados – onde a maioria dos artistas paraenses se apresenta –, incluindo novos espaços de lazer e cultura como a Chácara do Jockey, o Autódromo de Interlagos e o Parque Anhembi. Apesar dos paraenses ganharem destaque principalmente na música, o evento promove atividades artísticas de várias linguagens e espaços destinados à gastronomia, o que inclui a paraense.

No palco montado no Sambódromo do Parque Anhembi, será Fafá de Belém a paraense a se apresentar, à 0h30 de domingo. O mesmo palco recebe a cantora Daniela Mercury e o Olodum, além de manifestações populares e discotecagem ao longo de seu percurso. A Chácara do Jockey terá clima de festa ao longo do evento, e vários paraenses se apresentam em diferentes espaços dentro dela. No palco principal, quem faz a festa é Dona Onete, com o repertório de “Banzeiro”. Ela sobre ao palco à 1h30 de domingo e ainda convida Gaby Amarantos para uma participação especial.

“Eu recebi o convite diretamente da Dona Onete, minha amiga, que está em momento tão especial, com música na novela, viajando, fazendo tanta coisa legal. E fiquei muito feliz de receber esse convite dela que sempre foi para mim uma conselheira, amiga, que torce por mim. Cantar com ela é sempre uma alegria”, comenta Gaby. 

Ainda na Chácara, a área de picnic recebe a festa Calefação Tropicaos, a partir das 18h de amanhã, que convida o pernambucano Siba e Jaloo. O cantor e DJ paraense tem feito shows com o repertório do disco “#1”, sempre com novas versões feitas por ele.

O evento é realizado pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. O paulista Rodrigo de Araújo, que trabalha na secretaria e nesta edição da Virada está ajudando na produção, comenta o sucesso dos paraenses por lá. “Sou de São Paulo, mas sempre gostei muito da música paraense. Já trabalhei com a Gaby, Fafá, convidei alguns artistas como Dona Onete e a Luê para outros eventos daqui em que eu trabalhava na programação. Aqui não só tem público, como a imprensa e os curadores gostam muito deles. Quando um evento tem curadoria, todo mundo quer eles”, comenta

Uma festa sonora de amigos

Com seu projeto de duo instrumental, o “Combo Cordeiro”, Felipe e Manoel Cordeiro se apresentam no Palco 2, da Chácara do Jockey, às 0h deste domingo, 21. “Vai ser a estreia oficial desse projeto, que a gente gravou disco ano passado e deve ser lançado no início de junho, nas plataformas digitais”, conta Felipe. Envolvendo guitarras e beats eletrônicos, a sonoridade das músicas é feita para pista de dança. “A gente está se soltando muito com essas sonridades, texturas, é um momento de delírio sonoro, uma produção experimental de estúdio que agora a gente leva para o palco da Virada”, completa.

Contemporâneo e em diálogo com a música latino-americana, o disco que estreia o projeto “Combo Cordeiro” contou a participação especial de Fernando Catatau e Kiko Dinucci, que também sobem ao palco com pai e filho para se apresentar na Virada Cultural. “Será o primeiro show feito completamente com esse repertório do disco e com todas as músicas dele. A expectativa é a melhor possível. Vai estar cheio de paraense por perto, artistas de outros países. A gente está trabalhando para levar um show lindo”, diz Felipe.

Em outro palco, mas também com um ritmo bem paraense, Juca Culatra mostra seu carimbó. O show dele ocorre no domingo, à 1h, no palco “Brasil 360” intalado 
no Deck São Bento.

Formado por Léo Chermont (guitarra e efeitos) e Arthur Kunz (bateria e programações), o duo Strobo se apresenta às 22h de amanhã, na Praça Dom José Gaspar, com palco dedicado à música instrumental. O repertório irá abranger os quatro discos da banda. “A gente vai fazer um apanhado de todas as músicas e deixar um show bem forte”, comenta Arthur. No dia seguinte, eles viajam com Marina Lima, fazendo participação especial no show dela na Virada Cultural realizada no interior de São Paulo. “Vamos apresentar um show que a gente fez na Virada de 2016 na capital paulista junto com ela”, explica Arthur. O repertório é essencialmente da cantora e algumas músicas do Strobo, além de sucessos dela revisitados com a sonoridade do duo paraense. 

Félix Robatto (Foto: Naiara Jinkss/ Divulgação)

No mesmo palco dedicado à música instrumental, no domingo, às 2h, outro paraense mostra seu repertório, o compositor, cantor e guitarrista Félix Robatto. “O show vai ser, na maior parte, de guitarradas, que é algo diferente do que tenho feito agora, quando já tem outras misturas, estou cantando mais. É bacana porque vou poder fazer um show exclusivo para a Virada. E também é legal porque a gente encontra muitos amigos que hoje só se encontrariam assim. A música paraense ganhou tanta amplitude que hoje é difícil a gente se encontrar, tem muita gente morando fora, viajando muito”, diz Robatto, para quem o público de São Paulo já tem uma expectativa sobre os artistas paraenses. “A gente sente pelas redes sociais que o público quer sentir a música, dançar, ver de perto. As pessoas já nos convidam para criar esse clima. E fico orgulhoso disso”.

Gaby Amarantos (Foto: Carlos Sales/Divulgação)

Como um encontro de amigos, Félix também participa dos dois shows que Gaby Amarantos faz na Virada Cultural do Sesc Santana – amanhã, às 19h, e domingo, às 16h – com repertório marcado por ritmos paraenses, latinos e amazônicos. “Esse é um projeto exclusivo para a Virada, mostrando toda essa nossa latinidade, as influências das lambadas e merengues, também nossos ritmos, como carimbó e tecnobrega”, comenta Gaby. 

Ela completa que foi por essa razão que convidou Félix. “Ele tem um trabalho que tem tudo a ver com isso, é um grande guitarrista e vai trazer a guitarrada, também as lambadas e um pouco da Lambateria (festa realizada por ele em Belém) para somar comigo nesse show”, completa Gaby, que participa da Virada paulistana desde 2011 e conta que sempre procurou levar um repertório bem paraense. “É um evento de repercussão internacional. E é o mundo recebendo cada vez mais a nossa música. Sempre tem artista novo surgindo e todos os anos a nossa música tem ficado em evidência”, diz ela.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)


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