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(Foto: Marcio Ferreira/Divulgação)

Publicitário quer desmistificar a palavra "bicha"

Terça-Feira, 09/05/2017, 09:54:31 - Atualizado em 09/05/2017, 10:09:50

Após ser ameaçado com uma arma na rua, apenas pelo fato de estar de mãos dadas com um amigo, o publicitário Marlon Parente decidiu revidar, produzindo pela primeira vez um documentário, o “Bichas”, lançado em 2016 e atualmente conta com mais de 650 mil visualizações no YouTube. A ideia do projeto era, por meio de entrevistas gravadas com amigos, tentar redefinir o conceito da palavra “bicha”, que, fora da comunidade LGBT, é usada de forma pejorativa, como 
uma agressão verbal.

 Sobre a produção do documentário, Marlon conta que não foi só um projeto de baixo custo, “foi baixíssimo mesmo”. Foram R$ 15 para comprar um microfone. A única câmera utilizada, acompanhada de um tripé, foi emprestada. 

 “Produzir ‘Bichas’ foi uma aventura, porque eu fiz de curioso. Não produzo vídeo, não faço cinema. O motivo foi porque sofri a agressão. É surreal ter uma arma apontada pra você e ser agredido com palavras como ‘bicha’ por estar de mãos dadas com um amigo. Fiquei com isso preso na cabeça. E pensei: ‘preciso fazer algo pra revidar esse sentimento de impotência”, lembra.

Sem roteiro, ele conta que foi apenas diretor. Ligou a câmera e deixou que cada pessoa contasse sua história. “Não tem nada mais sincero do que você parar pra ouvir o que a outra pessoa tem a dizer”, considera. No vídeo, cada um dos seis amigos contam um pouco de sua história, começando pelo momento em que familiares souberam que eram gays. Mais à frente, contam experiências e sua relação com a palavra “bicha”. 

“É uma palavra que outras pessoas usam como xingamento, mas dentro da comunidade LGBT é normal. Digamos que alguém te xingue de ‘cabelo comprido’. Você me chamar do que eu já sei que sou não é nada além do óbvio, não faz sentido”, analisa.

Campanha combate a LGBTfobia

A repercussão do doc “Bichas” trouxe o publicitário Marlon Parente até a capital paraense para o evento de lançamento da campanha de combate à LGBTfobia no Pará, realizado hoje, a partir das 17h, no Teatro Margarida Schivasappa. Ele palestra a partir do tema “O Papel da Comunicação no Combate ao Preconceito”, seguido de apresentação das peças e ações da campanha e da Cartilha de Cidadania LGBT no Pará, além de um pocket show da cantora e compositora Lia Sophia, que também participa da campanha.

“Eu sou bastante otimista”, diz ele sobre a ideia de uma campanha contra a LGBTfobia. “Assim como se faz campanha de conscientização sobre trânsito, o Brasil é o país que mais mata trans no mundo (foram 347 mortes de LGBTs em 2016, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, mais antiga associação de defesa dos homossexuais), por isso campanhas sobre isso também são importantes. A ideia é de fato evitar que pessoas morram. É evitar esse dano social causado por preconceitos diversos”, completa.

Duas cenas de “Bichas”: sem experiência com audiovisual, Marlon Parente ligou a câmera e conversou com amigos sobre o termo (Foto: Reprodução/Yutube)

(Foto: Reprodução/Yutube)

MAIS VÍDEOS

Por conta da grande repercussão que “Bichas” teve no YouTube e resultados positivos mostrando a importância de se falar sobre preconceito, Marlon já está trabalhando no próximo documentário no qual irá focar na dificuldade de aceitação das relações homoafetivas na estrutura familiar. 

“Acho que toda e qualquer produção artística – filme, música, teatro, qualquer produção – que venha ajudar a combater um mal é super bem-vinda. Estou estudando como fazer, quero algo voltado para a relação dos pais com o fato da pessoa ser LGBT, em especial pais que expulsam filhos de casa – é até triste dizer isso. Espero terminar ainda esse ano”, adianta o publicitário.

Com essa sua primeira vinda a Belém, Marlon se diz já bastante feliz com a repercussão que suas ideias têm tomado. “Estou superfeliz de participar de uma campanha promovendo amor, igualdade, respeito. Achei um convite incrível e espero que a sociedade aceite essa mensagem da mesma forma que estou aceitando”, afirma. “É uma sementinha de esperança. Que a gente planta esperando que nasça uma sociedade menos agressiva, que não machuque sem motivo, uma sociedade sem ódio”, pontua.

Engajamento

Lançamento da Campanha de Combate à LGBTFobia
Quando: Hoje, às 17h
Onde: Teatro Margarida Schivasappa (Gentil Bittencourt, 680, esquina com Rui Barbosa)
Programação: Bate-papo com Marlon Parente (diretor do documentário “Bichas”) e pocket show com Lia Sophia
Quanto: Gratuito
Informações: (91) 3202-0903

(Lais Azevedo/Diário do Pará)


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