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(Foto: Band/Divulgação)

Chef paraense estará no MasterChef desta terça

Sábado, 06/05/2017, 19:58:31 - Atualizado em 09/05/2017, 10:10:19

Tem gostinho paraense hoje no “MasterChef” (Band/RBA TV). Thiago Castanho é convidado do programa e caberá a ele lançar o desafio da prova de eliminação: um prato com ingredientes da região amazônica. Considerado um dos mais inovadores chefs brasileiros pelo “The New York Times”, a ele também recairá a responsabilidade de escolher o prato vencedor. E o pior na opinião de Erick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça sairá do programa. 

 Para chegar à prova de eliminação, os participantes terão antes um desafio e tanto. Mais uma vez a Caixa Misteriosa entra em cena, agora com miúdos de boi, ingredientes que são usados como iguarias em restaurantes caros pelo mundo, assim como fazem parte de pratos muito populares em diversas regiões brasileiras. Mas para quem não está acostumado a manuseá-los na cozinha, nem tem experiência com seus sabores marcantes, trabalhar com cérebro, coração, fígado, pênis, rim, testículos ou tripa de boi pode ser algo mais que desconfortável. Para mostrar que sim, delícias podem ser feitas com esses ingredientes, a própria Paola Carosella arregaça as mangas e participa do desafio junto com os concorrentes. 

 Os piores desempenhos na prova da Caixa Misteriosa cairão nas mãos de Castanho, que pela segunda vez participa do programa. Da primeira, não só a qualidade técnica, mas também a beleza do chef, chamaram a atenção dos telespectadores, e foram inúmeros os elogios a Thiago nas redes sociais, muitos deles exibidos inclusive ao vivo na TV, enquanto o programa ia ao ar. 

Mas Thiago tira o assédio de letra, e deve ir se acostumando cada vez mais a ele. Em entrevista exclusiva, fala – o pouco que pode, claro, para não estragar a surpresa – sobre sua participação no “MasterChef” e revela que em breve estreia na apresentação de um programa só seu no GNT. Confira o bate-papo:

Esta é a segunda vez que você participa do “MasterChef”. Qual a importância de se levar os ingredientes amazônicos para um programa de tamanha audiência como esse?
Acho que ajuda muito ao Brasil conhecer o Brasil. A forma como são expostos os ingredientes de certa forma instiga os espectadores a colocar a Amazônia em suas rotas turísticas, coisa que ainda é pequena. Por exemplo, eu sempre pergunto, em palestras ou aulas que faço por aí, quem já foi a Belém. A resposta é quase a mesma, somente 1% da sala. Ter um cozinheiro do Norte em um programa como esse é algo muito significativo. Lembro que, quando comecei a cozinhar, os programas televisivos de cozinha só tinham chefs estrangeiros e técnicas da cozinha clássica europeia. Hoje a cena está mudando e isso mostra um início do autoconhecimento do próprio brasileiro perante a cultura, e comida é uma forma de um povo se expressar.

Tanto neste quanto em outros programas que você já participou, é interessante ver a curiosidade e o estranhamento das pessoas acerca de nossos ingredientes. É perceptível para nós, telespectadores, como aquilo foge da realidade gastronômica deles. Você acha que esse tipo de visibilidade também ajuda a democratizar o acesso a esses ingredientes e, consequentemente, nos referendar como polo gastronômico?
Nossa cultura nortista é muito mais parecida com a de alguns países como Equador, Colômbia e uma parte do Peru, do que com a cultura do Sudeste do Brasil. Sim, sempre acontece o estranhamento, o que é comum para nós, é bem diferente para muita gente, principalmente da forma como lidamos com a mandioca e se tratando de surpresas maiores, como a sensação do jambu. Um programa de alta visibilidade em canal aberto gera um desejo e mostra a facilidade com que uma pessoa em São Paulo pode, por exemplo, fazer cozinha amazônica em casa. Durante muito tempo, a comida amazônica foi retratada como exótica e inacessível por alguns chefs em São Paulo e na mídia nacional, e isso hoje tem que ser diferente. Nossa cozinha tem que estar presente na mesa popular, para ela mesma se manter e se reinventar. A América do Sul é a bola da vez da gastronomia mundial, e a Amazônia também faz parte disso. Para sermos um polo de gastronomia, temos que mostrar conhecimento e nos apropriar disso, temos que ser muito além de fornecedores de insumos ou commodities para outras regiões do mundo. Esse processo lento vai ter que ser trabalho dos cozinheiros locais, produtores - que sem eles nossa cozinha não é nada -, jornalistas, acadêmicos que há anos estudam nossa região e quem mais promova a área gastronômica na região. Um programa de TV não nos referenda como polo.

Vemos, de uns anos para cá, a gastronomia virando algo a ser desejado pelas pessoas. Falar de comida virou pauta da conversa de amigos, os homens assumiram as panelas em casa, quase tudo ganhou versão gourmet, enfim, gastronomia é o assunto da vez. O que você acha da importância de programas como o “MasterChef” para popularizar ainda mais este tema?
Há um tempo programas de cozinha, exceto Palmirinha e Ana Maria [Braga], só existiam em canal fechado. Quando as pessoas começam a falar de comida, “sem querer” começam a comer melhor e a virar a cara para coisa ruim, se questionar um pouco sobre o que sua família está comendo em casa e, ao mesmo tempo, pode haver uma redução de consumo de industrializados. A importância do canal aberto também é, por exemplo, um pedreiro do restaurante em obra que acabou virando cozinheiro reconhecer que a profissão dele pode ser uma carreira, que aquilo que ele faz diariamente pode ser arte, entretenimento, diversão e fonte de conhecimento. Com conhecimento, os espectadores podem ser mais exigentes e em um restaurante não aceitar determinadas enrolações que antes aceitavam por falta de parâmetros.

E todo mundo pode sonhar em ser um “MasterChef”?
Acho que todos podem ser um “MasterChef”, todos podem ser um gênio. Para ser isso, basta se dedicar muito, não medir esforços pra fazer algo bem feito, se frustrar muito, perder várias horas de sono, saúde e dinheiro, investir grande parte do seu tempo para a cozinha, não ter folgas, perder uma parte das amizades. Viajar constantemente em busca de expansão da mente cozinheira, cozinhar todos os dias, estudar com a mesma frequência. E no final ser feliz com tudo isso e não se arrepender. Sorte e talento cada um faz os seus.

Você é muito tímido. Como é para você estar na frente das câmeras? Já pensou em ter um programa na televisão ou na internet?
(Risos) Bom, sou meio tímido mesmo, acho que grande parte dos cozinheiros são. Hoje tenho aprendido mais estando grande parte do tempo no salão do restaurante. Falando em programa de televisão, fui convidado para apresentar a quinta temporada do programa “Cozinheiros em Ação”, do GNT, apresentado anteriormente pelo Olivier Anquier, e aceitei. É um reality show de duplas de familiares que cozinham em casa, nenhum profissional como no “MasterChef”. Fui escolhido por isso, visto que há 16 anos trabalhamos em família no Remanso. 

Na sua participação anterior no “MasterChef” você causou nas redes sociais chamando a atenção da mulherada. Como encarou aquela situação e está preparado para o repeteco?
(Risos) Eu geralmente não vejo programas que participo. Preparado a gente não tá, mas acho engraçado, porque me vejo um “caboco” cozinheiro. Com o programa agora no GNT vou ter que estar preparado não só para elogios, como também para o restante, incluindo críticas.

Thiago Castanho comanda o Remanso do Bosque, em Belém. O restaurante já recebeu o 38º lugar no ranking da revista britânica Restaurant dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Ele também foi eleito o melhor chef, na premiação do Passaporte Belém.

Veja ele falando sobre a culinária paraense:

(Esperança Bessa/Diário do Pará)


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