ORIXÁ GUERREIRA

Héloa mostra em documentário, bate-papo e show sua relação com Oxum

POSTADO EM: Quarta-Feira, 29/08/2018, 08:43:35
ATUALIZADO EM: 29/08/2018, 08:43:35

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Divulgação

Contando a história de cinco mulheres que são filhas de Oxum – orixá que representa a força das águas doces e suas conexões com a fé –, o documentário “Eu, Oxum” será exibido amanhã, 30, às 19h, no Sesc Boulevard. Entre suas protagonistas está Héloa, atriz e cantora sergipana, que também assina a direção e o roteiro do filme em parceria com a própria mãe, a cientista social e ialaxé (no candomblé quem zela pelos axés e pela organização da casa de culto) Martha Sales, que vivencia o candomblé há mais de 15 anos. Após a exibição, será realizado um bate-papo com Martha e o show do disco “EU”, de Héloa, com participação especial das paraenses Sammliz e Juliana Sinimbú. Toda a programação é gratuita

Em entrevista ao Você, Héloa conta que o documentário partiu de seu processo de imersão espiritual, iniciado há quatro anos por meio da mãe biológica. “Depois, quando fui morar em São Paulo e esse aspecto espiritual se tornou cada vez mais frequente, envolvendo minha carreira e meu encontro comigo mesma, como mulher sergipana negra, eu senti necessidade de contar essa história, de me colocar além de artista como pessoa religiosa, candomblecista”, afirma.

SAGRADO FEMININO

Além da cantora, da mãe e duas de suas irmãs de santo, o documentário também mostra a iálorixá Maria José, mais conhecida como Mãe Bequinha, responsável pelo terreiro Ilê Axé Omin Mafé e a mais antiga filha de Oxum do município de Riachuelo, em Sergipe. A narrativa de imagens e memórias traz o processo espiritual vivido por cada uma dessas mulheres, a partir de suas diferentes idades, tempo de inserção na religião, relações de parentesco e as funções que ocupam dentro do espaço sagrado do terreiro. “Trata-se de uma casa majoritariamente comandada por mulheres, então acabamos também abordando esse ar do sagrado feminino”, acrescenta.

O processo de produção do filme envolveu 20 dias na estrada, entre idas e vindas a Riachuelo para colher imagens e depoimentos. “Ser, além de diretora, personagem do filme e filha da casa, me deu um desafio ainda maior, principalmente em relação ao acesso a alguns espaços sagrados e o respeito à hierarquia”, destaca. Por meio de um diálogo sensível com suas irmãs de santo e a forma acolhedora com que foi recebida no Ilê, ela buscou manter um olhar artístico e fotográfico sobre esse cotidiano do terreiro, permitindo que fizesse seu registro da maneira “mais fidedigna possível”.

Com trilha sonora assinada por Vinícius Bigjohn e Klaus Sena, o filme tem canções dedicadas ao sagrado feminino personificado na figura de Oxum e na natureza dos rios e mares. A produção é da Café com Guaraná Filmes. 

“O público de Belém já me conhece na perspectiva da música e me sinto muito feliz em voltar falando desse lugar que eu pertenço. Para mim é uma expectativa de ampliar esse encontro”, comenta Héloa, que já exibiu o documentário em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

Disponível no YouTube, “Eu, Oxum” está com quase 8 mil visualizações e tem gerado muitos elogios por sua abordagem e ensinamentos passados pelas cinco protagonistas, que mostram grande intimidade com seu lado candomblecistas: “(...) do que adianta estar tão bem vestido, elegante às vezes, se você não cultua sua força maior? Porque o que veste a gente é o brilho do orixá”, lembra uma delas no filme.

Novo álbum mostra busca espiritual

No show em Belém Héloa já apresentará quatro músicas do próximo disco, que nasce como desdobramento do filme sobre Oxum (Foto: Divulgação)

Com o teatro, o canto lírico e a dança contemporânea no currículo, Héloa esteve envolvida em vários espetáculos antes de se encontrar, aos 17 anos, com a vontade de uma carreira na música. O primeiro lançamento como cantora foi o EP “Solta” (2013), com um sucesso que a levou para São Paulo e a trilha de um novo e primeiro disco pela YBMusic, o “EU” (2016), produzido por Daniel Groove e João Vasconcelos. O primeiro contato da sergipana com Belém foi justamente para o lançamento deste álbum mais recente, que ela retoma no show de amanhã, 30, no Sesc Boulevard, acrescido de algumas novidades.

“Esse álbum é um desdobramento do meu encontro com o olhar de artista, fala de quando eu saí para São Paulo e do encontro com o meu lugar como mulher, de ter me conectado com várias mulheres cantoras em São Paulo também. E tudo isso que está no disco se desdobra no documentário. É por isso que ele se chama ‘Eu, Oxum’. Dessa vez, retorno com filme e o show, que foi o princípio dessa trajetória, e já trago quatro canções que vão para o meu próximo álbum, ligadas mais a esse processo espiritual, um desdobramento do filme”, explica Héloa.

Para o show, ela é acompanhada por uma banda formada pelos paraenses Sabá, Béa Santos, Arthur Cerqueira e Júnior Feitosa. Sammliz, com quem Héloa já tinha se apresentado em sua última visita à cidade, participa de “Calei”, primeiro single do disco de 2016 e que chegou a ganhar um videoclipe no mesmo ano. A outra convidada, Juliana Sinimbú, acompanha Héloa em “Caravana”, canção de Geraldo Azevedo. “Acompanhamos a carreira uma da outra há muito tempo e vamos subir ao palco para celebrar esse encontro”, comenta a sergipana.

Gratuito

Héloa apresenta documentário “Eu, Oxum” e show “EU”
Quando: Quinta-feira, 30, às 19h
Onde: Sesc Boulevard (Boulevard Castilhos França, 522/523 - Campina)
Quanto: Entrada franca, com retirada de ingressos 1h antes

(Lais Azevedo/Diário do Pará)



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