CINEMA

'Pureza' encerra gravações em Marabá

POSTADO EM: Terça-Feira, 17/07/2018, 08:17:05
ATUALIZADO EM: 17/07/2018, 08:17:05

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Felipe Reinheimer/Divulgação

Inspirado em fatos reais, o longa-metragem “Pureza” narra a história de uma mãe que procura por seu filho desaparecido e encontra inúmeras fazendas praticando o trabalho escravo no interior da Amazônia. A produção brasiliense tem mais da metade de suas filmagens realizada em Marabá e conta ainda com a atriz Dira Paes na pele da protagonista que dá nome ao filme, Pureza Lopes Loyola. Com as gravações encerradas, diretores e produtores também celebram o sucesso do trabalho no sudeste paraense.

“A escolha da Dira foi um grande acerto. Ela é uma grande atriz, com uma conexão visceral com o Pará, com o universo dos personagens. A atuação dela foi exuberante, de emocionar, a cada cena trazendo muita força e verdade à personagem”, conta Marcus Ligocki, produtor executivo e co-roteirista do filme junto ao diretor Renato Barbieri. Além de Dira, eles ficaram gratamente surpresos com a importância de locais no elenco. “Contamos com trabalhadores rurais reais, ex-escravizados inclusive, que no processo de ensaio com os atores ajudaram a transmitir muito do jeito de agir, de falar, das situações de escravidão. E isso foi contagiando todo o elenco. Foi muito bonito ver esse processo. Todos saíram muito gratos e emocionados”, diz.

A equipe chegou a Marabá no inicio de abril e permaneceu até maio fazendo a pré-produção. Depois, foram seis semanas de gravação com uma equipe de aproximadamente 80 profissionais e figuração com cerca de 500 moradores. “Nos surpreendeu o calor das pessoas, em ajudar o projeto a acontecer, e o profissionalismo dos serviços locais”, elogia Ligocki. 

Mas eles passaram por um bom susto com a greve dos caminhoneiros. “Estávamos com toda a equipe em Marabá e os caminhões carregados com equipamento vindo do Rio de Janeiro e São Paulo não conseguiam entrar na estrada, com tudo bloqueado. Qualquer adiamento, por conta da agenda de atores, seria um prejuízo grande”, relata o produtor. Chegando a data da filmagem, a greve começava a dar sinais de que acabaria, para alívio de todos. “O último caminhão chegou quatro horas antes de começar a filmagem!”, conta.

PRÓXIMA ETAPA

As filmagens vão continuar nesta semana, mas em Brasília, para dar seguimento ao percurso de Pureza. No filme, depois de testemunhar o tratamento brutal de trabalhadores rurais e o desmatamento florestal, a personagem consegue denunciar os fatos às autoridades federais. “Ela foi se comovendo com aquele processo, meio que se sentiu responsável por aquelas pessoas como fossem seus filhos, pais, avós. E esteve em Brasília para denunciar o que estava acontecendo. E esse é o momento que vamos retratar, filmar agora, a relação com o Congresso Nacional, a Procuradoria Geral da República”, adianta Ligocki.

Depois serão três a quatro meses de montagens e mais dois a três meses de finalização. A expectativa é que o filme esteja pronto em janeiro de 2019 para percorrer festivais nacionais e internacionais, indo posteriormente para as salas de cinema, em 2020, com um elenco que inclui, além de Dira Paes, Flávio Bauraqui, como o capataz Narciso, e Matheus Abreu (da minissérie “Dois Irmãos”) como Abel, o filho de Pureza. O paraense Claudio Barros também integra o elenco.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)



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