CINEMA

O que “Todo o Dinheiro do Mundo” pode ensinar sobre tomadas de decisão

POSTADO EM: Quinta-Feira, 01/02/2018, 11:00:04
ATUALIZADO EM: 01/02/2018, 11:00:04

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Christopher Plummer no papel de John Paul Getty, em "Todo o Dinheiro do Mundo". (Foto: ReproduçÃ

Christopher Plummer no papel de John Paul Getty, em "Todo o Dinheiro do Mundo". (Foto: Reprodução)

 

O que você faria se fosse um bilionário e seu neto fosse raptado por sequestradores que pedissem US$ 17 milhões por ele? Muita gente daria o dinheiro sem pestanejar, mas John Paul Getty não é “muita gente”.

O bilionário norte-americano ganhou a vida extraindo o petróleo da Arábia Saudita. O sucesso nos negócios, porém, não se refletia no bem-estar familiar. Em 1973, seu neto John Paul Getty III foi mantido em cativeiro por cinco meses até que o avô concordasse em entregar uma parte da quantia solicitada pelos sequestradores — o que só aconteceu quando eles mandaram um pedaço da orelha do garoto para a imprensa.

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O episódio inspirou o filme Todo o Dinheiro do Mundo (2018), que estreia hoje (1º de fevereiro) nos cinemas, com Christopher Plummer no papel do magnata, substituindo Kevin Spacey após as acusações de abuso sexual.

Para entender as variáveis das tomadas de decisão, a GALILEU conversou com Vera Rita de Mello Ferreira, especialista em psicologia econômica e professora da B3 Educação, instituição de educação financeira da BM&FBovespa e a Cetip. 

Qual poderia ter sido o motivo da demora de Getty para dar o dinheiro que recuperaria seu neto?
O dinheiro tem diferentes significados simbólicos e psicológicos para cada pessoa. A começar pelas diferenças entre grupos sociais, postura da família em relação ao dinheiro, cultura de cada país. Para muita gente, o dinheiro é também uma expressão de si mesmo, da parte mais profunda da personalidade.

Uma pesquisa de Harvard mostrou que pessoas que se tornaram milionárias pelo próprio esforço são mais felizes do que aquelas que ficaram ricas por causa de uma herança, por exemplo. Isso quer dizer que a felicidade financeira não depende só de quanto, mas também de como atingi-la?
Em geral, quem suou para ganhar dinheiro vai dar um valor diferente para ele. Aquela coisa “o que vem fácil, pode ir fácil também”. Então, quem herdou pode nem avaliar direito quanto tem ou o que aquilo representa concretamente. E quem foi juntando o dinheiro com o esforço próprio tem uma relação até mais íntima como ele.

Há alguma estimativa de quanto uma pessoa precisa para ser feliz?
O que a gente vê em estudos da psicologia econômica é que a quantia ideal para se viver bem, para ficar feliz com o dinheiro que tem, é de R$ 20 mil mensais. Agora, a fantasia da pessoa pode ir mais longe. Às vezes ela imagina que se tiver mil vezes mais, seria mais feliz. Mas é bem possível que o nível de felicidade dela não acompanhe esse crescimento financeiro, de jeito nenhum.

O que as pessoas devem evitar em relação ao dinheiro?
A primeira coisa é não se deixar levar pelo impulso quando a decisão for muito importante, quando houver consequências a longo prazo e quando há o risco de uma perda importante.  Nesse casos, a pessoa deve parar para pensar. E, dependendo da situação, ajuda ter um olhar externo: se não, a gente tende a repetir os mesmo padrões em todas as escolhas que fazemos. 

E como a gente pode identificar esses riscos?
Aí está o problema. A gente tem dificuldade para enxergá-los. Achamos que estamos evitando o risco quando, na verdade, estamos tentando evitar perdas. E quando você tenta evitar uma perda, você acaba se expondo a mais riscos.

Há algum limite aceitável para você ter um certo apego ao dinheiro?
É difícil dizer. Mas o ideal que é a pessoa possa viver com algum conforto pessoal, familiar, social. Quando ela não se permite nada, a gente pode imaginar que a vida não está sendo tão satisfatória para ela, mesmo que na hora ela ache que o melhor é guardar absolutamente tudo e não desfrutar de nada. A vida é enquanto a gente está vivendo. Então, é preciso que haja um equilíbrio para usufruir tanto agora como no futuro.

*Com a supervisão de Thiago Tanji

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Fonte: Revista Galileu



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