GERSON NOGUEIRA

Gerson Nogueira comenta lesão de Neymar e a importância de Echeverría para o Leão

POSTADO EM: Sexta-Feira, 25/01/2019, 07:54:12
ATUALIZADO EM: 25/01/2019, 07:54:12

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Divulgação

Quando a habilidade é castigada

O futebol marcha para um buraco sem fundo quando um técnico diz que talento e dribles devem ser enfrentados com pancadaria, justificando a saraivada de pontapés que um zagueiro do Strasbourg aplicou em Neymar após ser fintado três vezes, na partida de anteontem contra o PSG, tirando-o de campo e possivelmente do restante da Champions League. 

Depois de ter ficado inativo por 80 dias no primeiro semestre do ano passado, com uma lesão no pé, o camisa 10 do PSG volta a se defrontar com o risco de inatividade por longo período. A trajetória de Neymar tem sido marcada por contusões sérias, desde que passou a integrar o patamar dos melhores e mais caros futebolistas do mundo.

O episódio mais dramático ocorreu na Copa de 2014 quando levou uma joelhada do colombiano Zuniga, sofrendo fratura da vértebra. Além de desfalcar o Brasil na fase aguda do Mundial, chegou a ficar com a carreira ameaçada, pois havia a possibilidade de um aleijão permanente.

Thierry Laurey, técnico do Strasbourg, surpreendeu pela agressividade nas declarações pós-jogo. Em tom insolente, disse que Neymar tem qualidades inegáveis, mas joga como se tirasse sarro dos adversários e que os demais jogadores não estão ali para dançar balé.

“Ele gosta de brincar em campo. Chega uma hora que o zagueiro se cansa e tem que jogar duro com ele”, comentou Laurey. A afirmação é descarada e até cínica, pela falta de respeito mínimo ao que o jogo e suas regras exigem. É como se Neymar fosse obrigado a não driblar ou firular a fim de não despertar a selvageria dos pernas-de-pau que o marcam.

Foi mais ou menos como se pronunciou, durante a Copa da Rússia, o colombiano Juan Carlos Osorio, técnico do México. Mordido por ter sido eliminado do torneio pelo Brasil, saiu insultando o craque brasileiro (e a própria ética boleira) com a afirmação de que futebol é para homens.

Acima de tudo, ambos demonstraram ser maus perdedores e técnicos limitados (Laurey mais ainda), sem um histórico de conquistas que permita um mínimo de comparação com Neymar, seguramente um dos maiores astros do futebol mundial. 

Assusta mais, porém, é o tom de quase aprovação a esse comportamento violento contra Neymar entre profissionais da mídia esportiva brasileira. Vi na ESPN ontem o ex-volante carniceiro Zé Elias defendendo a mesma opinião de Laurey, entendendo que o camisa 10 faz muita firula, nem sempre em direção ao gol. Ora, a partir de agora, talvez tenhamos que considerar que habilidade definitivamente virou crime.

Zé Elias e outro comentarista chegaram a reprovar a atitude de Neymar sem ao menos recriminar a sarrafada tripla (no mesmo lance!). Na mesma linha, o volante Anthony Gonçalves, do Strasbourg, foi mais explícito: “Ele gosta de brincar com a bola, mas não estamos para brincadeira. Não somos seus fantoches. Respondemos com nossas armas”.

Os termos usados pelo brucutu francês buscam amenizar as agressões praticadas contra Neymar, mas não são menos assombrosos do que a opinião expressada pelos comentaristas, que teoricamente deveriam ser defensores da aplicação das regras do jogo, cuja finalidade é proteger os mais habilidosos e punir a quem bate e agride.

Tristes tempos de crescente tolerância à violência, no campo e na vida. O certo é que não conheço torcedor que pague para ver zagueiros botinudos mostrando seus recursos de MMA em jogos de futebol. Isso pode ser qualquer coisa, menos esporte.

A importância de Echeverría para o novo Leão

Eduardo Echeverría. (Foto: Ricardo Amanajás)

Depois de muito procurar (e errar), o Remo conseguiu achar um meia-armador de qualidade na Série C 2018. Pena que foi por pouco tempo. Everton encaixou muito bem no esquema elaborado pelo técnico Artur Oliveira na ocasião, mas acabou desertando quando o time mais precisava de qualidade e alternativas no setor de criação.

Para esta temporada, o clube se esmerou nas buscas e terminou por acertar com Eduardo Echeverría, um paraguaio habilidoso e com facilidade para finalizações que se destacou no Botafogo-PB.

Apresentado como a principal contratação para o Campeonato Estadual, o próprio jogador fez questão de se esquivar, rejeitando a pecha de salvador da pátria. Recorreu ao clichê boleiro, dizendo que veio para somar e não quer ser visto como astro da companhia.

Apesar desse cuidado, compreensível nos dias que correm, Echeverría é visto pela torcida como o jogador mais qualificado do time. Aliás, a diretoria o distinguiu dos demais contratados. Por isso, sofrerá mais cobranças do que os demais.

Para a estreia, amanhã à noite, contra o São Raimundo, no estádio Barbalhão, caberá ao meia-armador a responsabilidade de comandar a evolução ofensiva da equipe, representando um ponto de equilíbrio para um grupo que obviamente ainda não é um primor de entrosamento.

Auxiliado por Wallacer ou Diogo Sodré, terá condições de se aproximar dos homens de linha, Alex Sandro e Henrique (ou Mário Sérgio). Nos amistosos recentes, Etcheverría mostrou que está fisicamente apto para executar essas funções. O Remo vai precisar muito dele.



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