OPINIÃO

Leia a coluna de Carlos Eduardo Vilaça: a taça da vergonha

POSTADO EM: Terça-Feira, 14/08/2018, 08:05:45
ATUALIZADO EM: 14/08/2018, 08:08:08

Juro que não acreditei quando me falaram. Não podia ser verdade. Desafiava a lógica, o bom senso. Mas, enfim, estamos lidando com uma diretoria que já provou diversas vezes que ama a si mesma mais do que ao clube que serve. Então, embora absurdo, o fato relatado poderia, sim, ser verdadeiro. E veio a foto, dotada de um simbolismo perverso. Isac, o homem dos gols perdidos, um dos mais criticados em 2018, carregava a taça da conquista do título estadual, que, rapidamente, mudou sua nomenclatura para “Taça da fuga do rebaixamento”. Parabéns aos envolvidos. Conseguiram transformar o único resultado digno do Remo no ano em mais um episódio de vergonha alheia.

O pretexto de lembrar os momentos positivos da temporada não se sustenta sob qualquer aspecto. A começar pelo contexto. O último jogo do ano ainda em agosto. Férias de cinco meses pela frente – algo pelo qual a torcida azulina não aguenta mais passar. Depois, vencer o Parazão não deveria ser motivo de orgulho – ao menos não o único. Na verdade, mesmo com todo o discurso respeitoso e politicamente correto de que “não existe mais bobo no futebol”, Remo e Paysandu têm, sim, obrigação de ganhar esse campeonato Tanto pela tradição, quanto pelo poder de investimento. Ambos bem superiores aos demais competidores.

Ficou nítido que o objetivo principal de levar ao estádio a taça era passar o pano nas lambanças cometidas no decorrer da temporada, com a apropriação de uma imagem eternizada por clubes da Série A, como Flamengo, Cruzeiro, Santos e São Paulo, de que time grande não cai. Como se isso já não tivesse acontecido por essas bandas várias e várias vezes. O que a diretoria deveria ter feito era botar o rabinho entre as pernas, fazer o mea-culpa e já começar a trabalhar de olho em 2019. Não tentar esconder o fato de que o rebaixamento só não se tornou realidade porque Netão tinha conhecimento suficiente do grupo, e o respeito do mesmo, para fazer as mudanças necessárias que culminaram em um time minimamente competitivo.

Aliás, é de conhecimento geral que a própria diretoria não acreditava mais numa fuga da degola. A opção por Netão não foi algo pensado, estratégico. Foi simplesmente a escolha mais fácil e barata. Um “te vira aí” sem o menor respaldo, apenas para levar o time até o final. Um golpe de sorte, que, infelizmente, tem se tornado a única forma de administração conhecida pelo Remo em sua história recente, andando lado a lado com a falta de credibilidade e, claro, a eterna fogueira das vaidades. 

No final do ano, tem eleições no clube. Expectativa de mudanças? Sinceramente, não acredito. O Remo é um feudo. As caras novas que surgiram, como Milton Campos, atual homem-forte do futebol, Magnata e outros, se mostram cópias dos velhos cartolas, como Manoel Ribeiro, Sérgio Dias… O problema não é a idade. É a mentalidade. Sempre foi. Só poderia mudar esse panorama quem não se alinhasse a essas figuras. E esses ainda não tem estofo para uma briga eleitoral. Aline Porto, Fábio Bentes… São pessoas que, aparentemente, têm um frescor de ideias. Mas quem votaria neles contra o Marechal, por exemplo? O universo de sócios ainda é pequeno e dificulta o surgimento de novas gerações de dirigentes. Uma pena. 

A continuar desse jeito, comemorar fuga de rebaixamento é o máximo que a cúpula azulina terá a oferecer aos seus torcedores. Mesmo que de forma disfarçada, como no último sábado.



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