OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira

POSTADO EM: Quarta-Feira, 11/07/2018, 07:45:48
ATUALIZADO EM: 11/07/2018, 07:46:08

Os belgas cumpriram o script conhecido. Jogaram como nunca, perderam como sempre. Muita marola e badalação até entrar na fase do afunilamento da Copa do Mundo. O fato é que os Diabos Vermelhos são superestimados no mundo todo há pelo menos seis anos. Frequentam mensalmente aquele ranking esquisitão da Fifa, sem ter vencido rigorosamente nada. Ontem, encontraram pela proa uma França tranquila, bem arrumada e com três craques em noite inspirada. Ficou no 1 a 0, mas cabia mais.

Ah, ia esquecendo que a equipe de Roberto Martinez é também a queridinha dos modernos influenciadores da mídia no Brasil. Óbvio que a admiração da geração pós-XYZ atingiu patamares tsunâmicos com a vitória sobre a Seleção de Tite na sexta-feira passada. Mesmo tendo achado um gol logo aos 13 minutos, recebido um presentaço aos 31’ e levado um sufoco nos restantes 60 minutos.

Ouvi muita gente enaltecer a clarividência do centroavante Lukaku, um Alcino mais parrudo e melhor aquinhoado pela sorte. É verdade que contra o Brasil ele teve boa participação no lance do contra-ataque que levou ao segundo gol, ajudado pelas gentilezas dos nossos volantes.

Diante da França, porém, a Bélgica não encontrou facilidades. Só teve alguma margem de manobra nos 15 minutos iniciais, quando Hazard encaixou um chute no canto direito, que Lloris defendeu muito bem. Depois, a França assumiu o controle, tocando bola e saindo em velocidade. Chegou ao gol em lance típico do adversário: um cruzamento desviado de cabeça pelo zagueiro (de origem camaronesa) Samuel Umtiti.

Kylian Mbappé foi um show à parte. Dribles, arrancadas, toques de calcanhar. Parecia até um brasileiro das antigas, que bailavam em campo. Só faltou finalizar mais. Caía pela direita e arrastava pelo menos três marcadores, coisa que o Brasil se esqueceu de explorar.

Sem a bola, os belgas não são diferentes de sérvios e suíços. Saem dando caneladas e joelhadas em quem encontram pela frente. Fellaini, o cabeludo que alguns tentaram elevar à condição de craque, foi o Fellaini que a gente conhece. Carniceiro, travoso no desarme e errático no ataque.

De Bruyne, sem a folga que Fernandinho e Marcelo concederam, ficou engarrafado entre os defensores. Apareceu só nos instantes finais, disparando chutões em sinal de claro desespero. De positivo na Bélgica, pra não dizer que não falei de flores, a habilidade objetiva de Hazard, um tremendo jogador, e a segurança do estupendo goleiro Courtois.

Não fosse a gigantesca figura no gol, a França teria disparado uma goleada no 2º tempo. O poste Giroud também ajudou a deixar as coisas no escore mínimo. A Bélgica ainda tem que agradecer a complacência do árbitro, que deixou a pancadaria rolar solta. Todos os contragolpes puxados por Pogba e Griezman eram contidos a pontapés.

Aliás, Copa tem essa coisa bacana de destruir mitos em questão de dias. Até ontem, a Bélgica era festejada e comemorava com certa arrogância a eliminação do Brasil. Após 90 minutos, voltou ao lugar habitual. Já a França, pelo que vem exibindo, é favoritíssima ao título.

 

 

As dúvidas de Dado para montar o ataque

 

O Papão tem várias dúvidas para o jogo contra o Vila Nova-GO, amanhã, na Curuzu. A maior de todas se localiza no comando do ataque, órfão desde a inesperada saída de Cassiano. Sem o artilheiro, Dado Cavalcanti precisa improvisar uma composição ofensiva sem contar com nenhum outro jogador com as características do antigo titular da posição.

Na falta de um substituto natural, resta a opção do falso camisa 9, papel desempenhado por Moisés sem maior brilho. Magno talvez fosse a opção mais interessante, mas sentiu dores na coxa e dificilmente ganhará vez.

Com isso, cresce a importância dos homens de meio e de aproximação, como Thomaz e Claudinho. O sucesso do Papão diante do 4º melhor time do campeonato vai depender da movimentação de ambos.

 

 

Esclarecimento

 

Há alguns dias, a coluna incorreu em equívoco quanto aos critérios de escolha dos grupos do Campeonato Paraense Sub-17, fato que teria prejudicado a Desportiva, incluída na mesma chave da dupla Re-Pa.

Ocorre que, segundo a FPF, a definição das chaves ocorreu em reunião do conselho técnico, que teve a participação de todos os clubes, entre os quais um representante da Desportiva.  



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