ABRE O OLHO, PAPÃO

Hora de corrigir a rota

POSTADO EM: Quinta-Feira, 05/07/2018, 08:58:19
ATUALIZADO EM: 05/07/2018, 08:58:19

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Fernando Torres/Paysandu

Como tem sido rotineiro nas últimas seis rodadas, o Papão não conseguiu produzir uma atuação firme, desperdiçou chances e acabou sucumbindo à pressão do Coritiba, ontem, no estádio Couto Pereira. O time da casa começou buscando o jogo e achou o gol logo aos 19 minutos, após cochilo de marcação no lado esquerdo da zaga paraense. Na etapa final, após o PSC desperdiçar um pênalti, veio o segundo gol do Coxa já no apagar das luzes.

Cassiano fez muita falta outra vez, bem como Diego Ivo na defesa. Sem jogadores de referência, o PSC foi sempre um time sem personalidade, demonstrando até certa timidez em alguns momentos.

Essa falta de uma postura mais destemida por parte do Papão estimulou o Coritiba a jogar sempre no ataque, sem demonstrar receio de sofrer contragolpes. O meio-campo bicolor até produzia manobras com Claudinho e Thomaz, mas faltava aprofundamento na área. A melhor chance coube a Claudinho, que disparou um chute perigoso, rente à trave.

Pedro Carmona, improvisado como atacante, exibiu seu pouco traquejo para a função desperdiçando cruzamento de Thomaz na pequena área aos 15 minutos. Desequilibrado, cabeceou por cima da trave, sem perigo.

O Coritiba aproveitou a desatenção dos marcadores do PSC para chegar ao gol. Em contra-ataque fulminante, o goleiro Wilson lançou Guilherme Parede na direita e este driblou com grande facilidade Nando Carandina e Mateus Miller, antes de desferir um chute preciso no canto esquerdo de Renan Rocha.

Mesmo em desvantagem, o Papão seguiu arrumando espaços para chegar à área do Coxa. Thomaz e Mateus Miller desfrutaram de excelentes oportunidades para empatar, chegando a ficar frente a frente com o goleiro.

No segundo tempo, toda a estratégia de recuperação teve que ser reformulada depois que Fernando Timbó foi expulso, aos 11 minutos. Uma falta desnecessária, que obrigou Dado a tirar o mais fraco da equipe, Carmona, para que a zaga fosse recomposta com a entrada de Perema.

A superioridade numérica deixou o Coritiba ainda mais agressivo, produzindo pelo menos três situações agudas na área. Aos 15’, Alisson Farias cruzou rasteiro para o atacante Pablo Thomaz, que mandou um chute no travessão.

Leandro Silva perdeu outro gol aos 26’, batendo cruzado para arrojada defesa de Rena. Aí veio a chamada bola do jogo. Aos 28’, Thomaz driblou Leandro e foi tocado por baixo. O árbitro assinalou a penalidade e o próprio Thomaz foi bater, mas o tiro explodiu no travessão.

Mais dinâmico do time, Thomaz sentiu a perda e não teve boa sequência no jogo. Ainda assim, com Magno no lugar de Claudinho, o PSC deu um sufoco no Coxa a partir dos 35 minutos, forçando erros seguidos da defesa.

No último minuto, em avanço pela direita com Leandro Silva, o Coritiba chegou ao segundo gol tranquilizador. A bola atravessou a última linha de zagueiros e chegou a Bruno Moraes, que só escorou para as redes.

O PSC jogou acima do esperado, mas foi derrotado como tem sido a tônica nas últimas partidas. As baixas no time respondem por boa parte dos motivos desse insucesso, mas o fraco rendimento de alguns jogadores importantes, como Moisés, também comprometem qualquer projeto de reabilitação.

Mesmo que Dado Cavalcanti resista à pressão da torcida e de alguns dirigentes, a equipe precisará se reforçar e mudar de atitude mental para estancar um processo de queda vertical que pode levar às portas da zona de rebaixamento. Ainda há tempo de evitar o pior.

 

Revolução nos gramados, o VAR desafia a tradição

O VAR (árbitro assistente de vídeo) é, seguramente, uma das estrelas desta Copa do Mundo. Já ganhou mais espaço na mídia do que alguns dos astros mais badalados da competição, como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, defenestrados junto com seus times logo nas quartas de final.

A novidade tecnológica criou um fato novo e inédito no ambiente do jogo. Anos de dúvidas e discussões podem ser superados pelas consultas que a arbitragem humana pode fazer ao coadjuvante eletrônico.

O equipamento não elimina as paixões suscitadas pelas incertezas oriundas de lances polêmicos, mas reduz bastante a carga de cobrança em relação aos árbitros. Será bem mais difícil, depois do advento do VAR, apontar o dedo para juiz e acusá-lo de má fé ou incompetência. 

Especialistas em arbitragem, jogadores e técnicos ainda se indagam sobre o verdadeiro tamanho dessa interferência externa naquele que é talvez o mais tradicional dos grandes esportes coletivos, fechado em si mesmo e refratário a inovações e alterações de regras.

O veredito final sobre uma jogada mais confusa ou rápida, de difícil avaliação pelo olhar humano, agora cabe ao elemento tecnológico. Se isso naturalmente esfria os ânimos, cabe observar que nem sempre tais decisões são unanimemente aceitas.

As 35 câmeras (duas só para detectar impedimentos) que monitoram todos os quadrantes do campo de jogo pretendem que os erros mais cabeludos sejam varridos do mapa, evitando que manchem o resultado de partidas e competições.

Apesar do esmero técnico, as polêmicas insistem em não sair de cena. Os lances envolvendo Neymar contra Costa Rica e México comprovam isso. A Suécia reclama, com razão, de pênalti não confirmado contra a Alemanha na primeira fase, quando Boateng acintosamente empurrou o camisa 9 sueco.

Claro que o recurso do VAR representa quase uma revolução, mas será tanto melhor quanto for possível garantir a evolução dos árbitros convencionais. Que eles treinem, se reciclem e se mostrem de fato à altura do novo parceiro de jornada.

(Diário do Pará)



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