GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta quinta-feira, 07: Goleada impõe reflexões

POSTADO EM: Quinta-Feira, 07/06/2018, 08:09:33
ATUALIZADO EM: 07/06/2018, 08:09:33

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Fernando Torres/Paysandu

Quem viu o Papão ser atropelado pelo Tigre catarinense na terça-feira à noite deve ter custado a acreditar que se tratava de um jogo entre o terceiro colocado e o vice-lanterna da Série B. Sem se incomodar com a ilustre visita, o 2º pior time da competição deu um banho de bola no 3º melhor time, segundo os números frios da classificação.

Difícil foi compreender o sistema de jogo empregado pelos bicolores na partida. Apesar de jogar com aplicação e alguma organização os 15 minutos iniciais, o time desceu ladeira abaixo nos 75 minutos restantes, sofrendo dois gols no término do primeiro tempo e mais dois na etapa final.

Nas entrevistas pós-jogo, pontificaram os discursos de acomodação, puxando para a argumentação típica de cursos de consultoria aplicados ao futebol, segundo a qual nada é tão bom quando dá certo e nem tão ruim quando resulta em perda.

O zagueiro Diego Ivo, considerado um dos líderes do elenco, chegou a repetir na Rádio Clube que “foi bom isso ter acontecido agora”, como se derrotas pudessem ser boas a qualquer momento. Acrescentou que a goleada servia de alerta para que o time ficasse mais focado.

Dado Cavalcanti seguiu na mesma toada, dizendo que o resultado vexatório aconteceu na hora certa para chacoalhar a equipe. A pergunta obrigatória, a partir dessas análises, é: por que a tal chacoalhada não aconteceu antes, evitando o sofrimento com revés tão retumbante.

Sem ver a cor da bola na maior parte do confronto, o Papão não teve forças e nem tranquilidade para sair do cerco imposto por Mazola Jr., que usou peças bem conhecidas do público paraense para superar o ex-time.

Um resultado tão acachapante gera reflexões, que devem servir para aprumar as coisas. Afinal, a pior atuação do PSC na temporada requer análises e avaliações internas rigorosas, ainda que a posição na tabela continue satisfatória. 

No Tigre, dois destaques. Luiz Fernando, que despontou no Águia de Marabá, virou uma espécie de faz-tudo no Criciúma atual. E o rodado Zé Carlos, carrasco do PSC nos últimos três anos (marcou seis gols em sete confrontos), que liderou as jogadas de área com bom posicionamento e arrojo para superar o trio de zagueiros bicolores.

Aliás, a última linha foi um dos pontos mais frágeis do Papão. Diego Ivo, Edimar e Douglas Mendes sofreram muito com a chegada rápida, a rápida troca de passes e os cruzamentos rasantes do Tigre. É verdade que não contaram com proteção adequada, pois Renato Augusto voltou a atuar mal.

A rigor, ninguém se salvou. Todos os setores fraquejaram, com ênfase nas laterais, onde Maicon Silva e Carlinhos se esmeraram em erros. No ataque, pouco se notou a presença de Mike e Cassiano.

Dado sinalizou para possíveis mudanças contra o Goiás, amanhã à noite. Perema pode retornar à zaga. Moisés deve fazer companhia a Cassiano na frente, mas a alteração mais importante – e temerária – deve ocorrer no meio-campo. Renato, lesionado, deve ser substituído por Cáceres ou Danilo Pires, visto que William não foi relacionado. A conferir.

Leão junta os cacos para dar a volta por cima

Artur Oliveira tem insistido na necessidade de contratação de um lateral-esquerdo. Sem um especialista para o setor (Esquerdinha estava lesionado), viu-se obrigado a manter Bruno Maia improvisado contra o Salgueiro, apesar da má atuação contra o ABC na rodada anterior. Coincidência ou não, foi por ali que nasceu a jogada do gol salgueirense.

Cabreiro, Artur sugeriu João Vítor, lateral revelado pela Tuna e hoje defendendo o Independente na Série D. A diretoria tenta atendê-lo. Outros dois reforços devem vir do ex-clube de Artur, o Bragantino. Keoma e Romário estão quase fechados com os azulinos.

Para o jogo decisivo contra o Náutico, no sábado, Esquerdinha deve retornar à equipe. Quem talvez perca posição é Dudu, de rendimento errático, principalmente pelo imperícia nos passes e lentidão na saída para o ataque. Brasília e Dedeco devem ficar na marcação.

Nos treinos desta semana, o técnico tem demonstrado a intenção de manter o esquema com três meias (Everton, Rodriguinho e Rafael) dando suporte ao centroavante Eliandro. Artur ficou satisfeito com a movimentação ofensiva que o Remo conseguiu no primeiro tempo diante do Salgueiro.

É inegável que os meias proporcionam maior qualidade de passe e flutuações interessantes junto à área, sempre com a chegada de um homem-surpresa para finalizar. O problema é a insegurança para arriscar chutes a gol. Travados, os jogadores parecem com medo de tentar o disparo final, acabando por desperdiçar várias oportunidades.

O Remo não tem tempo a perder e precisa sanar seus problemas para que a sonhada recuperação se inicie na Arena Pernambuco. Ainda que seja apenas a segunda vez que o time joga com essa configuração, o torcedor já cobra exageradamente de Artur resultados satisfatórios. Novo tropeço vai transformar a cobrança em explosões de ira.

Invasão do Baenão afronta o clube e desafia diretoria

Clubes de massa são instituições públicas e representam milhões de abnegados, não pertencendo a um grupo específico e nem mesmo a uma diretoria. No Remo, a cerca sempre andou baixa nos últimos tempos, permitindo que todo tipo de aventureiro se arrisque a invadir e até se apossar da propriedade.

Anteontem à noite, um grupo de baderneiros atacou os portões da concentração remista, conhecida como Toca do Leão, no estádio Evandro Almeida. Por pura sorte, o incidente não registrou vítimas ou danos de monta, mas a invasão já é em si um ato intolerável e que deve ser punido com rigor pelos que dirigem o clube.

A porta não pode ser derrubada por ninguém, nem mesmo pelos que se dizem torcedores e agem como turba violenta. Ironicamente, naquele instante, chefes de facções ditas “organizadas” eram recebidos por dirigentes para uma conversa dita civilizada.



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