GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta sexta-feira, 25: Uma chance para Dedeco

POSTADO EM: Sexta-Feira, 25/05/2018, 08:10:58
ATUALIZADO EM: 25/05/2018, 08:10:58

zoom_out_map
Fábio Will/Remo

Sem ter um elenco farto e com jogadores em fase técnica insatisfatória, o técnico Givanildo Oliveira tem feito o máximo possível para dar ao Remo a competitividade que a Série C exige. Os resultados frustram o torcedor, intranquilizam a diretoria e expõem o time a uma situação de permanente risco na tábua de classificação.

Depois de ficar a dois pontos do G4, o Remo despencou para o 8º lugar após a derrota em casa frente ao Confiança. Mais que o posicionamento ruim, causou estragos na autoestima a maneira como o time foi superado pelo time sergipano, que precisou de apenas 20 minutos para destroçar a organização defensiva armada por Givanildo.

O técnico não se deu por satisfeito com a improvisação de Levy na lateral esquerda, devido à contusão de Esquerdinha. Tanto é que excluiu o lateral da relação de atletas que vai a Natal enfrentar o ABC, no sábado.

As coisas seriam mais simples de resolver se Levy fosse o maior dos problemas do Remo no momento. Mas, sem um lateral esquerdo de ofício, Givanildo precisará improvisar Bruno Maia por ali, desarrumando o que já era um duo entrosado no centro da zaga.

O dado mais preocupante, porém, é a insistência no esquema de três atacantes. Desde o começo da Série C ficou claro que o time não tem consistência para bancar um trio de atacantes, ainda mais quando o centroavante (Isac) vive fase negativa.

Sem Felipe Marques, que era o ponteiro mais agudo e capaz de surpreender a marcação adversária, o Remo depende exclusivamente da velocidade de Elielton, que perdeu muito com o fim da parceria com Levy pela direita.

No momento, até as pedras do Baenão sinalizam para a necessidade de um esquema que proteja mais a defesa e não se iluda com o tridente que não funciona. Jaime (ou Gabriel Lima) e Elielton formariam um ataque bem mais interessante do ponto de vista técnico do que a atual configuração.

Como a provável escalação indica a manutenção do trio, a possibilidade de aproveitamento do estreante Rafael Bastos no decorrer do jogo e a entrada de Dedeco pela primeira vez como titular são as melhores expectativas reservadas ao torcedor do Remo para amanhã. 

Dedeco, por sinal, já vinha merecendo essa vaga há algum tempo. De estilo agressivo, bom chutador, pode contribuir para fortalecer o Remo ofensivamente.

Papão precisa ajudar Cassiano a ajudar o time

A próxima rodada da Série B se desenha bem mais difícil que a anterior para o Papão. O compromisso de hoje será em Florianópolis contra o Avaí, que vem de vitória categórica sobre o CRB, dentro do estádio Rei Pelé, por 4 a 1. É o chamado jogo de seis pontos. 

Desde que Geninho assumiu o comando, o time catarinense deu uma guinada técnica e busca se aproximar do G4. Tem 11 pontos, apenas um a menos que os bicolores.

Do lado alviceleste, a situação não é alarmante, afinal o time está invicto há seis rodadas, tendo 12 pontos ganhos e ocupa a quinta colocação. A campanha está acima das expectativas. Afinal, quando o Estadual terminou, a impressão geral era de que o PSC teria sérios problemas no começo da Série B.

O time reagiu bem à nova configuração tática, com três zagueiros, vencendo nas três rodadas iniciais, mas começou a apresentar problemas à medida que os adversários passaram a estudar melhor a maneira de jogar dos bicolores. E aí começou a faltar munição para surpreender e impor o jogo mais conveniente ao Papão.

Contra Sampaio Corrêa, Juventude e São Bento, o time não teve força individual ou tática para superar os obstáculos e correu riscos, principalmente contra os maranhenses e os sorocabanos. 

No momento, o pior dos problemas se localiza no meio-de-campo, onde não há transição de qualidade, embora Nando Carandina seja mantido ao lado de Renato Augusto (que não joga hoje) com funções defensivas e criativas, o que é espantoso. 

Os laterais não vivem um bom momento, principalmente Maicon Silva, e a maior vítima do desacerto é o artilheiro Cassiano.

Com 17 gols na temporada, goleador máximo da Copa Verde, Cassiano atravessa um momento iluminado. É aquela fase em que o centroavante faz gol até sem querer. 

O problema é que, para haver gol, é preciso que a bola chegue com qualidade até o definidor. Isso não vem acontecendo. Contra Sampaio e São Bento, a bola não foi trabalhada para Cassiano, com graves prejuízos para a equipe. 

Para o confronto desta noite, Dado Cavalcanti relacionou vários jogadores para o meio, incluindo Thomaz, que jogou contra o São Bento. Alan, expulso em Caxias, pode ter nova chance, bem como o britânico Ryan Williams. 

Pelo que produziram até agora, Alan deveria ser a opção natural para ocupar a faixa reservada à criação de jogadas. A lógica, porém, diz que Thomaz será o escalado.

William e Magno foram excluídos novamente da relação de atletas e, ao que parece, estão fora dos planos de Dado.

Sobre a fuga dos torcedores

Meu querido amigo Ambire Gluck Paul, bicolor de quatro costados e salgueirense de fé, faz comentário oportuno sobre o baixo público nos estádios brasileiros. Segundo ele, a explicação mais plausível é o combinação entre a decadência técnica dos jogadores e o horário ingrato reservado aos jogos.

“Somente no Brasil é possível ver jogo às 21h30, ou até 22h, para satisfazer a TV e o que é pior com problemas de transporte que levam até 3h para ir e voltar do estádio Mangueirão. Os torcedores não vão, não levam os filhos e a pirâmide da paixão vai se desconstruindo, culminando com a desmotivação que você cita sobre os dias que antecedem à Copa. No caminho que vamos, a médio prazo, chegaremos ao desinteresse geral e aí a TV é que vai mandar os clubes procurarem outra fonte de renda. Será que isso não cabe na inteligência dos dirigentes da cúpula do nosso futebol ou eu tenho o QI acima do normal?.”

Ambire conta que, há dois anos, foi assistir com um amigo ao jogo Real Madrid X Atlético de Bilbao, no Santiago Bernabeu, em Madri, com 70 mil espectadores. “O jogo começou às 19h30 e, ao terminar, meu amigo sugeriu que esperássemos um pouco para sairmos. Eu disse a ele: ‘Achas que estais no Brasil?’. Abriram- se mais de duas dezenas de portões, o estádio esvaziou em menos de 20 minutos. Atravessamos, apanhamos o metrô e em 23 minutos estávamos no hotel no centro da capital espanhola”, relata. 

É, de fato, um bom exemplo do abismo existente entre os projetos de gestão do futebol na Europa e no Brasil.



COMENTÁRIOS mode_comment