OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Leão sofre com as carências

POSTADO EM: Quinta-Feira, 24/05/2018, 07:20:09
ATUALIZADO EM: 24/05/2018, 07:20:09

Sem um elenco farto e com jogadores em situação técnica insatisfatória, o técnico Givanildo Oliveira tem feito o máximo possível para dar ao Remo a competitividade que a Série C exige. Os resultados frustram o torcedor, intranquilizam a diretoria e expõem o time a uma situação de risco na tábua de classificação.

Depois de ficar a dois pontos do G4, o Remo despencou para o oitavo lugar após a derrota em casa frente ao Confiança. Mais que o posicionamento ruim, causou estragos na autoestima a maneira como o time foi superado pelo time sergipano, que precisou de apenas 20 minutos para destroçar a organização defensiva armada por Givanildo.

Com a improvisação de Levy na lateral esquerda, devido à contusão de Esquerdinha, Givanildo não se deu por satisfeito, tanto que excluiu o lateral da relação de atletas que vai a Natal enfrentar o ABC, no sábado.

As coisas seriam bem mais simples se Levy fosse o maior dos problemas do Remo neste momento. Sem um lateral esquerdo de ofício, Givanildo precisará improvisar Bruno Maia por ali, desarrumando o que já era um duo entrosado no centro da zaga.

O dado mais preocupante, porém, é a insistência no esquema de três atacantes. Desde o começo da Série C ficou claro que o Remo não tem consistência no meio-campo para bancar um trio de atacantes, ainda mais quando o centroavante (Isac) vive fase negativa.

Sem Felipe Marques, que era o ponteiro mais agudo e capaz de surpreender a marcação, o Remo depende exclusivamente da velocidade de Elielton, que perdeu muito com o fim da parceria com Levy pela direita.

No momento, até as pedras do Baenão sinalizam para a necessidade de um esquema que proteja mais a defesa e não perca tempo com a ilusão do tridente ofensivo. Jaime (ou Gabriel Lima) e Elielton formariam um ataque bem mais interessante do ponto de vista técnico do que a atual configuração, com Isac como homem de referência.

Como a provável escalação indica a manutenção do trio de frente, a possibilidade de aproveitamento do estreante Rafael Bastos no decorrer do jogo e a entrada de Dedeco no meio são as melhores expectativas reservadas ao Remo para sábado. Convenhamos, é muito pouco.

 

 

Improváveis soluções para problemas óbvios

 

A próxima rodada da Série B se desenha bem mais difícil que a anterior para o Papão. O compromisso será em Florianópolis contra o Avaí, que vem de vitória categórica sobre o CRB, dentro do estádio Rei Pelé, por 4 a 1. A questão nem é a goleada sobre o time alagoano. O fato é que, desde que Geninho assumiu o comando, o time catarinense deu uma guinada técnica e busca se aproximar do G4 de forma consistente. Tem 11 pontos, um a menos que os bicolores.

Do lado alviceleste, a situação não é alarmente, afinal o time está invicto na competição, com 12 pontos ganhos, ocupando a quinta colocação. A campanha está acima das expectativas. Quando o Campeonato Estadual terminou, a impressão geral era de que o PSC teria sérios problemas no começo da Série B.

O time reagiu bem a uma nova configuração tática, com três zagueiros, vencendo nas três rodadas iniciais, mas começou a apresentar problemas à medida que os adversários passaram a estudar melhor a maneira de jogar dos bicolores. E aí começou a faltar munição para surpreender e impor o jogo mais conveniente ao Papão.

Contra Sampaio Corrêa, Juventude e São Bento, o time não teve força individual ou tática para superar os adversários e correu riscos, principalmente contra os maranhenses e os sorocabanos. É claro que é um problema que tem solução e pode ser sanado em curto prazo, mas não pode haver excesso de parcimônia na busca por uma alternativa.

No momento, o pior dos problemas se localiza no meio-de-campo, onde não há transição de qualidade, embora Nando Carandina seja mantido ao lado de Renato Augusto com funções defensivas e criativas, o que é espantoso. Os laterais não vivem um bom momento, principalmente Maicon Silva, e a maior vítima do desacerto é o artilheiro Cassiano.

Com 17 gols na temporada, goleador máximo da Copa Verde, Cassiano atravessa um momento iluminado. É aquela fase em que o centroavante faz gol até sem querer. O problema é que, para haver gol, é preciso que a bola chegue com qualidade até o definidor. Isso não tem acontecido. Contra Sampaio e São Bento, a bola não foi trabalhada para Cassiano e quem perdeu com isso foi o Papão.

Para a partida de amanhã em Florianópolis, Dado Cavalcanti relacionou vários jogadores para o meio, incluindo Pedro Carmona (foto), que tem chances de aproveitamento e pode ser o responsável pela ligação entre defesa e ataque. Leva também Alan, Thomaz e Ryan Williams. Pelo que produziram, Alan deveria ser a alternativa natural para ocupar a faixa reservada à criação de jogadas. A lógica, porém, diz que Thomaz será o provável escalado.

E o volante William

 

Sobre a fuga dos torcedores

 

Meu querido amigo Ambire Gluck Paul, bicolor de quatro costados e salgueirense de fé, faz comentário oportuno sobre o baixo público nos estádios brasileiros. Segundo ele, a explicação mais plausível é combinação entre a decadência técnica dos jogadores em atividade no país e o horário ingrato reservado aos jogos.

“Somente no Brasil é possível ver jogo às 21h30, ou até 22h, para satisfazer a TV e o que é pior com problemas de transporte que levam até 3h para ir e voltar do estádio Mangueirão. Os torcedores não vão, não levam os filhos e a pirâmide da paixão vai se desconstruindo, culminando com a desmotivação que você cita sobre os dias que antecedem à Copa. No caminho que vamos, a médio prazo, chegaremos ao desinteresse geral e aí a TV é que vai mandar os clubes procurarem outra fonte de renda. Será que isso não cabe na inteligência dos dirigentes da cúpula do nosso futebol ou eu tenho o QI acima do normal?.”

Ele observa que, há dois anos, estava assistindo com um amigo ao jogo Real Madrid  X Atlético de Bilbao, no Santiago Bernabeu, em Madri, com 70 mil espectadores. “O jogo começou às 19h30 e, ao terminar, meu amigo sugeriu que esperássemos um pouco para sairmos. Eu disse a ele: ‘Achas que estais no Brasil?’. Abriram- se mais de duas dezenas de portões, o estádio esvaziou em menos de 20 minutos. Atravessamos, apanhamos o metrô e em 23 minutos estávamos no hotel no centro da capital espanhola”. É, de fato, um exemplo claro da discrepância entre os projetos de gestão do futebol na Europa e no Brasil.  



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