OPINIÃO

Veja na coluna de Gerson Nogueira: A vitória pessoal de Dado

POSTADO EM: Quinta-Feira, 17/05/2018, 07:28:38
ATUALIZADO EM: 17/05/2018, 07:28:38

Contra todas as probabilidades, depois de perder o Parazão para o maior rival sofrendo quatro derrotas em clássicos, o Papão renasceu como Fênix para confirmar a tradição copeira e reconquistar a glória de campeão apenas 40 dias depois da decepção no campeonato estadual.

O título da Copa Verde ganho ontem, após empate (1 a 1) com o Atlético-ES, é acima de tudo o triunfo da reabilitação bicolor após o insucesso no Estadual. Bem verdade que o jogo final foi confuso, cheio de erros e surpreendentemente nervoso.

Mesmo contra um adversário limitadíssimo, que errava até jogadas simples, o Papão encontrava dificuldades para chegar à área adversária. A torcida incentivava, mas o time não deslanchava. Acabou sofrendo o gol no fim do primeiro e só foi encontrar a igualdade aos 28 minutos do tempo final.

A partir daí, o nervosismo se dissipou e o time se dedicou a administrar a partida até a explosão final, para os merecidos festejos pelo bicampeonato.

No fundo, apesar de Cassiano ter sido o destaque em campo, marcando nove gols, a conquista tem um responsável indiscutível: o técnico Dado Cavalcanti, que amargou críticas pesadas, mas teve serenidade e frieza para apostar na retomada do planejamento traçado para o primeiro semestre.

Dado começou a articular um sistema com três zagueiros na semifinal do Estadual. Diante dos problemas no meio-campo e nas laterais, o técnico insistiu com a ideia na Copa Verde. Deu certo. O time conquistou a vaga de finalista dentro da Arena da Amazônia contra o Manaus. Exagerou um pouco, usando quatro defensores, mas obteve o que pretendia.

A salvo da depressão pós-Parazão, engatou uma sequência vitoriosa na Série B, ganhando da Ponte Preta em Campinas e vencendo depois, em casa, Brasil e Londrina. A série invicta se completou com os empates frente a Sampaio Corrêa e Juventude, fora de casa.

Em meio a isso, abriu a disputa pelo título da Copa Verde com vitória categórica sobre o Atlético-ES, em Cariacica. Com isso, voltou a merecer o carinho e o respeito da torcida, culminando com a festa monumental de ontem à noite no estádio Jornalista Edgar Proença.

Os jogadores, donos do espetáculo, têm conexão maior com o torcedor, mas o técnico não fica atrás em prestígio e popularidade. Dado teve seu nome gritado nas arquibancadas, como se fizesse gol. Sela com isso sua identificação com o clube.

Além da importância natural de um título em competição da CBF, o bicampeonato da CV proporciona ao PSC ganhos expressivos no aspecto financeiro. O prêmio pelo título é mixuruca, R$ 168 mil apenas, mas o clube embolsa R$ 2,4 milhões em bônus pela classificação direta às oitavas de final da Copa do Brasil 2019.

Junte-se a isso o montante proporcionado pelas rendas – a de ontem, na faixa de R$ 1,2 milhão, e a do jogo como mandante das oitavas da Copa BR no próximo ano, que deve chegar ao mesmo valor. Sem dúvida, o Papão já pode festejar o mais lucrativo semestre dos últimos dez anos.

 

 

Coronel promete ampliar e internacionalizar a Copa Verde

 

Em entrevista pós-jogo, com a medalha de campeão no pescoço, o presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes, disse pouco sobre a prometida internacionalização da Copa Verde. Garantiu que o SBT procurou a entidade para transmitir a Copa Verde, o que daria sobrevida ao deficitário torneio. Sem dar informações concretas sobre a próxima edição, afiançou que o torneio vai continuar.

“Quem diz que a Copa vai acabar é quem torce contra o futebol do Pará”, bradou Nunes, no estilo palanqueiro de sempre, dirigindo-se aos críticos. Sem assegurar nada, disse também que a CV 2019 pode envolver acordo com a Itaipu Binacional, especulação surgida há duas semanas. Nesse modelo, haveria a participação de clubes do Paraná e do Paraguai.

Em seguida, sob os aplausos da torcida alviceleste, o coronel curtiu a festa na condição de poderoso chefão (interino) da CBF, dividindo as honras com os bicampeões da competição interestadual. Risonho, prometeu até trazer a Taça da Fifa para exibir no Mangueirão, caso a Seleção de Tite consiga ganhar o hexa na Rússia.

 

 

Luta por justiça social ganha adesão de Renato Gaúcho

 

O Brasil sempre a nos surpreender. Anteontem à noite, em Monagas, o Grêmio arrancou uma vitória bem ao seu estilo. Abriu o placar, sofreu o empate nos acréscimos e ainda encontrou forças para desempatar com um penal sofrido por Cícero.

O que surpreendeu mesmo foi a manifestação de Renato Gaúcho, preocupado com justiça social e direitos humanos¿ Sentiu-se mal, segundo suas palavras, com a miséria nas ruas. Na Venezuela. Aqui no Brasil a desigualdade está diante de todos, há décadas, mas nunca mereceu um comentário sequer do subitamente engajado treinador gremista.

Renato teve que ir ao país vizinho para descobrir o quanto a vida pode ser inclemente com os que precisam implorar por um prato de comida, sobrevivem com migalhas e muitas vezes não têm onde dormir. Convenhamos, o vitorioso comandante gremista não precisava ir tão longe.

A qualquer cidadão basta peregrinar pelas grandes cidades brasileiras. A cada esquina, é possível encontrar hoje pelo menos quatro pedintes assumidos ou disfarçados – os que vendem miçangas, frutas e balas de hortelã ou fazem malabarismos embaixo do semáforo.

De todo modo, é bom considerar que a transformação é positiva. Antes tarde do que nunca. Quando um “cidadão de bem” se conscientiza da miséria que há no mundo, mesmo que só veja isso na Venezuela, é sempre um sinal de avanço.



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