OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Agora é Taison e mais 22

POSTADO EM: Terça-Feira, 15/05/2018, 07:18:18
ATUALIZADO EM: 15/05/2018, 08:32:10

Existe hoje um clube digno de admiração pela perturbadora frequência com que cede atletas para a seleção pentacampeã mundial. Tite definiria isso como “consistência de carreira” ou algo assim. Trata-se do surpreendente Shakhtar Donetsk, que tem conseguido marcar presença em todas as convocações da Seleção desde 2006.

É uma façanha e tanto para uma agremiação periférica sem maior destaque entre os grandes clubes da Europa. Pois dois jogadores do brioso clube ucraniano estão confirmados na lista dos 23 eleitos para a Copa da Rússia: Taison e Fred. Além deles, Douglas Costa, Fernandinho e Willian passaram por lá também.

Puxo o assunto apenas para pontuar a natureza movediça do poder que rege os negócios no mundo moderno. Como o Shakhtar não é nenhuma potência do esporte para merecer tamanha atenção dos técnicos da Seleção, é legítimo supor que há algo de mais significativo por trás de tudo isso.

Ontem, durante a entrevista de Tite, um repórter teve a picardia de indagar onde e quando havia começado o encanto dele por Taison, que surgiu no Internacional e depois tomou o rumo da Ucrânia.

Com a verborragia daquelas imersões em oficinas de coaching, o técnico embromou por uns três minutos até dizer que Taison foi chamado por ter uma carreira vitoriosa, com participações na Europe League.

Ora, adotando isso como critério, dúzias de outros brasileiros que passaram por essas competições mereciam ser lembrados também. Na real, a escolha vai muito além das estatísticas e retrospectos do jogador. E, pensando bem, Taison nem é o caso mais grave de escolhas estranhas para a Seleção em ano de Copa. Já vimos coisa pior.

É só puxar a lista histórica de estrupícios mais ou menos recentes. Mestre Telê (até ele) convocou Elzo. Zagallo se encantou com Paulo Sérgio. Felipão inventou Polga e Vampeta (2002) e Bernard (2014). Parreira chamou Viola e Josué. Mano Menezes caiu de amores por Huck. Dunga apostou em Grafitte. O próprio Tite já foi de Talisca e até Muralha...

É claro que o Shakhtar não tem culpa por ter caído na predileção dos funcionários da CBF, dos técnicos e clubes brasileiros. Parece que todos estão felizes – e, como pensava Poliana, felicidade é o que importa.

Na prática, a lista anunciada por Tite não pode ser observada pelo lado catastrófico. Fagner, Cássio, Taison e Fred estão tecnicamente abaixo de Fabinho, Grohe, Luan e Artur, mas convocação é principalmente um exercício de escolha pessoal do técnico. E é normal que seja assim.

Com o respaldo de ter evitado o desastre da eliminação do Brasil nas Eliminatórias, situação que se desenhava sob o comando de Dunga, Tite amealhou prestígio e se tornou imune a críticas. Técnico competente e aplicado, virou unanimidade nacional. Pode, portanto, fazer as coisas mais sem-noção que seguirá a receber aplausos entusiasmados.

Além disso, a cota de bizarrices na Seleção, com Taison à frente, não deve ser motivo de maiores apreensões. São jogadores chamados e raramente aproveitados. Receio mesmo deve-se ter é se, por necessidade, tiverem que entrar em campo. O carniceiro Fagner já mostrou inúmeras vezes seu despreparo, inclusive emocional, para encarar competições de alto nível.

Preocupação também deve haver com as escolhas para compor o time titular, a começar pelo goleiro. Alisson não é o melhor da posição, mas é o preferido de Taffarel, o preparador de goleiros. Seja o que Deus quiser. Do meio-campo em diante, o Brasil tem qualidade técnica suficiente para fazer uma grande Copa, apesar das esquisitices da lista do professor Tite. Se isso será suficiente para conquistar o título, aí já é outra história.

Sobre o pujante Shakhtar, persiste a dúvida sobre seu incrível sucesso na Seleção Brasileira. Talvez esteja na qualidade da água ou na velocidade do vento. Sabe Deus. Mistérios insondáveis.

 

 Um comovente e involuntário tributo a Lazaroni

 

Ao explicar taticamente porque Taison pode ter funções polivalentes na Seleção, Tite, sem querer, homenageou Sebastião Lazaroni, mencionando “valências”, “dois terços de campo”, “verticalidade profunda” e “contundência de dribles”.

À luz da hermenêutica, tudo parece se encaixar, mas desconfio que nem o próprio Taison entendeu a gororoba verbal do professor.

E, por falar em Lazaroni, execrado pelo fracasso na Copa de 1990, por culpa de Maradona e Caniggia, penso que o estilo loroteiro pode empurrar o bom Tite para o mesmo destino do popular “Galgando parâmetros” caso não traga o hexa. A conferir.

 

 Convocação preserva o recorde alvinegro em Copas

 

Clube brasileiro que mais forneceu talentos para a Seleção Brasileira em disputa de mundiais, o Botafogo continuará soberano por mais quatro luas. Como o São Paulo, o mais direto concorrente, não teve nenhum atleta convocado – Rodrigo Caio perdeu a vaga para Geromel –, a Estrela Solitária segue absoluta.

São 47 convocações para Copas contra 46 do Tricolor do Morumbi. É claro que nisso aí está inclusa a portentosa participação no Mundial de 1962, único da história vencido por um clube! Só para avivar a memória dos infiéis, o Brasil bicampeão mundial era praticamente o Botafogo em campo: Nilton Santos, Didi, Zagallo, Amarildo e Mané Garrincha.

 

 

Leão precisa fechar mais as beiradas do campo

 

O Remo, revigorado pela importante vitória em João Pessoa, não pode fechar os olhos para questões pontuais que atrapalham o time. Depois de contratar um lateral direito (Nininho) para fazer sombra a Levy, precisa trazer um especialista para disputar posição com Esquerdinha, dado a apagões como no lance do gol do Botafogo.



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