GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta sexta-feira, 11: Sob o peso das vaidades

POSTADO EM: Sexta-Feira, 11/05/2018, 08:29:09
ATUALIZADO EM: 11/05/2018, 08:29:09

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Fernando Torres/Paysandu

Há coisas que insistem em se repetir no Remo com incrível frequência, como a confirmar certa inclinação para o desastre, mesmo quando tudo aparentemente caminha bem e direcionado ao êxito. Torcedores não gostam de lembrar, mas episódios recentes evidenciam essa tendência, que assombra o futebol azulino desde o começo da década de 2000.

 Muitos têm a tentação de vincular problemas à sorte e ao azar, forças ocultas e ação do destino, mas a questão de fundo nem é tão esotérica assim. Em futebol, planejamento sério, integrado à realidade e focado em resultados práticos, normalmente resulta em sucesso.

O imediatismo que cerca a gestão de clubes é o oposto do que ensinam as regras que levam ao desempenho de excelência. Sem querer abraçar os conceitos que fazem a cabeça de consultorias picaretas mundo afora, entendo que tudo se resume a trabalhar com responsabilidade e afinco.

Na atual temporada, o Remo começou com os pés no chão e um projeto emergencial bem-intencionado, mas tropeçou na montagem do elenco para o Campeonato Estadual e na escolha do técnico. Por esses motivos, saiu precocemente da Copa Verde e fracassou (de novo) na Copa do Brasil.

Os planos foram realinhados a tempo de corrigir a rota com a contratação de um treinador experiente, de competência comprovada para remendar o barco e seguir em frente. Givanildo Oliveira cumpriu admiravelmente essa missão e, em pouco mais de um mês, transformou um time errático em grupo vencedor.

Tropeços previsíveis – pela ausência de reforços – na Série C para que o trabalho inicial fosse imediatamente esquecido ou relativizado por alguns, estimulando um lento e gradual processo de fritura do técnico, como é possível detectar fora dos muros do Evandro Almeida.

A impressão é de que as ameaças à permanência de Givanildo têm mais a ver com egos feridos do que propriamente com a campanha insatisfatória no Brasileiro. Sua firme oposição à contratação de Pimentinha, Eduardo Ramos e Jobson continua entalada na garganta de gente com poder e palanque no futebol do clube. A partir daí, as críticas se tornaram azedas e quase diárias. 

Muitos clubes, aqui e lá fora, ainda são administrados com as regras complacentes da taberna da esquina, com gente que manda bem mais do que o cargo permite. Nesse contexto, as vaidades alimentam projetos pessoais, nem sempre de acordo com os interesses do clube.

Com atraso em relação aos apelos reiterados de Givanildo, reforços começaram a ser anunciados na semana passada, com a Série C já atingindo a quarta rodada. Eliandro foi o primeiro. Anteontem, chegou o lateral direito Nininho. Fábio Matos, fora dos planos do Papão, pode ser o próximo a ser contratado.

São jogadores que podem dar acrescentar qualidade ao time, mas entrosamento requer tempo, mas, quando (e se) finalmente estiverem plenamente integrados, a fase classificatória já terá chegado à metade. Aí, caso os resultados não apareçam logo, já se sabe de antemão quem será responsabilizado por tudo – isto se ainda estiver no comando.

Repito e insisto: se as coisas não estão boas com Givanildo no comando, seriam bem piores sem ele.

Um campeão que também ajuda a socializar vitórias

Uma boa notícia sobre as modalidades de luta do Pará. O atleta Alexandre Castro subiu no pódio em Barcelona, na Espanha, conquistando a medalha de bronze no Master International IBJJF Jiu-Jitsu Championship, categoria superpesado, no último final de semana.

Aos 33 anos, Alexandre é faixa-preta, terceiro grau mestre e campeão mundial da Confederação Brasileira de Lutas Profissionais na categoria absoluto, além de tricampeão Norte-Nordeste e primeiro do ranking estadual da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Desportivo.

À frente da academia Castro Team, Alexandre é um exemplo para os jovens que ajuda a formar na prática do esporte. Realiza há seis anos um projeto social que beneficia cerca de 50 alunos, entre 5 e 15 anos de idade, oriundos de áreas de risco.

O próximo desafio é o World Master IBJJF Jiu-Jitsu Championship, que se realizará de 22 a 25 de agosto, em Las Vegas (EUA).

Sem seis titulares, Papão faz jogo de risco calculado

Por razões estratégicas, o Papão usará pela primeira vez nesta Série B um time mesclado. Contra o Juventude, adversário tradicionalmente difícil dentro de seus domínios, o técnico Dado Cavalcanti optou por não utilizar seis titulares – Diego Ivo, Perema, Nando Carandina, Moisés, Cassiano e Mike.

São desfalques importantes, que devem minar o entrosamento que o PSC vinha mostrando e garantindo resultados excelentes na competição. O próprio desenho tático com três zagueiros já mostrou vulnerabilidade com a simples ausência de Diego Ivo diante do Sampaio. É de se supor que as coisas fiquem mais difíceis sem ele e sem Perema.

O meio-de-campo também se sustenta muito nas ações combativas de Nando Carandina, principal volante do time. Sem ele, Renato Augusto e Danilo Pires (ou William) devem ter essa missão.

Na frente, porém, reside talvez a perda mais significativa. Sem Cassiano e Mike, o ataque perde força e agressividade, sem deixar de considerar o papel desempenhado pelo artilheiro na abertura de espaços para os companheiros que se aproximam da área adversária.

Poupar jogadores para a final da Copa Verde talvez seja a decisão mais sensata, principalmente depois de zebras que passearam por Belém em jogos decisivos recentes. Ao mesmo tempo, significa que a comissão técnica confia no elenco, o que é um bom sinal.




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