GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta segunda-feira (07): Leão abusa do desperdício

POSTADO EM: Segunda-Feira, 07/05/2018, 08:19:20
ATUALIZADO EM: 07/05/2018, 08:19:20

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Wagner Santana

O Remo teve no sábado à tarde seu melhor tempo de jogo na Série C ao longo dos 45 minutos iniciais. Teve repetidas chances de definir a parada. Funcionou bem na defesa, com nova dupla (Mimica e Moisés), nas laterais, na marcação e foi quase impecável no ataque. O “quase” fica por conta da imperícia do centroavante Isac na hora da definição. Fez um gol, anulado erradamente, mas perdeu outros dois em situação privilegiada, de frente pro crime. É claro que o gol poderia ter saído por outros meios, mas o camisa 9 não pode vacilar nos momentos decisivos.

A jornada infeliz do centroavante continuou no segundo tempo, quando falhou em duas outras oportunidades, além de sofrer pênalti claro, tendo a camisa puxada acintosamente dentro da área do Santa Cruz

A verdade é que nem contra o Globo-RN, quando obteve sua única vitória na competição, o Remo se mostrou com as linhas bem aproximadas e funcionais como no sábado. Naquela partida, apesar do placar final favorável (1 a 0), sofreu terrivelmente desde os primeiros movimentos, chegando a levar sufoco na etapa final.

Mas, apesar de render satisfatoriamente na primeira metade, faltou a faísca necessária para garantir o triunfo sobre o Santa Cruz. O rendimento coletivo ficou comprometido no tempo final pelas deficiências individuais e cansaço de alguns atletas. O declínio só não foi mais danoso porque o adversário não teve força, nem categoria para impor seu jogo.

Em nenhum momento, o Remo chegou a ser envolvido pelo Santa Cruz, embora em três ocasiões o time pernambucano tenha rondado o gol. No primeiro tempo, Charles mandou uma bola na trave esquerda de Vinícius e na etapa final Fabinho Alves e Robert quase balançaram as redes.

Quanto à intensidade e desenvolvimento de jogo, o Remo foi sempre superior, até mesmo quando sobreveio o desgaste físico de jogadores como Elielton, Felipe Marques, Dudu, Levy e Everton. Alguns erros de passes, cruzamentos e finalizações podem ser atribuídos a esse esforço.

Everton, por sinal, deu ao time pela primeira vez fluência e sentido lógico na saída ao ataque, com passes certos e manobras criativas. Dinâmico, empenhou-se até em ajudar na marcação quando os laterais subiam. 

Ao precisar alterar o meio, com a substituição de Everton por Adenilson, Givanildo Oliveira tornou o time mais previsível e lento na transição. Além disso, perdeu a primorosa chance de adicionar força e ofensividade à meia-cancha com a entrada de Dedeco, volante-artilheiro que veio do Castanhal e ainda não estreou no Remo.

Givanildo poderia, ainda, ter lançado Jefferson Recife ou Gabriel Lima nos últimos 20 minutos. Mesmo voltando de contusão grave, Lima é o mais agressivo dos atacantes reservas. A não ser que seu condicionamento esteja muito deficiente ainda, não pode estar em condições inferiores a Jaime, que ainda não se reencontrou desde que voltou a jogar.

O empate teve gosto ruim e foi péssimo em termos de tabela de classificação, mas é indiscutível que houve evolução em relação aos outros jogos. O êxito no futebol é medido por gols e o Remo tem abusado do pecado do desperdício, desde a estreia em Rio Branco. A entrada de um novo atacante, Eliandro, pode sanar os erros ofensivos, contribuindo para estabilizar os demais setores do time.

Violência se alastra impunemente (também) no futebol

É espantosa a parcimônia com que a Polícia tratou o ataque de membros de proscrita facção uniformizada do Remo a lideres de uma facção ligada ao Santa Cruz, na madrugada de sábado, no aeroporto internacional de Belém.

O caso foi tratado inicialmente como um arrastão nas dependências do aeroporto, como se isso fosse menos grave. O confronto de gangues foi confirmado – pelos agressores e agredidos – através das redes sociais.

A ação consentida das ditas “torcidas organizadas” é um dos motivos da queda de público nos estádios e do distanciamento que o cidadão comum tem em relação ao futebol, como indica pesquisa do Datafolha, revelando que a maioria dos brasileiros não se interessa mais pelo esporte.

O levantamento não é específico quanto ao papel das facções violentas, mas nem precisa. Os episódios de enfrentamento dentro e fora de estádios afugentam as pessoas, que já sofrem com a violência diária imposta pelos bandidos de outras procedências e uniformes.

No caso da facção clandestina (foi extinta pela Justiça) mais notória das que são ligadas ao Remo, a baderna no aeroporto vem se juntar à agressiva investida contra o técnico Givanildo Oliveira e os jogadores durante o treino de sexta-feira no estádio do Souza.

Não custa lembrar que foi justamente um dos dirigentes máximos dessa organização que acabou executado no centro da cidade, ao sair de uma reunião no Comando da PM às vésperas do segundo Re-Pa do Parazão, em fevereiro. Crime que continua impune, como tantos outros no Pará.

As meras coincidências do Campeonato Brasileiro

Há alguns anos, em acesso de sincericídio, Vanderlei Luxemburgo comentou um fato curioso sobre sua primeira passagem pelo Flamengo como técnico. A informação passou despercebida para muitos. Segundo ele, antes de divulgada a tabela do Campeonato Brasileiro, o clube da Gávea era devidamente consultado sobre a ordem dos jogos.

A preocupação, ainda segundo Luxa, era sempre com os cinco primeiros jogos da competição. Nunca encarar logo de cara equipes mais cascudas.
Por razões óbvias. Começar bem é fundamental para o time engrenar e ganhar confiança. Ou seja, permite que a cangula pegue vento. Por outro lado, fechar a disputa em situações favoráveis pode salvar a campanha.

Imagina-se que a prática trapaceira tenha sido abolida desde que a CBF anunciou práticas internas modernizantes e mais éticas. Por isso, deve ser apenas coincidência o fato de o líder Fla ter enfrentado Vitória, América, Ceará, Internacional-RS e Chapecoense nas primeiras cinco rodadas deste ano - três deles (América, Ceará e Inter) vindos da Série B 2017.



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