GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna do Gerson Nogueira desta sexta, 27: O triunfo de uma ideia

POSTADO EM: Sexta-Feira, 27/04/2018, 08:53:08
ATUALIZADO EM: 27/04/2018, 08:53:08

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Fernando Torres/Paysandu

Dado Cavalcanti foi diplomático e evitou festejos antecipados, como convém ao bom vencedor, mas o fato é que nem as pedras do cais duvidam mais da conquista da Copa Verde pelo Papão no próximo dia 16 de maio. E isso se deve à meritória vitória de anteontem, em Cariacica, quando o time paraense mostrou dinamismo e competência para transformar em gols as poucas oportunidades criadas.

 A vantagem estabelecida na decisão é ainda maior se levada em conta a diferença técnica entre os times. O Papão se impôs em Cariacica porque soube controlar as ações e, mesmo sem sinal de criatividade no meio-campo, teve forças para buscar os gols que precisava. Nada faz supor que esse panorama mude até o jogo de volta. Por isso, os dois gols não constituem o motivo maior para cravar o favoritismo absoluto do PSC.

O Atlético-ES até se esforçou para jogar bonitinho, tocando a bola de um lado a outro, fazendo o jogo girar, como adoram falar os novos técnicos de futebol. Só que esse giro não pode ser inútil e, sob pena de facilitar a recomposição defensiva do oponente.

E foi justamente o que aconteceu. O Atlético saía com a bola e, ante o bloqueio na intermediária do PSC, via-se forçado a abusar dos passes laterais improdutivos. Quando os bicolores, principalmente os incansáveis Moisés e Mike, avançavam ao campo inimigo para adiantar a marcação, aí tudo ficava mais difícil para os mandantes.

Aliás, foi assim que a porteira se abriu. Em jogada que se repetia desde o primeiro tempo, os zagueiros ficaram trocando aqueles passes sonolentos, aparentemente esperando abrir uma brecha lá na frente. Cassiano deve ter observado essa arrumação e ficou esperando o primeiro descuido para roubar a bolar e tocar na saída do goleiro Bambu.

Longe de se reorganizar e buscar alinhar os setores, o Atlético seguiu na mesma toada, tocando umas 400 vezes na bola sem finalizar a gol. Só chegava com mais força nos escanteios e cobranças de falta.

A proposta tática da equipe teoricamente é até interessante, mas peca pela falta de funcionalidade, pois os homens de frente não têm a qualidade necessária para superar um forte sistema defensivo como o montado pelo PSC.

Lá pelos 30 minutos, com o Papão vencendo e jogando sem maiores sustos, ficou evidente que a parada estava decidida. O próprio Atlético começou a dar sinais de desânimo, queimando ataques seguidos com a precipitação nos lançamentos.

O segundo gol veio quase naturalmente. Bola recuperada na intermediária bicolor por Mike se transformou num inspirado lançamento para Cassiano, que venceu seus marcadores na corrida e disparou um foguete em direção às redes.

Um golaço, tanto na construção como na definição, que foi comemorado efusivamente pelo maior artilheiro bicolor na temporada (15 gols), vivendo a melhor fase de sua carreira, conforme admitiria depois da partida.

A vitória inquestionável abre caminho para a conquista do bicampeonato da CV, garante gorda bonificação em dinheiro e classifica o Papão para as oitavas da Copa do Brasil 2019. Um final de semestre que se desenha alvissareiro, compensando a frustração pelos maus passos no Parazão.

Ao mesmo tempo, ao botar a mão na taça, Dado Cavalcanti ganha ainda mais musculatura para a Série B, pois sua aposta no sistema de três zagueiros mostra-se plenamente vitoriosa. São quatro vitórias consecutivas, sem esquecer que empregou com êxito a mesma arquitetura defensiva na semifinal do Estadual contra o Bragantino.

Acima de tudo, o técnico vê triunfar a ideia que nasceu da mais absoluta necessidade. Sem alas criativos para apoiar o ataque e com a carência de um meia-armador clássico, optou pelo sistema 3-4-3, que oculta imperfeições e – pelo menos por enquanto – vai dando certo.

Baixo rendimento ofensivo faz Givanildo mexer no time

Interessante ver a humildade do veterano Givanildo Oliveira em mudar de planos ao ver que o Remo precisa de ajustes ofensivos urgentes. Agiu em conformidade com a expectativa do torcedor, que vinha demonstrando crescente insatisfação com a produção do time, que joga com três atacantes e é obrigado a se contentar com uma artilharia extremamente econômica.

Para quem observa futebol com atenção, o Remo padece de um mal crônico: a falta de um jogador que organize o meio-campo e cuide da transição entre zaga, meio e ataque. Adenilson ocupou essa função até por exclusão, pois o técnico não tinha alternativa melhor no elenco.

Com a chegada de Everton, Givanildo providencia a imediata alteração, a partir da boa movimentação do estreante no segundo tempo diante do Globo-RN, sábado passado. Por vício de origem, Everton cai mais pelo lado esquerdo e tem como característica conduzir a bola, buscando tabelas e passes curtos em velocidade.

Pode ser uma excelente companhia para os pontas Felipe Marques e Elielton, mas há o risco de que o meio continue despovoado e sem qualidade. Os treinos desta semana têm mostrado que Givanildo quer um time bem mais ágil nos avanços, a fim de explorar as virtudes de seus dois atacantes de lado.

Para o confronto de amanhã contra o Juazeirense, além da efetivação de Everton, o time deverá ter Gustavo na lateral direita e a volta de Bruno Maia à defesa. É improvável que as mudanças tenham efeito imediato, mas pelo menos indicam que Givanildo – como os torcedores – também não está inteiramente satisfeito com a produção do time na Série C;.

Copa perde um astro de primeira grandeza

E Ibrahimovic não vai mesmo à Copa. Para tristeza de quem aprecia futebol de qualidade, o atacante sueco confirmou na terça-feira sua aposentadoria da seleção, segundo o presidente da Federação Sueca de Futebol. Pode-se dizer então que, além das ausências de Holanda e Itália, o mundial russo estará desfalcado de uma de suas maiores atrações. Ibra é um atacante como poucos no futebol de hoje, capaz de jogadas espetaculares e gols surpreendentes. Uma pena.




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