GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta sexta-feira, 20: Da natureza das coisas

POSTADO EM: Sexta-Feira, 20/04/2018, 08:46:49
ATUALIZADO EM: 20/04/2018, 08:46:49

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Mário Quadros/Arquivo

Há quem ainda se surpreenda com certas coisas que se repetem periodicamente no Remo. Pura perda de tempo. O clube tem cultura e natureza próprias, sustentada por sua elite dirigente – mandatários e conselheiros. A torcida fica na base da pirâmide e não influi nas decisões, mesmo sendo maioria absoluta.

Daí a aceitação tácita, quase frouxa e sem protestos, da mais recente novidade anunciada lá pelas bandas do Evandro Almeida. O clube teve a pachorra de confirmar negociação para a volta de Pimentinha, de pouco proveitosa passagem pelo clube no ano passado.

Nas últimas horas, a transação empacou, o que não elimina o fato de que o clube decidiu abrir as portas para Pimentinha, que abandonou o time no final da Série C 2017, virando as costas ao técnico Léo Goiano e diretores, dando uma banana à torcida. Alegou uma dorzinha na perna e pulou do barco antes da partida decisiva contra o Salgueiro.

Infelizmente, atitudes como essa são recorrentes nas decisões internas dos clubes. Ao invés de adotar procedimentos administrativos adequados, os cartolas agem de maneira primária e priorizam sempre resultados de campo. Cria-se então uma situação curiosa: as agremiações se comportam como amadoras no trato com atletas profissionais. 

A recontratação de Pimentinha visaria suprir a possível perda de Felipe Marques, como se não houvesse outro jogador no mercado com as mesmas características e como se Pimentinha estivesse em excelente fase, capaz de resolver todos os problemas do ataque.

Há ainda quem avalie que a simples presença de um técnico disciplinador como Givanildo Oliveira seja capaz de controlar boleiros problemáticos.

A máxima bíblica de que perdoar é divino costuma ser usada de acordo com as conveniências futebolísticas – e aqui é justo dizer que não se aplica apenas ao Leão de Antonio Baena.

Na década de 70, Alcino, um dos maiores ídolos da história remista, foi contratado pelo PSC, que engoliu o orgulho e ignorou solenemente até os gestos obscenos que o Negão Motora havia dirigido à torcida alviceleste quando defendia o Remo.

Pimentinha não chegou a tanto no Remo, mas mostrou-se pouco confiável como empregado do clube. Quando abandonou a concentração, agiu como os boleiros da era amadorista, que sumiam de circulação horas antes de um jogo sem dar maiores explicações.

É esse profissional que o Remo ainda luta para recontratar, sem exibir o menor sinal de constrangimento. O lado positivo é que desta vez, caso o jogador venha a ser contratado, resolvendo depois sair à francesa, ninguém poderá alegar surpresa ou desconhecimento.

Por outro lado, o súbito afrouxamento em relação a Pimentinha soa até banal diante da condescendência com figuras tão nocivas ao clube, como os gestores responsáveis pela perda do posto de gasolina; pela negociata da sede campestre; desastrosa tentativa de venda da área do Evandro Almeida, com direito a picaretadas no pórtico; pelo assalto tabajara à sede social; e pela semidestruição do Baenão. Perto dessa turma, Pimenta é refresco.

Em tempo: informes oriundos do Baenão indicam que a volta de Pimentinha não conta com o aval de Givanildo, que confirma a admirável capacidade de antever (e prevenir) problemas.

Um jogo para confirmar o renascimento do Papão

O Papão tem hoje a chance de confirmar a boa estreia na Série B. Em caso de vitória sobre o Londrina, pode alcançar a liderança isolada da competição. Algo mais ou menos impensável quando o Campeonato Estadual terminou e o time inspirava descrença generalizada.

Bastaram duas vitórias fora de Belém para restituir a confiança perdida com as quatro derrotas para o maior rival. O primeiro triunfo, sobre o Manaus, valeu classificação para a decisão da Copa Verde. O segundo, mais surpreendente, sobre a Ponte Preta em Campinas, reabriu esperanças quanto ao sonhado acesso.

Sim, ainda é muito cedo para pensar nisso. O acesso dependerá de uma campanha impecável, centrada na regularidade, virtude que o PSC ainda não mostrou na temporada. Ocorre que a boa largada no Brasileiro, competição mais importante do ano, permite crer que a fase ruim está passando.

O principal reflexo desta nova fase é o ambiente de paz vivido pelo elenco e pelo técnico Dado Cavalcanti, que teve tempo e tranquilidade para montar a equipe para receber os paranaenses na Curuzu.

Satisfeito com o desempenho no formato 3-4-3, usado contra a Ponte, Dado tende a manter a formação com os três zagueiros e a participação de Moisés e Mike pelos lados, escoltados pelos laterais Mateus Silva e Muller.

A vantagem é que o sistema é teoricamente mais ofensivo, como exige a condição de mandante. Carmona será o organizador e Carandina o único marcador de ofício no meio. Isso permite acreditar que o PSC vai buscar pressionar o Londrina tanto pelos lados quanto explorando a centralização de Cassiano, seu principal 
artilheiro na temporada.

Como o visitante é treinado pelo ex-bicolor Marquinhos Santos, conhecido pela cautela excessiva, Dado tem nas mãos a chance de explorar ao máximo o potencial ofensivo do time, com ênfase nas ações pelos lados.

Outra boa notícia é a confirmação de que o meia Allan e o goleiro Paulo Ricardo estão integrados ao elenco profissional, juntamente com os reforços Claudinho (atacante) e Thomaz (armador), que foram anunciados anteontem. Pela boa campanha no Parazão, defendendo o Bragantino, tanto Allan quanto Paulo Ricardo têm plenas condições de disputar a titularidade.



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