GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta quinta, 12: Vitória para acalmar espíritos

POSTADO EM: Quinta-Feira, 12/04/2018, 08:39:59
ATUALIZADO EM: 12/04/2018, 08:39:59

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Emanuel Mendes Siqueira/ManausFC

A batalha foi insana, principalmente contra a pobre bola, castigada implacavelmente pelos dois times em boa parte do jogo. Ainda assim, o Papão foi o mais lúcido – ou menos errático – do confronto e saiu merecidamente vencedor, garantindo outra vez vaga na final da Copa Verde na busca pelo bicampeonato da competição. A vitória tira a corda do pescoço do técnico Dado Cavalcanti e exorciza um pouco dos fantasmas que o atormentam desde a final do Campeonato Paraense.

O triunfo sobre o Manaus pode ter um efeito transformador sobre o ânimo do elenco alviceleste, que estava abatido pelas quatro derrotas frente ao Remo. Mesmo que a atuação de ontem não tenha sido um primor de técnica, o time se esforçou para alcançar o objetivo, embora com graves erros de posicionamento e alguns precários desempenhos individuais.

Renan Rocha entrou no gol e teve atuação discreta, mas segura, tendo aparecido bem principalmente na etapa final em ataques do Manaus. A defesa, porém, sofreu bastante com as bolas aéreas, única jogada do adversário, mas sempre perigosa.

Hamilton, Rossini, Nena, Derlan, Negueba e Panda criaram diversas situações no 1º tempo, explorando a visível insegurança da última linha alviceleste, onde Diego Ivo se saía razoavelmente, mas Edimar rebatia para todos os lados.

O meio-campo, com Carandina e William, funcionava no desarme, mas distribuía mal os passes, sabotando boas opções de contra-ataque, que se acentuaram depois do gol de Cassiano, desviando um chute rasteiro e meio despretensioso de Mateus Miller, aos 15 minutos. William fez um de seus piores jogos desde que chegou ao time titular, preocupando-se mais em cometer faltas do que jogar propriamente.

Pedro Carmona, que deveria ser o organizador, rendia pouco e optava claramente pelas ações burocráticas, tocando de lado e se livrando da bola. Em meio a isso, Cassiano foi o melhor da primeira etapa, pois brigava com os zagueiros e tentava ajudar no bloqueio à saída de bola dos amazonenses. Moisés, dispersivo, pouco apareceu.

Rossini empatou aos 33’, após um dos 500 cruzamentos na área e em meio a um apagão da defesa e surgindo livre diante do goleiro Renan. Foi o momento de maior desatino dos bicolores na partida, mas o Manaus não teve cabeça e nem talento para aproveitar.

Depois do intervalo, estranhamente, o Manaus abriu mão de sua arma mais temível. Parou de cruzar bolas e tentou entrar na área trocando passes. Até deu certo numa chegada de Cleitinho, que errou no arremate final. Apesar das tentativas, Rossini e Romarinho se perdiam em lances individuais e o time foi se enervando.

Magno substituiu Cassiano e deu outra dinâmica ao ataque, caindo sempre pela esquerda em dupla com Mateus Miller, que deixou a última linha, pois Dado havia povoado o time de zagueiros – terminou com quatro, incluindo Danilo Pires – com receio da pressão do Manaus, que se acabava na ligação direta.

A questão é que o time da casa insistia com passes forçados e de maneira atrapalhada, facilitando os desarmes, mas o PSC não conseguia trabalhar as jogadas e fazer com que a bola chegasse ao ataque. Somente com a entrada de Magno a transição rápida passou a ser tentada. Surgiram dois contragolpes e, no segundo, saiu o gol que decidiu o jogo já nos acréscimos.

Dado ganha tempo, mas time precisa de ajustes urgentes

A classificação para decidir a Copa Verde é um prêmio de consolação para o torcedor, que estava cabisbaixo pelos maus passos no Parazão, e também representa muito no aspecto financeiro, pois é a chance de conquistar a bonificação em dinheiro e a vaga qualificada nas oitavas de final da Copa do Brasil 2019.

Ao mesmo tempo, cabe ressaltar que os problemas permanecem. O time voltou a se apresentar mal, sem mostrar entrosamento, falhando nas iniciativas de envolver o adversário e até abusando da distração em muitos momentos. Por sorte, o Manaus conseguiu ser pior. Caótico em todas as suas linhas, acabou contribuindo para o êxito bicolor.

Por tudo isso, o resultado obtido em Manaus não pode empolgar a comissão técnica. Permite uma trégua nas cobranças do torcedor antes da estreia na Série B contra a Ponte Preta, sábado, em Campinas, mas a escalação deve ser reavaliada, bem como a forma de jogar. Erros que se repetem expõem as vulnerabilidades do desenho tático que Dado adota.

Como se viu na decisão do Parazão, a zaga continua exposta em excesso e o meio-campo não funciona quando precisa empreender ações criativas. Fábio Matos talvez já mereça uma nova oportunidade e até a correria de Maicon Silva, por mais incrível que possa parecer, faz falta na movimentação pela direita.

Uma garfada monumental em Madri

Apreciei do princípio ao fim o belíssimo jogo entre Real e Juventus. A surpreendente e heroica atuação juventina assombrou a torcida em Madri, com um 3 a 0 que fez lembrar o que a Roma havia aprontado na véspera em seu estádio contra o Barcelona.

Tudo ia bem, principalmente para os milhões de telespectadores que se regalavam com o desfile de técnica, força e disciplina. Um jogão. CR7, marcado em cima, nada fazia além de simular faltas e reclamar do vento.

Quando a coisa se encaminhava para uma prorrogação épica, surge a figura nefasta do árbitro, aquele contumaz estraga-prazeres. Do alto de toda a idiota objetividade, ele pode ter cumprido a Lei, mas não fez justiça.

Um pênalti fabricado no penúltimo minuto dos acréscimos. Sim, o lance permite interpretações variadas. O zagueiro esbarrou no atacante do Real, mas a queda teatral denuncia a farsa. O jovem árbitro caiu na esparrela e estragou um jogo maravilhoso. O consolo é que a Velha Senhora, operada miseravelmente, caiu de pé.



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