OPINIÃO

Leia na Coluna de Gerson Nogueira: Com alma e alegria

POSTADO EM: Segunda-Feira, 09/04/2018, 07:34:32
ATUALIZADO EM: 09/04/2018, 07:34:32

A conquista do título estadual pelo Remo é incontestável. Foi o melhor do campeonato, disparadamente. Terminou oito pontos à frente do segundo colocado, marcando quatro vitórias seguidas sobre o maior rival. No triunfo de ontem à tarde, que também foi o confronto final, apesar do equilíbrio reinante e da prevalência da marcação sobre a técnica, o time de Givanildo Oliveira voltou a se sair melhor, principalmente pela objetividade que imprimiu ao jogo.

O tempo todo, na fase mais aguda da competição, o Remo mostrou-se mais consciente de seus limites e forças, usando isso para superar seus adversários. Ciente de que não tinha o elenco mais qualificado, em comparação com o do PSC, tratou de compensar isso com aplicação e um esforço por compactar suas linhas.

Em muitos momentos, o jogo dava a impressão de que o PSC tinha o controle de tudo, pois retinha mais a bola e girava bastante. O problema é que essas manobras, repetitivas e inócuas, permitiam que o bloqueio azulino se reorganizasse a tempo para anular as tentativas.

Ao contrário, o Remo era prático e sempre levava perigo nas chegadas à área alviceleste. Como aos 26 minutos, quando Adenilson lançou Felipe Marques e este foi derrubado pelo goleiro Marcão. O pênalti claro não gerou nem contestações. Isac cobrou no canto direito da trave, deslocando o arqueiro.

Com a vantagem de dois gols no placar agregado, o Remo ficou tranquilo, procurando sair apenas quando a situação permitia e economizando forças para o tempo final. A rigor, o único lance agudo do PSC foi no final da primeira etapa, quando Cassiano foi lançado e Bruno Maia aplicou o desarme em cima da linha, sem falta.

Um pouco antes, aos 37’, o árbitro Anderson Daronco incorreu em falha grave ao deixar de assinalar pênalti de Marcão sobre Elielton. O goleiro chegou novamente atrasado na disputa e acertou com o braço as pernas do atacante antes de tocar na bola.

Depois do intervalo, o PSC voltou revigorado. Dado substituiu Mateus por Moisés e William por Danilo Pires, usando mais ou menos a mesma estratégia vitoriosa contra o Bragantino na semifinal. Desta vez não deu certo porque Moisés até entrou bem, criou duas boas situações (chutando em cima de Vinícius e cabeceando com muito perigo depois), mas Pires foi outra vez peça apagada.

Nando Carandina se transformou em terceiro zagueiro e foi incansável no combate aos rápidos Felipe Marques e Elielton, depois substituídos por Jayme e Rodriguinho, mas o Papão precisava de força e talento na frente, virtudes que os atacantes ficaram devendo.

Apesar de sempre acompanhado por Bruno Maia, Walter foi o atacante mais desprendido do lado bicolor, chegando a perder uma boa chance nos instantes finais e distribuindo bons passes.

Do lado remista, Felipe Marques voltou a ser decisivo, pela velocidade e posicionamento no campo adversário. Isac se movimentou mais do que o habitual, ajudando a marcar nos momentos em que o PSC se lançou todo ao ataque. Dudu e Felipe Recife (depois substituído por Fernandes) faziam o trabalho de proteção para a atuação quase sem retoques de Mimica e Bruno Maia.

Além de toda a força e entrega na luta pela bola, o Remo teve em Vinícius segurança e arrojo quando a situação exigiu. Ao contrário de Marcão, novamente precipitado em algumas saídas, Vinícius brilhou pela economia de gestos. Não é um goleiro estabanado, mas da boa colocação sua principal virtude.

Dentre todos os responsáveis pela reconquista do título estadual, o Remo deve muito a Givanildo Oliveira. Quase setentão, o técnico chegou na hora certa, apagando incêndios e dando unidade a um grupo bastante heterogêneo.

Com Giva, o Remo passou a ter um time operário e funcional. Na entrevista pós-jogo, ele destacou a necessidade de ter jogadores dispostos a atuar com alegria. Acertou em cheio. Alegria é tudo, principalmente em futebol.

 

Goleiro e atacante brilham no Leão; volante foi o melhor no Papão

 

Na equipe que levantou a taça estadual na tarde de ontem, perante mais de 28 mil espectadores, Vinícius foi um dos destaques, aparecendo muito bem em três grandes situações criadas pelo ataque do PSC. Felipe Marques sofreu o pênalti que decidiu a final e foi taticamente importante, ao prender a marcação enquanto teve pernas e fôlego.

Além deles, Mimica e Bruno Maia foram incansáveis, ganhando quase todas pelo alto e muito firmes nas jogadas de chão. Levy reapareceu com eficiência na direita, compensando as hesitações de Esquerdinha na esquerda. Adenilson teve boa atuação, mas perdeu gol feito, após passe perfeito de Marques. Jayme também perdeu outra oportunidade clara.

No Papão, apesar dos rasgados elogios de Dado Cavalcanti a todo o time pelas manobras em torno da área do Remo, faltou clareza para tentar as jogadas de habilidade e infiltração. A rigor, somente Moisés fez isso e descolou um chute cruzado que Vinícius defendeu.

Walter, pela falta de mobilidade, sofre com o bloqueio adversário, mas ainda assim foi o responsável pelas melhores investidas do time. Acima de todos, porém, esteve Nando Carandina, que voltava de uma lesão, mas foi o jogador que mais lutou, tanto na defesa quanto na tentativa de ajudar o ataque.

 

 Estrela Solitária brilha e renasce das cinzas

 

Quando ninguém esperava mais, o Fogão vitorioso deu o ar da graça, pelos  pés e mãos de dois gringos, como reza a rica tradição do clube. Joel Carli, o xerife argentino, marcou o gol. Gatito Fernandez, a muralha paraguaia, catou dois penais e garantiu a taça. Ave, Botafogo!



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