GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta quarta-feira (28)

POSTADO EM: Quarta-Feira, 28/03/2018, 08:28:48
ATUALIZADO EM: 28/03/2018, 08:34:04

zoom_out_map
Wagner Santana

De virada e no sufoco

O que seria naturalmente difícil se tornou um verdadeiro drama para os bicolores, ontem, na Curuzu. O Manaus usou toda a experiência de seus jogadores para criar situações complicadas para o Papão, que levou um gol em lance de cruzamento na área e precisou lutar muito para arrancar o empate nos acréscimos da primeira etapa. Depois, também no apagar das luzes do 2º tempo, alcançou a virada que lhe deu a vitória.

Nas circunstâncias, é resultado para ser muito comemorado, pois o time baré se posicionava bem, gastava o tempo sem maiores aperreios e levava sempre perigo quando se aventurava no ataque. Abriu o placar e quase marcou aos 29 e 36 minutos do 2º tempo, com Romarinho e Wesley, aproveitando cochilos impressionantes do intranquilo setor de defesa paraense, onde Timbó despontava como o grande vilão da noite entregando bolas fáceis.

Brilhou, porém, a estrela do atacante Walter, cujo condicionamento físico ainda está aquém do que o futebol profissional exige, mas que compensa tudo isso com bom posicionamento e passes corretos. Teve o mérito inicial de tirar o PSC do sufoco marcando o gol de empate no final da etapa inicial, desviando de cabeça cruzamento de Maicon Silva e botando a bola fora do alcance do goleiro amazonense.

Solitário nas ações mais criativas, sem o apoio de nenhum dos meio-campistas, Walter buscou os lados, procurando fugir à marcação direta e tocando a bola de primeira para companheiros desmarcados.

Antes de participar do lance decisivo, lançou três bolas na área do Manaus procurando por Cassiano e Moisés. Era o mais lúcido do Papão, principalmente porque evitava entrar na pilha do time manauara, buscando sempre acelerar as manobras, situando-se um pouco atrás da linha de atacantes. Em contraste com o resto do time, esbanjava tranquilidade na distribuição de jogo, tornando-se a principal figura da partida.

A jogada que levou ao segundo gol foi puxada pelo lado direito, junto à linha lateral, após um passe de Moisés. Com boa visão de posicionamento na área, Walter fez cruzamento longo e por baixo, surpreendendo a defesa que marcava em linha. A bola passou pelos defensores e chegou a Cassiano, que se projetou para desviar com a ponta da chuteira, fazendo 2 a 1 para o PSC.

O triunfo foi importantíssimo, mas é necessário refletir sobre a má jornada de boa parte do time paraense, envolvido em diversos momentos pela boa troca de passes do visitante. Mais organizado e compacto, o Manaus explorava a afobação dos bicolores e durante boa parte do jogo levou a melhor.

O pequeno público que foi à Curuzu passou momentos de atribulação, vendo à sua frente o time ser subjugado por um adversário desenvolto e que em nenhum momento se deixou abalar por jogar fora de casa. Mesmo depois de sofrer a virada, o Manaus ainda teve forças para ameaçar, criando os dois últimos lances de perigo em tentativas com Paulão e He-Man, que ameaçaram a meta de Marcão.

A vitória dá a vantagem do empate ao PSC na partida de volta (dia 11 de abril), mas o desenvolvimento do confronto na Curuzu deixou claro que a missão será duríssima na capital amazonense, principalmente se o bicampeão paraense repetir a atuação atrapalhada de ontem.

Time sofre com as mudanças na escalação

O baixo rendimento técnico do Papão no jogo pode ser atribuído a ausências importantes, como a de Diego Ivo e Perema no miolo de zaga. A entrada em cena de Fernando Timbó desestabilizou o setor e foi bem explorada pelo time amazonense, que procurou insistir com jogadas sobre o zagueiro.

Em comparação com o jogo de sábado, contra o Bragantino, Dado manteve o sistema 3-4-3, mas trocou peças importantes, em função das lesões. Além de Timbó, a zaga teve Edimar e Carandina improvisado. Maicon Silva, Cáceres, Moisés e Mateus Miller formaram o quadrado no meio, com Mike, Cassiano e Walter no ataque.

Era até natural que a equipe sofresse com tantas alterações, mas os erros de passe e os espaços deixados no meio-campo tornaram o time dispersivo e vulnerável. Os problemas foram se acentuando à medida que o Manaus mostrava uma postura mais determinada. Diante de tantos problemas, a boa atuação individual de Walter evitou um resultado desastroso em casa.

Coutinho se consolida e Löw faz experiências

Do amistoso entre Alemanha e Brasil ontem, duas constatações. A primeira é uma excelente notícia para nós: Philippe Coutinho se tornou titular absoluto, com um pé nas costas, no time de Tite. A segunda é que os alemães sabem de fato aproveitar jogos de preparação, evitando desgastar titulares e aproveitando para testar caras novas.

Enquanto Neymar descansa no Rio, Coutinho vai se consolidando tanto no Barcelona quanto no escrete. Contra os germânicos nem chegou a brilhar tanto, mas quando toca na bola deixa evidente a qualidade técnica diferenciada. Ao lado de Gabriel Jesus, Coutinho é garantia de que o Brasil não sentirá (tanto) a eventual ausência de seu camisa 10.

Joachim Löw escalou um time mesclado, com Kroos comandando a meiúca e vários remanescentes da Copa das Confederações, mas sem Müller e Khedira. Enquanto muitos no Brasil ainda estavam com a cabeça no 7 a 1 de 2014, os alemães cuidaram de usar o amistoso como laboratório, sem ligar muito para a derrota.



COMENTÁRIOS mode_comment