OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Peixe genérico testa o Papão

POSTADO EM: Quinta-Feira, 08/03/2018, 08:18:26
ATUALIZADO EM: 08/03/2018, 08:18:26

As dificuldades impostas pelo Santos-AP na Copa Verde do ano passado ao Leão (principalmente) e ao Papão ainda estão vivas na memória dos torcedores. Depois de eliminar o Remo com extrema facilidade, chegando a aplicar uma goleada no jogo em Macapá, o alvinegro amapaense encarou o PSC de igual para igual, arrancando um empate no jogo realizado em São Luís e caindo finalmente no confronto em Belém.

Por tudo isso, é natural que a comissão técnica do PSC venha alertando o elenco para os riscos que o cruzamento com o time de Macapá pode oferecer. Não por acaso, o técnico Dado Cavalcanti teve o cuidado de poupar alguns titulares na partida contra o S. Raimundo, pelo Parazão, a fim de contar com força máxima no jogo desta noite, no estádio Zerão.

É uma providência que distingue Dado de outros técnicos que passaram por aqui e viam a Copa Verde como uma competição de importância menor, esquecendo a importância que a conquista do torneio tem para os torcedores e a vantagem de poder entrar nas oitavas de final da Copa do Brasil com valiosa bonificação em dinheiro.

Marcelo Chamusca, no ano passado, priorizou a decisão do Estadual e escalou um time mesclado contra o Luverdense. A derrota custou caro ao Papão, que não conseguiu reverter o resultado no confronto de volta. A ideia infeliz marcou também a passagem de Chamusca pela Curuzu, pois a torcida jamais esqueceu o episódio.

Contra o Santos, Dado volta a usar o time que derrotou Parauapebas, Interporto-TO e Castanhal agradando em cheio e obtendo ótimo aproveitamento: três vitórias, 10 gols marcados e apenas um sofrido.

Mike, o principal símbolo dessa nova era, é figura destacada no esquema de três atacantes empregado por Dado. À frente do lateral Maicon Silva, ele joga ao lado dos demais atacantes, voltando para ajudar na composição do meio-campo quando necessário. Nas manobras de ataque, ele é sempre o segundo homem posicionado na área, ao lado de Cassiano.

Com Mike liberado para flutuar da direita para o centro do ataque e finalizando mais que os outros dianteiros, o PSC alcançou seus melhores resultados desde a chegada de Dado. Até então, o atacante vinha aparecendo timidamente, sem achar espaço no desenho utilizado pelo ex-técnico Marquinhos Santos.

Diante do sempre aguerrido Santos, o PSC de Dado terá a oportunidade de mostrar que o time titular está realmente em fase ascendente, adquirindo entrosamento e força ofensiva a cada novo jogo.

 

 A importância de Brasília para o meio-campo azulino

 

Será mais sentida do que parece a possível ausência de Leandro Brasília no time azulino para o Re-Pa de domingo. A importância dele está no fato de ser o único volante que tem bom passe entre os meio-campistas do elenco remista. Fernandes, que até começou bem, caiu de rendimento nos últimos jogos. Brasília foi o único que evoluiu, mostrando qualidade na marcação e na saída para o ataque.

Caso não possa contar com ele, Givanildo Oliveira ficará emparedado entre duas opções de força e extrema dificuldade para contribuir com a transição no meio: Geandro ou Felipe Recife. Entre os dois, Felipe é de longe o menos errático. Atuou muito bem diante do Inter pela Copa do Brasil, mas acabou perdendo espaço com a saída de Ney da Matta.

Outra opção, menos óbvia, seria a utilização de Jefferson Recife no papel de segundo volante, justamente por ter mais habilidade para a aproximação com o ataque. O ponto negativo é que o Remo perderia muito em força de combate no meio.  

Givanildo não definiu a escalação, mas prestigiou nos treinos da semana a formação que jogou em Marabá. Por uma questão de estilo, é improvável que adote alguma ousadia para o clássico. Mesmo correndo sérios riscos com Geandro na marcação, é quase certo que o comandante vai preferir não mexer na equipe que obteve duas vitórias nos dois últimos jogos.

De toda sorte, as atribulações de Givanildo só reforçam a necessidade urgente de fortalecer setores pontuais. Além da defesa, da armação e do ataque, fica óbvio que falta muita qualidade ao estratégico setor de marcação, por onde têm que passar quase todas as iniciativas de conexão de um time.

 



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