OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Leão sob nova direção

POSTADO EM: Sexta-Feira, 02/03/2018, 08:28:55
ATUALIZADO EM: 02/03/2018, 08:28:55

Para quem nunca havia visto o estilo Givanildo Oliveira em ação, a tarde de quinta-feira foi bem ilustrativa sobre o perfil do veterano treinador. Seis anos depois de sua última passagem pelo clube, ele foi apresentado oficialmente e em seguida já dava as caras no campo da Tuna para acompanhar a movimentação dos jogadores.

Na conversa com os repórteres, cantou a pedra, com a franqueza habitual. Não é de ficar em casa curtindo férias. Estava sem trabalhar desde que deixou o Ceará, mas aceitou a missão de comandar o Remo, sabendo das dificuldades e da cobrança extremada do torcedor por conquistas.

Alguns poucos técnicos no Brasil preservam características mais afinadas com o passado da profissão. Givanildo é, por essência, o maior representante dessa seleta confraria. Além dele, talvez só Levir Culpi consiga ser tão crítico em relação às pseudo novidades do ofício.

Convence quando diz que gosta de ser treinador, por isso se mantém há 37 anos na estressante atividade, sem planos de se aposentar. “Só param quando me pararem”, disse ontem, em meio a várias frases que reafirmam o velho tom raiz – pra ficar num termo da moda.

Demonstra estar a par das dificuldades atuais do Remo, que formou um elenco que até aqui não deu liga – tanto que foi eliminado das Copas Verde e do Brasil – e que agora precisa salvar a temporada em duas competições, Campeonato Estadual e Série C.

Sobre mudanças no elenco, mostrou-se cauteloso, embora sem descartar novas contratações, mas atento aos aperreios financeiros da casa. É fato que o grupo atual precisa urgentemente de mais um zagueiro, um meia-armador e um atacante. Givanildo falou de urgência, mas só deve oficializar pedido de reforços após a partida contra o Águia, no próximo domingo.

Ao mesmo tempo em que mostrava a diplomacia própria de quem está chegando, foi direto ao ponto quando indagado sobre uma possível volta de Eduardo Ramos, sonho de muitos que lidam com o futebol azulino e de parte da torcida. Segundo ele, pelas informações disponíveis, prefere não ter o meia de volta. Simples, sem firulas.

Aos que preferem o discurso empolado e carregado de tecnicismos, muito ao gosto da geração de novos treinadores, Givanildo pode causar certo estranhamento ao abraçar um receituário simplório e despojado. Detonou sem pena a onda de cursos e oficinas destinados a técnicos no Brasil, na visão dele pouco funcionais e mais voltados para o marketing.

Gostar ou não do estilo ranzinza de Givanildo é um direito, mas ninguém pode negar que sabe montar bons times sem investimentos vultosos. Seus últimos feitos atestam isso. O Remo aposta suas fichas nesse currículo vitorioso para resgatar o título estadual e concretizar o sonho do acesso à Série B.

 

 

Atento ao Re-Pa, Papão poupa metade do time titular

 

Não se pode culpar Dado Cavalcanti pela iniciativa de poupar as peças principais de seu time. Terá que fazer três jogos em oito dias, dois deles fundamentais para o desdobramento da temporada.

Contra o Santos-AP, em Macapá, a preocupação é fazer um bom resultado para definir em casa a passagem à próxima fase da Copa Verde.

Depois disso, virá o jogo mais importante e menos decisivo da temporada. Encara o segundo Re-Pa do ano com a classificação assegurada à semifinal do campeonato, mas sabe que não pode correr o risco de um tropeço.

A derrota no primeiro choque-rei foi determinante para o descarrilamento do trabalho de Marquinhos Santos. Pode-se dizer até que foi determinante para sua queda, pois tornou aguda a insatisfação no torcedor.

Como o embate em Santarém não define nada no grupo A1 do Parazão, Dado adota a estratégia mais adequada. Dá um descanso à dupla de zaga titular – Diego Ivo e Perema – e uma folga a Moisés, o atacante que mais jogou na temporada.  

Só não pode perder de vista que a ideia de poupar atletas nem sempre é  compreendida e bem vista pelo torcedor. No Remo, a decisão de escalar um time reserva contra o Bragantino desencadeou a crise que culminou com a saída do técnico Ney da Matta.

É cada vez mais forte o sentimento de que jogadores de futebol são excessivamente paparicados e preservados quanto à agenda de jogos, embora os testes de risco e precauções médicas possam contribuir para evitar contusões graves.

Mesmo que a fria lógica dos exames confirme o acerto de certas decisões, os resultados pesam muito mais na avaliação implacável do torcedor.  



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