GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira deste domingo (25)

POSTADO EM: Domingo, 25/02/2018, 10:28:27
ATUALIZADO EM: 25/02/2018, 10:28:27

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Divulgação

Entre o humor e a baixaria

 O constrangedor episódio de humilhação pública a duas candidatas do concurso de “musa do futebol” goiano vem, em boa hora, reacender o debate sobre a onda de bizarrice disfarçada de entretenimento que se alastra pelo país em programas ditos esportivos na TV. Perto das piadinhas de mau gosto ali expostas, Carlos Zéfiro iria corar de vergonha. 

 Muito populares em países latinos, tais formatos floresceram no Brasil nos últimos anos valendo-se de termos chulos, sexistas e machistas para arrebanhar audiência junto a um público-alvo majoritariamente masculino, adulto e de baixa escolaridade.

O noticiário esportivo na TV tem evoluído para um tom descontraído, embora por vezes se transforme num paiol de gaiatices sem graça. O lado negro da força, porém, irrompe em programas que testam perigosamente o limite entre gracejo e insulto. 

Algumas dessas atrações elegem as pegadinhas de duplo como seu principal trunfo. Foi o que aconteceu em programa veiculado por emissora de Goiânia, usando jovens representantes de clubes como isca.

O tiro saiu pela culatra e as redes sociais ecoaram um protesto tão contundente que o apresentador viu-se obrigado a se manifestar, dando explicação tão fajuta que teria sido melhor nem se pronunciar. Alegou que não sabia dos textos, que lhe seriam soprados via ponto de ouvido. Lorota.

A emissora, que acertou ao tirar o programa do ar, derrapou no anúncio publicado na internet tentando justificar o injustificável. Segundo a marota explicação, o objetivo era justamente “chamar atenção” para o grave problema da discriminação contra a mulher.Típ

ica conversa de quem subestima a inteligência do telespectador. A nota, que deveria ser um sincero pedido de desculpas, acabou por rebaixar a publicidade à vala comum do subjornalismo praticado no programa.

O caso oferece ensinamentos preciosos para todos que trabalhamos com comunicação. Em primeiro lugar, é preciso levar informação de qualidade às pessoas. O conteúdo pode ser até engraçado, mas jamais obsceno ou preconceituoso. Acima de tudo, é fundamental respeitar as pessoas.

Papão repete time para confirmar boa fase

Contra o Castanhal, o Papão repetirá a escalação utilizada contra Parauapebas e Interporto. É a estratégia de Dado Cavalcanti para consolidar o entrosamento e prestigiar as boas atuações individuais. William, grande nome da atual fase, é uma das atrações do jogo. Curiosamente, o técnico atirou um balde de água fria na escalada de elogios ao jovem volante.

Para Dado, o jogador ainda precisa amadurecer e corrigir erros próprios de iniciante. Palavras preocupantes, pois proferidas depois que William havia sido a principal figura da vitória sobre o Interporto. Mesmo inexperiente, o volante não comete tantos erros quando o rodado Carandina.

Apesar de favorito, o PSC terá pela frente neste domingo um adversário teoricamente melhor que os dois anteriores. Mesmo em campanha oscilante no Parazão, o Castanhal tem feito bons jogos (vitórias sobre Bragantino e Águia) e conta com o artilheiro do torneio, Dedeco, com quatro gols.

Das previsões e apostas de Sua Majestade

Naquelas entrevistas que costumam causar calafrios nos supersticiosos, o Rei Pelé rompeu o período de silêncio para dizer ao portal Fifa.com na sexta-feira que o Brasil é um dos favoritos à conquista da Copa e que Neymar já é o melhor do mundo.

Os receios do torcedor têm a ver com a fama de pé-frio que o Rei adquiriu ao longo do tempo, disparando chutes quase sempre descalibrados. Suas previsões ficaram famosas por nunca se confirmarem.

Agora ele mudou ligeiramente o tom, partindo para a afirmação direta e colocando Neymar acima de Messi e Cristiano Ronaldo. Mesmo do alto de sua majestade como futebolista, Pelé não poderia cometer tal disparate.

Neymar não é melhor que Messi e CR7. Pode até vir a ser, mas por ora é um craque em busca de consagração. Não conquistou nada de relevante e joga por um time que segue no segundo escalão do futebol europeu.

Sobre o Brasil, o Rei foi óbvio. A Seleção, mesmo nas safras ruins, sempre chega cotadíssima às Copas. Isto desde que, aos 17 anos, em 1958, na Suécia, o próprio Pelé ajudou a levantar o primeiro caneco.





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