OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Um novo-velho Papão?

POSTADO EM: Sexta-Feira, 16/02/2018, 07:54:06
ATUALIZADO EM: 16/02/2018, 07:54:06

Dado Cavalcanti chegou, falou sobre seus planos e não fez nenhuma promessa bombástica. Disse aquilo que técnicos costumam dizer quanto a empenho e foco nos resultados. Conhecedor da cultura existente no PSC, ele sabe que gestão tem planos ambiciosos para esta temporada e – mais importante – não ignora os anseios da torcida.

Do grupo de jogadores que foi contratado no começo do ano, Dado já trabalhou com Pedro Carmona e Danilo Pires. Sabe do potencial de ambos, mas, ao contrário de Marquinhos, tem consciência de que não há muito tempo para esperar evolução técnica e condicionamento ideal.

Pelo que se conhece dos trabalhos anteriores do técnico na Curuzu, a tendência é que o novo Papão seja mais parecido com o velho time da Série B 2017. Sendo assim, Perema e Diego Ivo continuam absolutos na zaga, Renato Augusto e Carandina serão prestigiados na zona de marcação e Fábio Matos tem grande chance de reaver a titularidade.

Nas outras posições, Dado deverá apostar em quem estiver rendendo mais. Por essa razão, Cassiano e Moisés podem permanecer no ataque, mas é provável que Mike, Renan Gorne e Peu ganhem novas oportunidades. As laterais devem sofrer algumas mudanças de perfil. Mateus Miller tende a ser o titular pela esquerda e Maicon Silva corre riscos na direita.

Acima de tudo, o torcedor sabe que Dado vai evitar incorrer nos pecados mais graves da era Marquinhos: cautela excessiva até contra adversários mais fracos e dúvida constante na escolha dos titulares.

 

 

Remo precisa sanar as fragilidades do elenco

 

Com sabedoria, o amigo Antonio Valentim, um dos baluartes do blog campeão, disse que a eliminação do Remo na Copa Verde tem um aspecto positivo: permite à comissão técnica (e à diretoria de futebol) fazer um diagnóstico realista sobre a qualidade do elenco para a disputa da Série C.

Não há mais dúvida quanto à instabilidade do time, razão de resultados surpreendentes, tanto positiva quanto negativamente. Ganhou do PSC no clássico e imediatamente despencou diante do Manaus, na Arena da Amazônia. Venceu o Atlético-ES lá fora e empacou frente ao mesmo Manaus, anteontem, no Mangueirão.

Os altos e baixos são normais em começo de temporada, mas o Remo transformou essa condição em característica do time. A oscilação é tão grande que ninguém pode afirmar com convicção qual será o comportamento da equipe no próximo jogo. Desconfio que nem Ney da Matta arriscaria um palpite.

Passada a frustração pela queda na CV, caberá aos dirigentes e ao técnico uma tomada de posição em relação a duas graves necessidades do atual elenco: um zagueiro de área e um camisa 10.

O defensor precisa ser rápido e bom nas antecipações, justamente as qualidades que faltam à dupla titular, Bruno Maia e Mimica. O meia-armador deve ser um jogador capaz de comandar a equipe em campo. O Remo tem quatro meias – Adenilson, Rodriguinho, Andrey e Jefferson – mas nenhum se mostrou confiável para suprir as carências que o time revela a cada novo compromisso.

 

 

Declaração de zagueiro dá margem a boa reflexão

 

Continua a repercutir a frase seca do zagueiro Paulão, do Manaus-AM, em entrevista a Mauro Borges na Rádio Clube após conquistar a vaga na Copa Verde: “Nossa diretoria está de parabéns pelo grande trabalho realizado, inclusive nos bastidores”, disse, enfático.

O que isso exatamente significa? Teria sido um ato falho do jogador, querendo se referir aos vestiários da equipe, ou é exatamente aquilo que se depreende do termo “bastidores”. Se a segunda hipótese for a verdadeira, a coisa é bem mais embaixo e o Remo realmente não tem mais para quem perder.

Será que, além de vacilar em campo e entregar uma vaga certa na segunda fase do torneio, o Leão de Antonio Baena anda também comendo poeira na chamada zona cinzenta do futebol, ali onde muita coisa acontece, principalmente quanto ao humor das arbitragens? É um caso a pensar.



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