OPINIÃO

Leão dá adeus à Copa Verde

POSTADO EM: Quinta-Feira, 15/02/2018, 07:25:30
ATUALIZADO EM: 15/02/2018, 07:25:30

O Manaus veio ao Mangueirão com o regulamento embaixo do braço (2 a 0 de vantagem no placar), um esquema bem fechado e boa dose de malandragem. Sem precisar jogar muito, fez o suficiente para conquistar a classificação à próxima fase da Copa Verde em cima de um Remo confuso, nervoso e afobado ao extremo, revelando sérios erros de posicionamento a partir das ações no meio-campo.

Diante do antijogo que prevaleceu durante todo o primeiro tempo – mais de dez paralisações para atendimento a jogadores do Manaus –, graças à conivência do fraco árbitro mato-grossense, o Remo entrou ingenuamente na pilha e não conseguiu sequer seu melhor momento na partida.

Aos 37’, Jayme foi atropelado por Hamilton dentro da área, mas o pênalti foi perdido por Isac, que bateu no centro da trave, facilitando a defesa do goleiro Milton, que mandou a escanteio com a ponta dos dedos. Um gol ali teria dado tranquilidade para a tentativa de igualar o placar agregado, tirando o visitante da chamada zona de conforto.

Vale dizer que após a marcação da penalidade o árbitro foi cercado pelo time baré, ficando o jogo parado por vários minutos, catimbando e provocando os remistas. O empurra-empurra e a clara intenção de tumultuar lembraram gloriosamente os tempos de várzea.

Ainda nos acréscimos, Jayme quase abriu o placar cabeceando no canto, após cruzamento de Levy. A bola não entrou em função da perícia do goleiro Milton, que já despontava como a grande figura em campo.

No 2º tempo, mesmo com o baixo rendimento de alguns jogadores (Felipe Marques, Fernandes e Isac, principalmente), Ney da Matta custou a trocar peças. E, mesmo quando mudou, acertou apenas parcialmente. Elielton entrou e levou o time à frente, buscando jogadas pelo lado direito, apoiado por Levy, mas Adenilson voltou a decepcionar e

Apesar de atacar muito, o Remo precipitava passes e chegou a insistir em chutes descalibrados de média distância. Tinha volume, mas não construía chances agudas na área. Chegou ao gol aos 19’, em lance que Jayme tocou de cabeça para Elielton finalizar, mas o árbitro apontou uma falta inexistente sobre o zagueiro Paulão.

A vontade de ir ao ataque não tinha sustentação no trabalho da meia-cancha, lenta e pouco participativa. Contra um time bem postado, com peças que sabiam distribuir o jogo e encaixar contragolpes, o Remo foi se desgastando pelo excesso de pressa e insegurança crescente.

Isac, acabrunhado com a perda do pênalti, não acertou mais nada. Recebia a bola em condições de arremate ou tabela, mas batia errado. Aos 21’, quando devia ter cruzado na pequena área, onde Jayme fechava livre, mas o chute saiu direto pela linha de fundo.

Numa bola isolada, o Manaus fez aquilo que pregam os manuais de times visitantes. Recuperou a bola na intermediária e saiu em três toques, de Hamilton a Nena e deste para a finalização perfeita de Vander, aos 26’.

Rodriguinho entrou quase ao final, depois que Negueba foi expulso e a marcação amazonense afrouxou. Só não havia muito a ambicionar quanto à vaga, pois o Remo passou a precisar de quatro gols. Continuou lutando e conseguiu empatar, com Mimica aproveitando cobrança de escanteio.

É fato que a eliminação se desenhou em Manaus, mas o Remo teve condições de reverter em casa e fracassou por erros de estratégia de jogo e ausência de objetividade. Sobrou empenho, mas faltou intensidade para superar um adversário que soube garantir o resultado que lhe convinha.

A queda precoce na CV não estava nos planos do Remo, mas o resultado de ontem serviu para expor as muitas carências do elenco, principalmente no setor criativo. Sem um organizador no meio-campo, o time sempre enfrentará muitas dificuldades diante de qualquer adversário.

 

 Antijogo amazonense permitido pela fraca arbitragem

 

O árbitro Paulo Henrique de Melo Salmazio (MS) não se mostrou à altura da importância do jogo que decidia classificação na Copa Verde. Foi pouco enérgico no começo, deixando de aplicar advertências quando ficou evidente que o Manaus iria abusar da cartimba e das paralisações.

Vulnerável à pressão dos amazonenses, permitiu que os jogadores retardassem a cobrança do pênalti. Ironicamente, só mostrou cartão para Isac, que tentava a todo custo botar a bola na marca penal.

O goleiro Milton, a exemplo do titular Jonathan na primeira partida, abusou da cera, caindo várias vezes sem qualquer motivo. Provocou tumulto entre os suplentes, forçando a entrada em cena do 4º árbitro, que só denunciou o lado remista, gerando cartão amarelo para Adenilson.



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