GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta terça-feira (13)

POSTADO EM: Terça-Feira, 13/02/2018, 08:21:24
ATUALIZADO EM: 13/02/2018, 08:21:24

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Fernando Torres/Paysandu

Crônica da queda anunciada

Marquinhos Santos caiu. O quadro estava desenhado desde que o PSC perdeu o Re-Pa e quatro dias depois foi eliminado da Copa do Brasil. O técnico ficou por um fio, mesmo tendo disputado somente cinco jogos na temporada. Não que sua situação fosse propriamente sólida antes disso. A permanência do treinador no comando após a campanha ziguezagueante na Série B 2017 chegou a causar surpresa.

Quando foi anunciado como o técnico para 2018, a diretoria justificou dizendo – com razão – que Marquinhos não havia tido a chance de começar um trabalho no clube. Havia desembarcado na Curuzu na 10ª rodada da Série B, substituindo a Marcelo Chamusca e pegando o bonde andando.

A condução do time montado por Chamusca não foi das melhores. O Papão sofreu um bocado para escapar da queda, só conseguindo respirar nas rodadas finais do campeonato. A rigor, Marquinhos utilizou um esquema sempre conservador, acumulando um inédito retrospecto de derrotas dentro de casa. Levava sufoco como visitante, mas fechava-se e com isso arrancava alguns bons resultados.

Para o torcedor, porém, a campanha foi frustrante. Acostumado a apoiar o time, na Série B 2017 não teve motivos para festejar, pois o Papão não se fazia respeitar como mandante. Acompanhava os jogos pela TV, sofrendo com a postura medrosa da equipe fora de casa.

Um aspecto do estilo pessoal do técnico sempre gerou muita crítica: a capacidade de ler um jogo de maneira inteiramente oposta ao que ocorria em campo. Viraram peças folclóricas suas entrevistas pós-jogo nas quais desfilava mil e uma razões para um resultado ruim.

Atribuía sempre os problemas do time às condições dos campos, ao mau tempo, à falta de tempo para treinamentos – como se os demais times não tivessem as mesmas dificuldades. Ao empatar com o modesto Paragominas, na Arena Verde, teve a coragem de dizer que o time iniciava ali a reabilitação depois do vexame diante do Novo Hamburgo.

Marquinhos se perdia pelas palavras. Na sexta-feira, após empate aos trancos e barrancos com o Interporto, em Porto Nacional (TO), o treinador analisou a atuação, mostrando-se satisfeito porque o time havia sido “agressivo do primeiro ao último minuto”. Na verdade, todo mundo viu que o PSC só atacou nos 10 minutos finais.

Para coroar a análise, referindo-se às cobranças pela queda na Copa do Brasil, comparou-se a ninguém menos que Tite. Segundo ele, o técnico da Seleção jamais teria feito carreira de sucesso se os dirigentes tivessem cedido às pressões quando o Corinthians foi eliminado pelo Tolima, na Libertadores de 2011. Um exemplo forçado e fora de lugar.

O descanso excessivo concedido ao elenco no Carnaval foi a gota d’água para a demissão. A diretoria não engoliu tamanha folga em meio ao cenário de indefinição no Parazão, onde o PSC caiu para a 2ª posição em seu grupo e terá duro compromisso em Parauapebas na próxima rodada.

No fim das contas, a incrível e inédita pré-temporada que avançou campeonato adentro – uma das mais anedóticas ideias do treinador – sobreviverá a Marquinhos, deixando o Papão ainda sem um time para chamar de seu, embora tenha elenco numeroso e (em tese) qualificado.

Dado e Mazola cotados, mas clube analisa outros nomes

É provável que, quando esta coluna estiver sendo lida, a diretoria do PSC já tenha contratado um novo técnico. As sondagens começaram ainda na semana passada, pois a decisão de afastar Marquinhos Santos vinha sendo amadurecida desde o jogo contra o Novo Hamburgo.

A busca pelo substituto inclui a análise de nomes já conhecidos e que conhecem o clube. Casos de Dado Cavalcanti, Mazola Jr. e Givanildo Oliveira, com chances maiores para o segundo, embora persistam resistências ao estilo autoritário.

A prospecção também passa por nomes que nunca dirigiram o Papão: Lisca, Argel Fucs, Geninho, Sérgio Soares e Marcelo Cabo (ex-Atlético Goianiense) são mencionados. Argel, Geninho, Cabo e Lisca estão sem clube, mas a faixa salarial (acima de R$ 100 mil) pode emperrar as negociações.

Segundo fonte ligada à diretoria, o nome mais cotado é o de Dado Cavalcanti, mas Mazola, velho conhecido da casa e com boa passagem pelo clube, também está na fita. O certo é que, qualquer que seja o escolhido, terá o desafio de estruturar um time às pressas, visando corrigir a rota no Parazão e encaminhar a busca pelo bi da Copa Verde.



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