OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Pecados que vêm de longe

POSTADO EM: Terça-Feira, 06/02/2018, 07:32:38
ATUALIZADO EM: 06/02/2018, 07:32:38

Pecados que vêm de longe

 

O Remo embarcou ontem com destino ao jogo mais importante deste começo de temporada. Vai desafiar o quase desconhecido Atlético-ES, de Itapemirim, pela primeira rodada da Copa do Brasil. Caso não perca, o Leão avança à fase seguinte e fatura R$ 600 mil de bonificação, valor que pode triplicar na segunda etapa, quando o adversário deverá ser o Internacional-RS.

Mais do que a ameaça representada pelo time capixaba, o Remo terá que superar seus próprios medos e hesitações. No campeonato estadual, o time tem feito um zigue-zague, oscilando entre resultados toscos (como a derrota para o Independente, em Independente) e a categórica atuação no Re-Pa.

Por coincidência, o segundo jogo fora de Belém – contra o Manaus, na Arena da Amazônia – marcou também a repetição dos muitos erros mostrados diante do Galo Elétrico. Resumidamente, o vexame na capital baré teve a ver com caos defensivo, pouca agressividade e ausência de qualidade no meio-campo.

Não é um problema exclusivo da era Ney da Matta. Há tempos, com times e propostas diferentes, o Remo vem se apequenando quando se apresenta longe de sua torcida. Torna-se frágil e inseguro. Mesmo quando vence, o triunfo é marcado por dificuldades extremas e muitos sustos.

A partida de amanhã tem muita semelhança com a do ano passado, contra o Brusque-SC, azarão que se deu bem explorando as fraquezas remistas. Da Matta devia passar a vista no teipe desse jogo. Talvez assim evite erros pontuais, como a excessiva e temerária preocupação em garantir o empate.

 

De olho nas ricas possibilidades do mercado europeu

 

Muita gente não entendeu e até desdenhou do anúncio oficial pelo Papão da contratação do meia britânico Ryan Williams, de 26 anos, que vinha atuando no futebol do Canadá. Acontece que o Papão está mesmo disposto a invadir o mercado boleiro internacional. Depois de contratar o paraguaio Cáceres e quase trazer Filigrana, agora volta suas vistas para a Europa.

Internacionalizar a marca pode ser a saída para as limitações do negócio futebol no Brasil. Não há dúvida de que a ideia de tentar atrair o interesse de clubes, empresários e agentes do Velho Mundo é uma sacada inteligente e moderna.

Williams pode até não render em campo o suficiente para ser titular do Papão de Marquinhos Santos, mas sua presença no elenco será explorada como ponte para excursões, parcerias e exportação de pé-de-obra paraense para a terra da Rainha.

 

 Saudades dos tempos de Ted Boy e Príncipe Mongol

 

A nostalgia invadiu os lares na madrugada de domingo sob forma de uma homenagem involuntária aos reis do Telecatch, que encantava crianças de todas as idades nos anos 1960 com seus duelos de mentirinha, saltos acrobáticos e golpes circenses. Era gostoso de ver porque se assumia como palhaçada. O UFC, com lutas e resultados pra lá de esquisitos, guarda o pecado original de querer se levar a sério.

O evento de sábado em Belém, a exemplo do que havia ocorrido com Popó, em sua recente despedida dos ringues, teve o apito amigo a influir no resultado da luta mais importante. Sem cultivar maior entusiasmo pela modalidade, acompanhei de longe, mas não pude deixar de ver os vídeos do combate e a repercussão nas redes sociais escrachando o veredito final.

Aúvida sincera é se o Dragão baiano-paraense, de tantas conquistas na seara das lutas, precisava realmente de uma vitória de pé-quebrado. Vencer é bom quando há pleno merecimento. Ganhar por ganhar não eleva, muito pelo contrário. Por tudo o que vejo e ouço, prefiro ficar mesmo com as lembranças de Ted Boy Marino, Índio Paraguaio e Príncipe Mongol.

Era farsesco, mas divertido.



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