OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: reabilitação adiada

POSTADO EM: Segunda-Feira, 05/02/2018, 07:41:38
ATUALIZADO EM: 05/02/2018, 07:41:38

O jogo se desenhava como a chance de reabilitação do Papão após as duas derrotas seguidas (Remo e Novo Hamburgo), mas a atuação repetiu o padrão das últimas apresentações. Cauteloso em excesso e pouco confiante, o time foi sufocado pelo esforçado Paragominas, que prevaleceu no primeiro tempo e só pecou nas finalizações.

O 2º tempo, disputado sob chuva, teve pouco futebol, mas os bicolores continuaram a jogar em nível insatisfatório, perdendo divididas e errando muitos passes. O empate em 0 a 0 não fez justiça ao volume ofensivo do Paragominas na partida. Em

Dispersivo e com o setor defensivo desprotegido, sem participação dos laterais Victor Lindenberg e Maicon, o PSC custou a se aprumar em campo. A cada investida do Paragominas, a defesa entrava em pânico. Apavorada, saía dando chutão e mandando a bola para fora, sintomas de um time sem entrosamento.

A opção por dois armadores, Fábio e Pedro Carmona, pretendia tornar o time mais agressivo. Na prática, a proposta não deu em nada, pois ambos evitaram as jogadas de risco e ficaram sempre desconectados dos atacantes Cassiano e Moisés. A única boa investida do primeiro tempo resultou em chute torto de Carmona após passe de Cassiano.

Pelo lado do Paragominas, Balotelli, um atacante de força, criou seguidas situações de perigo. Errou três finalizações que poderiam ter levado ao gol, mas se destacou pela luta incessante. Na maioria das tentativas, levou a melhor sobre os marcadores, inclusive no lance mais bonito da tarde, aos 13’ do segundo tempo, quando disparou um chute cruzado que bateu na haste de proteção da trave de Marcão.

João Neto, Luquinha e Lincoln foram outros destaques da equipe. Curiosamente, apenas Marcão teve presença digna de registro no PSC. Muito exigido, fez intervenções corretas, sem dar rebotes.

A impressão é de que comissão técnica e jogadores do Papão ainda não atinaram para o tamanho do compromisso que têm com o projeto estabelecido pelo clube para a temporada. A maioria parece ver o Parazão como algo menor, esquecendo que a construção de um time vitorioso deve começar pela competição estadual.

Até agora, o PSC não mostrou qualidades que o diferenciem dos demais times do campeonato. Dispõe de valores individuais mais conhecidos e valorizados, mas é preciso que esses jogadores mostrem que podem ser úteis ao time.   

A desorganização e o pouco apetite ofensivo refletem os tropeços recentes e também as dúvidas esboçadas pelo próprio treinador, ainda indeciso quanto a usar dois ou três volantes. A fragilidade defensiva afeta a produção dos laterais e, por tabela, termina estourando na linha de frente, onde Cassiano e Moisés têm ficado muito isolados e sem função.

O mais preocupante é que, em meio à crise provocada pelos últimos resultados, técnico e jogadores tenham saído de campo valorizando um empate conquistado a duras penas, satisfeitos com o resultado. É, no mínimo, uma visão distorcida da realidade.

 

Críticas exigem equilíbrio e compreensão

 

Depois do jogo, entrevistado pelo repórter Dinho Menezes, o goleiro Marcão afirmou que o empate tinha sido importante, atribuiu ao gramado parte das dificuldades da equipe, destacando sempre que o time é muito técnico e possui alta qualidade. São jogadores que, acostumados a jogar em arenas da Copa, têm dificuldades de adaptação nos gramados locais.

Reclamou de cobranças exageradas e ressaltou, como problemas determinantes para a atuação de ontem, o trauma do revés em Novo Hamburgo e o desgaste das viagens, fator citado também pelo técnico.

Quanto às viagens, o problema é de natureza geográfica e, portanto, sem solução. Sobre críticas e trauma de derrotas, é preciso serenidade e compreensão quanto às expectativas do torcedor. Acima de tudo, cabe entender que o privilégio de jogar em time de massa traz junto o ônus da cobrança permanente.   

 

 Saudades dos tempos de Ted Boy Marino

 

A nostalgia invadiu os lares na madrugada de domingo na forma de uma homenagem involuntária a um dos reis do Telecatch, que encantava a todos na década de 60 com seus duelos de mentirinha e golpes circenses. Era gostoso de ver porque se assumia como palhaçada. O UFC, com lutas e resultados esquisitos, tem o pecado de querer se levar a sério.

O evento de sábado à noite em Belém, a exemplo do que havia ocorrido com Popó, em sua despedida dos ringues, teve o apito amigo como fator decisivo. Justo na luta mais importante. Acompanhei de longe, sem deixar de observar que o gringo foi garfado no Mangueirinho. Minha dúvida sincera é se o Dragão, de tantas conquistas no esporte, precisava disso.

Por tudo isso, prefiro ficar com as lembranças do saudoso Ted Boy Marino. Era farsesco, mas divertido.



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