OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Os dilemas do novo Remo

POSTADO EM: Terça-Feira, 23/01/2018, 07:28:46
ATUALIZADO EM: 23/01/2018, 07:28:46

Os dilemas do novo Remo

 

O amigo Edyr Augusto Proença, um dos 27 baluartes assíduos deste espaço, levantou uma questão pertinente a propósito do tropeço remista em Tucuruí no último sábado: já que a defesa é lenta, o meio não cria e o ataque não chuta, por que não colocar em ação os jogadores nativos?

Concordo com ele e vou além. O Remo tem se dado mal há várias temporadas porque aposta em técnicos pouco familiarizados com um campeonato que tem suas particularidades, punindo com rigor quem se arvora a jogar sem certas cautelas, principalmente nos campos do interior.

Um dos pontos fundamentais diz respeito à intensidade do jogo e à velocidade que os times emergentes usam como arma para alcançar um mínimo de equilíbrio com os titãs da capital, normalmente mais generosos em investimentos e contratações.

Quando enfrentam uma equipe ainda desarrumada e órfã de entrosamento, os interioranos costumam levar vantagem. Não por coincidência, isso tem ocorrido seguidamente nas incursões azulinas pelos campos de Marabá, Santarém, Cametá, Paragominas, Parauapebas, Castanhal, Bragança e Cametá.

Desde 2012, o Leão não vence dentro de Tucuruí. A estatística é amplamente favorável ao Independente em jogos disputados no estádio Navegantão. Nada a ver com as condições climáticas ou com a qualidade da grama. É questão de equilíbrio de forças e uso de estratégia adequada.

No sábado, além da dificuldade natural de encaixar um sistema de jogo que vive fase embrionária, o Remo teve contra si um gol aos 2 minutos. Para usar uma imagem compatível com a principal riqueza do município, pode-se afirmar que a equipe de Ney da Matta levou um choque elétrico. O impacto foi tão forte que o time perdeu o rumo e não conseguiu se recobrar ao longo dos 88 minutos seguintes.  

A má atuação não pode ser observada apenas pelo prisma atual. Ney da Matta e o atual elenco sofreram as consequências da queda de prestígio (e respeito) do Remo junto às equipes interioranas. No passado, o time chegava e se impunha, mesmo que não estivesse lá muito bem das pernas.

O tempo se encarregou de mudar as coisas. Hoje, com os times mais atentos à competição estadual, sabedores de que têm mais chances de êxito no começo da disputa – quando os grandes da capital ainda estão formatando suas equipes –, a situação é inteiramente inversa ao que se via lá no começo dos anos 2000.

Mais difícil fica a situação quando os times da capital montam seus elencos majoritariamente com jogadores de fora, pouco afeitos ao Parazão. No caso do Remo, que no ano passado iniciou o ano com um time regionalizado (conseguindo se sair relativamente bem), tudo ficou mais difícil com a remontagem completa do elenco, com ênfase em peças de fora.

É esta intrincada equação que Da Matta precisa solucionar, já sem tempo de sobra para isso. Três dias apenas depois da derrota em Tucuruí já há um novo desafio pela frente, hoje, contra o Águia. Parada indigesta.

 

 

Sheik e a mania da benemerência no futebol

 

A notícia de que o Corinthians está contratando Emerson Sheik é daquelas que confirmam que o futebol de fato está andando para trás no Brasil. Se não for por alguma espécie de gratidão, a iniciativa corintiana revela apenas ausência de opções no mercado e insistência com o lado nostálgico que certos jogadores carregam.

Sheik foi fundamental na conquista da Libertadores, é um jogador carismático e de grande empatia com o torcedor, mas em campo já não é nem pálida sombra do que foi, visto que está beirando os 36 anos e tem dificuldades de jogar 90 minutos. Foi assim na Ponte Preta, no ano passado, durante a Série A.

Ocorre que nos clubes, principalmente os de massa, há sempre um diretor amigo disposto a fazer benemerência e ganhar pontos junto ao torcedor mais desmiolado. O chato é que, como sempre, a conta estoura nos cofres da agremiação e não de seus dirigentes temporários – e perdulários.

 

 

As vantagens de armar um time a partir de uma espinha pronta

 

O Papão foi a Castanhal, não se deixou intimidar pela pressão dos donos da casa no começo da partida e usou de frieza objetiva para alcançar a vitória. A postura firme de focar na meta principal, sem se deixar perturbar pelas dificuldades de momento, é uma característica de times vencedores e que não fraquejam diante de qualquer obstáculo.

Não estou com isso dizendo que o atual time de Marquinhos Santos já está pronto e consolidado. Longe disso. Observa-se, porém, que é uma equipe mais talhada para as intempéries. Não refuga diante do primeiro problema enfrentado. Isso é, sem dúvida, um bom sinal.

Quem acompanhou a partida de domingo notou que o Castanhal usou o mesmo expediente do Independente no dia anterior contra o Remo. Velocidade, marcação adiantada e saída forte pelos lados do campo. A ideia era aproveitar a previsível perturbação inicial do visitante para sufocar e abrir vantagem.

Apesar do esforço castanhalense, exposto nas sucessivas investidas de Junior Rato, Souza e Dedeco, principalmente, o Papão se manteve razoavelmente tranquilo, embora titubeando na cobertura defensiva que deveria ser executada pelos volantes.

Poucas vezes o time se arriscou a subir ao ataque com mais de cinco jogadores. Só buscou essa pressão mais encorpada quando a situação permitia, sem representar riscos maiores. Ainda assim, a condição ideal só apareceu no finalzinho do primeiro tempo e foi aproveitada de maneira implacável.

O que viria depois confirmou a evolução anímica da equipe, centrada o suficiente para perceber as falhas do adversário e investir sobre elas. Fez mais três gols aproveitando as chances surgidas. Foi um procedimento cirúrgico, sem desperdícios.

Para tanto, contribuiu enormemente a espinha remanescente da Série B 2017. Marcão, Perema, Diego Ivo, Carandina, Renato Augusto e Fábio Matos. A partir deles, mesmo com curto período de treinos, Marquinhos está construindo a nova equipe e os resultados já começam a aparecer.



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