OPINIÃO

Leia na coluna de Gerson Nogueira: Força no contra-ataque

POSTADO EM: Segunda-Feira, 22/01/2018, 07:45:43
ATUALIZADO EM: 22/01/2018, 09:00:19

zoom_out_map
Ney Marcondes

O apagão no final não empanou o brilho e a importância da vitória do Papão sobre o Castanhal, ontem à tarde, no estádio Maximino Porpino. Com objetividade, força nos contra-ataques e boas finalizações, o time superou a melhor atuação do adversário no 1º tempo e alcançou sua primeira goleada no Campeonato Paraense 2018.

Cirúrgico, o time aproveitou todas as chances criadas e decidiu o jogo em lances rápidos, construídos com habilidade e frieza. Até por volta dos 40 minutos o jogo pendia mais para os donos da casa, que tinham se aproximado perigosamente da área bicolor, com avanços do lateral Souza e boa atuação de Dadá e Dedeco no meio-campo. Júnior Rato abusou do direito de perder gols. Foram pelo menos três chances diante do goleiro Marcão. Ramon e Val Barreto também desperdiçaram lances agudos.

Foi justamente logo após um gol perdido por Ramon, aos 41 minutos, que o Papão achou o caminho para abrir o placar. Depois de recuperar a bola em sua defesa, o Castanhal saiu jogando errado e permitiu que Lindenbergh cruzasse da esquerda para a finalização certeira de Nando Carandina.

Na etapa final, o Papão veio mais fechado e armado para explorar o contra-ataque aproveitando os previsíveis espaços. O Castanhal trocou Val Barreto por Railson, mas seguiu improdutivo na definição de jogadas.

Aos 12 minutos, surgiu o gol que tirou o Castanhal do eixo. Contragolpe mortal puxado por Moisés pela direita levou ao segundo gol, marcado por Cassiano após receber passe perfeito de Fábio. Marquinhos reforçou então a meia-cancha trocando Cáceres por Danilo Pires e Cassiano por Magno.

O terceiro gol surgiu em consequência da desarrumação do Castanhal, que se lançava à frente e expunha claros na defesa, muito bem aproveitados por Fábio Matos e Moisés, principalmente. Em novo contragolpe, aos 31’, Maicon Silva cruzou para o cabeceio fulminante de Magno, de peixinho.

A porteira abriu de vez aos 34’ com novo contra-ataque. Moisés caiu pela direita e bateu cruzado para Pedro Carmona, que havia acabado de entrar no lugar de Fábio. Parecia que o Papão ia deslanchar ainda mais, beneficiando-se do caos que reinava do lado castanhalense.

Foi então que o time da casa resolveu finalmente acordar, marcando no espaço de cinco minutos os gols que não conseguiu fazer no começo da partida. Aos 38’, em falha do goleiro Marcão, Dedeco diminuiu. O mesmo Dedeco fez o segundo, aos 43’, mandando na gaveta. Um golaço.

Foi um jogo que mostrou evolução do Papão quanto ao entrosamento e variação de jogadas. Correu riscos e podia terse complicado no primeiro tempo, mas soube sair da pressão usando a arma do contra-ataque. Já o Castanhal foi vítima de seus próprios erros. Deixou de fazer gols que poderiam ter mudado a cara do jogo.

Galo confiante supera Leão atrapalhado

O Independente confirmou a condição de mandante e se impôs ao Remo, sábado à tarde, no Navegantão, vencendo por 2 a 0 com tranquilidade, sem passar grandes sustos. O Remo não teve capacidade de reação, nem mesmo para pressionar o adversário na base da valentia, aceitando até passivamente o domínio do time de Tucuruí.

Um gol de Fabrício logo aos 2 minutos, em falha do zagueiro Martony, abriu caminho para a vitória do Galo Elétrico. Em desvantagem, o Remo não conseguia se aprumar em campo, errando passes fáceis e quase não arriscando no ataque. O time sofreu com a distância entre os setores, a má atuação dos volantes e zagueiros e a ausência de vida ofensiva.

A apresentação do Remo foi tão ruim que, em vários momentos, fez lembrar a desarrumação vista no time montado por Josué Teixeira para a Série C 2017. O ponto mais crítico foi a desconexão entre defesa e meio, com os zagueiros muito expostos. Ficou claro que a troca do trio de meio-campistas foi determinante para o mau rendimento geral.

Ney da Matta, em entrevista a Paulo Caxiado na Rádio Clube, reconheceu que as mudanças não surtiram o efeito desejado, mas atribuiu a derrota à falha que gerou o gol de abertura. Surpreendentemente, o técnico considerou satisfatória a atuação dos volantes Dudu e Felipe Recife, de desempenho errático ao longo dos dois tempos.

Já o Independente fez um jogo tranquilo e taticamente perfeito. Além do equilíbrio no meio-campo, com Fabrício e Chicão ditando o ritmo, a defesa foi sempre firme, tendo à frente o experiente Ezequias, premiado com o belíssimo segundo gol, aos 14 minutos, escorando cruzamento de Fabrício com uma cabeçada que saiu forte como um chute.

Mesmo recheado de veteranos, o Galo se posicionou com quatro peças no meio, explorando o conhecido vazio nas laterais do Remo infiltrando por ali os rápidos Chaveirinho e Rai. Acima de tudo, o time de Junior Amorim teve maturidade para administrar o jogo sem incorrer no vacilo de recuar excessivamente depois que construiu o placar.

No geral, um triunfo merecido do time que mostrou mais entrosamento e organização, sabendo explorar suas virtudes. O Remo não se encontrou em campo, praticamente não chutou a gol e se mostrou incapaz até de tentar até as jogadas de abafa no segundo tempo.

Mesmo levando em conta que a temporada está apenas começando, Ney da Matta terá muito trabalho para dar um perfil competitivo ao Remo. Com o elenco que têm à disposição, insistir no sistema 4-3-3 é uma opção temerária. 

O jogo em Tucuruí deve servir como alerta. A zaga é lenta, os laterais não apoiam, não há um organizador no meio e o ataque chuta pouco (e mal). No sábado, foram apenas dois chutes, sem maior perigo e já nos instantes finais da partida. 



COMENTÁRIOS mode_comment