OPINIÃO

Cai o primeiro chefão

POSTADO EM: Domingo, 24/12/2017, 10:41:14
ATUALIZADO EM: 24/12/2017, 11:22:29

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Reprodução

A condenação seguida de prisão imediata do ex-presidente da CBF José Maria Marin era a chamada pedra cantada, desde que foi desvendada a indústria das propinas, desfalques e fraudes montada dentro da Fifa. Como alto dirigente do futebol no Brasil desde os tempos de João Havelange, Marin, um dos baluartes da antiga Arena durante a ditadura militar, não tinha como sobreviver a uma apuração mais rigorosa.

Aliás, o rigor só foi possível porque o escândalo da Fifa foi encampado pelos organismos norte-americanos de investigação, FBI e Justiça Federal. Só assim Joseph Blatter e seus acólitos perderam blindagem, saindo diretamente das páginas esportivas para as editorias de polícia dos jornais.

Nenhum outro país mostrou-se suficientemente interessado em levar a cabo as investigações sobre os crimes cometidos em nome do futebol. No Brasil, pátria de tanta bandalheira no mundo da bola, várias denúncias foram apresentadas ao Ministério Público Federal e a outras instâncias, sem que qualquer providência prática fosse tomada.

Perdeu-se a conta de CPI’s criadas para levantar denúncias e apontar culpados no âmbito do futebol profissional, mas nada foi adiante. As fortes conexões existentes entre a CBF, o mundo político e setores da mídia jamais permitiriam qualquer avanço moralizador contra o próspero esquema de negociatas bancado pela entidade.

O sentido histórico do julgamento concluído na sexta-feira é que, pela primeira vez, um cartolão brasileiro foi apenado e encarcerado por falcatruas oriundas da longa atividade como dirigente profissional.  

A condenação de Marin é emblemática e pode levar ao enquadramento de peixes mais graúdos, como o ex-poderoso chefão Ricardo Teixeira, refugiado no interior do Rio desde que a casa caiu para Blatter & cia.

Teixeira está a salvo porque não há acordo de extradição que permita à Justiça norte-americana julgá-lo, como fez com Marin, apesar das robustas denúncias apresentadas contra ele e outras figuras, incluindo Marco Polo Del Nero e um time de empresários e grupos de comunicação nas Américas, entre os quais a Rede Globo em posição destacada.  

Del Nero também está livre das garras de Tio Sam pelas mesmas razões que contemplam Teixeira. O consolo é que a cruzada anticorrupção no futebol impede que a dupla ponha os pés fora do Brasil, sob pena de ser engaiolada na primeira escala da viagem.

Desgraçadamente, no âmbito interno, a situação permanece mais ou menos como sempre foi. Mesmo fustigada por acusações de toda espécie, a CBF desfruta das liberdades permitidas pela condição de entidade privada. Foge assim ao radar estabelecido pela Justiça brasileira quanto a atos de corrupção, como se a responsabilidade sobre uma atividade tão popular e importante para o país pudesse ficar acima da lei.

Bola na Torre

 Em ritmo natalino, o programa terá o comando de Giuseppe Tommaso, com as participações de Cláudio Guimarães e deste escriba de Baião. Começa às 21h, na RBATV.

Leão não desiste de Isaac para vestir a camisa 9

A diretoria autônoma de Futebol do Remo continua tentando acertar com o centroavante Isaac, ex-Sampaio Corrêa. O negócio esteve perto de ser fechado nos últimos dias, mas o jogador manteve uma pedida considerada ainda alta pelos azulinos.

Com proposta para disputar o Campeonato Paulista, o atacante pode ser seduzido pelo calendário que o Remo tem a cumprir em 2018, disputando quatro competições – Parazão, Copa Verde, Copa do Brasil e Série C.

Segundo fonte ligada à diretoria, a diferença entre as propostas do Remo e do clube de São Paulo não passa de R$ 4 mil, aumentando as possibilidades de que Isaac venha a ser o camisa 9 solicitado por Ney da Matta.

Outro aspecto que pode influir na decisão do atleta é a presença no Evandro Almeida de quatro velhos conhecidos de Sampaio – Esquerdinha, Jefferson Recife, Felipe Marques e Mimica (que jogou pelo Confiança em 2017).

 Um recado natalino

 Como o domingo é todo do Menino Deus, compartilho aqui versinho roubado de “Grande Sertão: Veredas” (de João Guimarães Rosa), para dar um tom mais adequado à coluna:

“O mais importante e bonito, do mundo, é isto:

que as pessoas não estão sempre iguais,

ainda não foram terminadas –

mas que elas vão sempre mudando.

Afinam ou desafinam. Verdade maior. (...)

Viver é muito perigoso; e não é não.

Nem sei explicar estas coisas.

Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor”.

Um Natal de paz a todos os baluartes da coluna.  



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