OPINIÃO

Campeão óbvio, vice altivo

POSTADO EM: Segunda-Feira, 18/12/2017, 07:46:24
ATUALIZADO EM: 18/12/2017, 07:46:24

A grande atuação dos zagueiros do Grêmio foi o que de melhor se viu na equipe brasileira que jogou a final do Mundial de Clubes, sábado, em Abu Dhabi, contra o Real Madri. O temido massacre da esquadra espanhola não ocorreu por obra e graça da dupla formada por Kannemann e Geromel.

Cristiano Ronaldo e seus companheiros chegaram com a volúpia de sempre, como se esperava, e chutaram bastante (20 vezes), mas o gol do título veio no segundo tempo em cobrança de falta, com facilitação dos homens da barreira. Aí, CR7 foi preciso e mortal, como sempre.

O hexacampeonato mundial do Real, recorde absoluto na competição, sairia de uma maneira ou de outra, tal a supremacia técnica do time dirigido por Zinedine Zidane. Por vários motivos, além da mera tradição.

Em primeiro lugar, a bola circula melhor e com mais acerto entre os jogadores merengues, em consequência de treinamento e aplicação. Há o fator confiança, vantagem natural e óbvia para quem joga num time medalhado, campeão e copeiro como o Real.

Acima de tudo, o favoritismo pode ser explicado pela presença de Cristiano Ronaldo, um craque que vive esplendoroso momento, letal mesmo quando em noite pouco inspirada. Ele explicaria depois que tinha problemas musculares, daí a pouca participação nas ações de ataque – finalizou apenas quatro vezes, abaixo de sua média normal.  

Acompanhei o jogo sem a preocupação patrioteira e estridente que dominou as narrações nos canais que transmitiam a final. Deu para observar que os beques gaúchos foram decisivos na batalha para que CR7 não brilhasse tanto, reduzindo com isso os danos que poderia causar ao Grêmio.

Precisos nas antecipações e perfeitos nos lances aéreos, Geromel e Kannemann jogaram em alto nível contra um Real que teve Modric, Varane, Casemiro e Marcelo em jornadas impecáveis. Justifica-se plenamente a idolatria que os gremistas devotam a Geromel, tornando ainda mais incompreensível sua ausência na Seleção que vai à Copa.

Os minutos iniciais foram parelhos, mas o Real aos poucos assumiu o controle e acelerou o ritmo, tornando quase impossível ao Grêmio suportar o cerco. Só mesmo a soberba performance defensiva – que inclui o goleiro Marcelo Grohe – impediu a queda ainda no 1º tempo.

Para cozinhar o galo sem se arriscar no ataque, a ponto de manter recuado até seu principal jogador (Luan), Renato Gaúcho se inspirava claramente nos êxitos de São Paulo (sobre o Liverpool, em 2005), Internacional (contra o Barcelona, em 2006) e Corinthians (sobre o Chelsea, em 2012), confrontos nos quais o sofrimento extremo foi recompensado com vitórias pela contagem mínima, em lances fortuitos de contra-ataque.

No fim das contas, o resultado foi justo, a partida não teve domínio avassalador do Real e o Grêmio se saiu dignamente, levando-se em conta o brutal desnível entre as equipes. De um lado, o campeão sul-americano, com dois ou três jogadores de alto nível e muita transpiração. De outro, um supertime, favorito em todas as disputas e integrado por jogadores caríssimos, craques e titulares nas seleções de seus países.

Acima de tudo, ao Grêmio resta o merecido orgulho de ter sido altivo no duelo com um dos gigantes do planeta.  

  

Leão treina em busca da sonhada afinação

 

O Remo, que inovou na apresentação do elenco profissional com festa para os torcedores no ginásio Serra Freire, sexta-feira à noite, apressa os preparativos para o Campeonato Paraense. O elenco está quase completo, restando apenas a chegada de um meia-atacante (pode ser o mineiro Andrei) e um centroavante.

Ontem pela manhã, no Ceju, o treino entre profissionais e jogadores do sub-20 colocou em ação pela primeira vez o que pode vir a ser o time da estreia no Parazão, embora sem que as peças estejam claramente definidas. Com as ausências de Levy e Esquerdinha, ambos em recuperação, o time teve Jayme improvisado na lateral direita e o novato Marcelo no ataque.

Oriundo das categorias de base do Remo, Marcelo está de volta ao clube para testes. Com a falta de um camisa 9, pode vir a ser aproveitado. Deixou boa impressão, fazendo assistências e marcando um gol. Felipe Marques e Adenilson também tiveram presença marcante no treinamento.

O time que abriu o coletivo teve Vinícius; Jayme, Alex, Bruno Maia e Fernandes; Geandro, Leandro Brasília, Rodriguinho e Felipe Marques; Elielton e Marcelo. Na segunda parte, Ney da Matta lançou Douglas Dias e uma nova defesa, com Diego, Mimica, Martony e Jefferson.

Apesar da movimentação de quase todos os jogadores no treinamento, será nos amistosos com o Castanhal, a partir do próximo fim de semana, que o técnico vai formatar o time titular.

 

 Com Del Nero fora de cena, a bola está com Nunes

 

Com Marco Polo Del Nero apeado do cargo temporariamente por decisão do comitê de Ética da Fifa, o coronel Antonio Carlos Nunes volta a comandar a CBF pelo critério da idade. É também um dos dirigentes mais ligados a Del Nero, daí sua escolha para a função. A essa altura, porém, a proximidade excessiva pode provocar danos irreparáveis.

O processo contra José Maria Marin nos Estados Unidos gerou documentação comprometedora contra Del Nero, que é investigado há dois anos pela Fifa. Nas internas, corre a informação de que ele não reassumirá mais a presidência da CBF, abrindo caminho para que Nunes fique no trono até as próximas eleições na entidade. 



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