GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta quarta-feira

POSTADO EM: Quarta-Feira, 13/12/2017, 08:20:08
ATUALIZADO EM: 13/12/2017, 08:20:08

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Fernando Torres/Paysandu

O adeus do artilheiro

Artilheiro da Série B, artilheiro do Parazão e principalmente jogador do Papão na temporada. Bergson, aos 26 anos, cimentou sua passagem pelo futebol paraense com performance acima da média entre os atletas bicolores e acabou previsivelmente valorizado, criando a irônica situação de se tornar proibido para o clube que o projetou.
Sua transferência para o Atlético-PR poderia entristecer o torcedor, que aprendeu a vibrar com seus gols durante o ano, mas entra na conta daqueles caminhos irreversíveis, ditados pelo sr. mercado que controla e manda no futebol hiper profissional deste começo de século.

A diretoria alviceleste fez o que era possível fazer dentro de limites pré-estabelecidos no planejamento estratégico do clube. Por essa resolução, o PSC não ultrapassa a faixa dos R$ 50 mil em salários pagos a atletas. É considerado o ponto máximo de segurança para acordos profissionais.

Pela qualidade e importância de Bergson, a diretoria abriu uma exceção, chegando a propor R$ 70 mil no primeiro ano, R$ 80 mil no segundo, com direito a premiações e bonificações por desempenho e conquistas – acesso, títulos e artilharia.

Ocorre que, confirmando o fosso que separa a Série B da Primeira Divisão, o clube não teve como fazer frente às ofertas que Bergson recebeu desde o término do Brasileiro. Esteve perto de fechar com o Botafogo, mas o negócio não saiu porque a pedida (R$ 150 mil) foi considerada alta pelos alvinegros.

A mesma situação ocorreria com Atlético Goianiense, Bahia e Vasco. O São Paulo chegou a manifestar interesse, mas os entendimentos com o Atlético Paranaense já estavam bem avançados.

O rubro-negro do Paraná propôs R$ 110 mil de salários no primeiro ano, R$ 120 mil no segundo, mais luvas de R$ 300 mil, além de bônus e gratificações. Bergson aceitou e confirmou o acordo na manhã de ontem.

Além dos valores, cativou o jogador a solidez da gestão e a estrutura disponibilizada pelo Furacão. Ao Papão restou agradecer pelos bons serviços prestados, com a certeza de que era absolutamente inviável superar a oferta paranaense.

Independentemente dos detalhes da transação, Bergson estava disposto a buscar novos ares, de preferência na Série A ou no futebol internacional, para onde só não se transferiu porque as propostas surgiram de centros pouco tradicionais.

O jogador – e seu pai e procurador – sabia que era o grande momento da carreira e que deixá-lo passar poderia gerar frustrações lá na frente. Que seja bem sucedido no Furacão, que pode ter Clarence Seedorf como técnico em 2018.

Campinhos da periferia geram doces reminiscências

A respeito da crônica de anteontem, sobre a extinção dos campos de pelada, os amigos Ronaldo Passarinho e Hélio Mairata escrevem à coluna para generosamente corrigir algumas omissões cometidas no texto.

Ronaldo observa, por exemplo, que a coluna esqueceu de citar o campo de medidas oficiais do antigo Liberto, ali na Padre Eutíquio com Caripunas, em Batista Campos, e o do São Domingos, na Tamoios.

“Jovens estudantes, fundamos em 1953 o Atlético Batista Campos. Éramos registrados na então Federação Paraense de Desportos – Futebol de Salão. A maioria dos campeonatos era disputada na quadra do São Domingos, na Roberto Camelier. O nosso ABC tinha como sede os bancos da bela praça Batista Campos, com direito a hino composto por Noca do Cavaquinho, que depois virou Pinduca, hoje consagrado como Rei do Carimbó”, conta Ronaldo.
Acrescenta que, em 1968, conheceu no São Domingos o jovem Valtinho, que defendia o Imperial. No mesmo ano, foi convidado para jogar pelo Remo profissionalmente, sagrando-se campeão daquele ano.

Mairata também cita o saudoso campo do São Domingos. “Lá vi o Oratório campeão sobre o Norte Brasileiro. Também lá ocorreu um episódio que hoje acho hilário. Decisão do campeonato bancário entre Bancrévea x Banpará. Bancrévea jogava pelo empate. No Banpará, pontificavam entre outros, veteranos do futebol, como o Carlos Alberto (Urubu), Nascimento, Charuto, Zé Carlos, Itamar, Galo Velho. Jogo em 0 x 0 quando o árbitro, Antonio Santos, apitou o término ainda aos 30 minutos do segundo tempo, afanando o Banpará, que encurralando o adversário, perdeu 15 minutos de tempo regulamentar para desempatar a partida. Saí correndo atrás do árbitro (que era franzino) dando uma volta em todo o campo. Nisso, um ‘armário’ do Basa se postou à minha frente para defender o juizeco e quis me peitar. Mas, aí o Urubu (Carlos Alberto) me afastou e ameaçou: ‘Se bater nele vais levar de mim’. Nunca esqueci essa cena inédita na minha vida. Eu, com meu físico de jogador de baralho, tentar bater no juiz... Ah, sim. À época eu trabalhava no Banpará, só depois fui para o Basa”, relata.



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