OPINIÃO

A legião sertaneja

POSTADO EM: Quarta-Feira, 06/12/2017, 07:17:37
ATUALIZADO EM: 06/12/2017, 07:17:37

Pode-se até colocar em dúvida a consistência do projeto de reconstrução do Remo depois do fatídico 2017, mas é inegável que a diretoria de Futebol encontrou um perfil mais próximo da realidade do clube para estruturar o elenco que vai tentar quebrar o jejum de títulos na próxima temporada. A partir das indicações e critérios do mineiro Ney da Matta, o grupo de jogadores ganha feições marcadamente nordestinas.

Do total de atletas contratados até o momento, a imensa maioria vem da região mais ensolarada do país, conhecida por forjar gente de fibra e alta resistência. Euclides da Cunha, no clássico “Os Sertões”, escreveu que o “sertanejo (nordestino) é, antes de tudo, um forte”. Nada mais emblemático e verdadeiro.

Da Matta, mesmo oriundo das Gerais, parece botar fé na sentença euclidiana. Nos 14 reforços confirmados, a colônia nordestina é predominante, seja pela origem natural ou pela experiência nos clubes da região. A lista começa pelo goleiro Douglas Dias, paulista criado no Ceará e revelado nas divisões de base do Fortaleza.

O rodado lateral Esquerdinha fez carreira no Sampaio Corrêa, mesmo clube que serviu de vitrine para Mimica, zagueiro; Jefferson Recife, lateral; e Felipe Marques, atacante. O meia Adenilson veio do Fortaleza e o volante Fernandes passou pelo Campinense, Treze da Paraíba e Icasa cearense.

Há, obviamente, a preocupação em atender as próprias características da Série C, que tem um predomínio de clubes do Nordeste. As batalhas mais encarniçadas do Remo na competição foram contra adversários da região. Não por acaso, o acesso à Série B contemplou três dos times do grupo A, que abriga o Leão – Fortaleza, Sampaio Corrêa e CSA.

Para 2018, a constituição do grupo A retrata a força do futebol nordestino na competição, com nada menos que oito participantes – Remo e Atlético Acreano são os nortistas da chave. Tal realidade respalda a estratégia da diretoria remista e do técnico Ney da Matta.

A ideia é correta, resta saber se, na prática, os jogadores até agora agendados irão corresponder às expectativas quanto a comprometimento, nível técnico e regularidade, quesitos que fizeram terrível falta no campeonato deste ano. 

 

 

Direto do blog

 

“Corinthians, Palmeiras e Santos, nessa ordem, são os cabeças da Série A 2017. Mostra a força econômica, política e de organização do futebol paulista frente ao das demais regiões. A cada ano esse abismo entre os times de São Paulo e os outros se alarga, consequência da insana e injusta distribuição de cotas imposta pela Globo com anuência e conivência da CBF. Os quatro grandes de São Paulo, mais o Flamengo, abocanham anualmente a maior parte do dinheiro gerado pelo campeonato brasileiro e outras competições controladas pela Globo. O time do Rio só não ganha campeonatos a rodo porque, ao contrário dos paulistas, é desorganizado e pedante. Times de outros Estados, com exceção de Inter, Grêmio, Atlético-MG e Cruzeiro, que de vez em quando beliscam uma taça, vão viver sempre na pindaíba se nada for feito para mudar essa relação promíscua entre CBF e Globo. Quanto ao Botafogo, vítima da relação mencionada, não pode haver desculpa pelas lambanças cometidas. Entre elas estão as contratações e dispensas desastrosas de jogadores. Como exemplo, houve a contratação do caro e bichado Montillo e a transferência de Camilo para o Inter. Os dirigentes também foram inábeis na formalização de contratos com os jogadores. Não acreditavam no potencial de quem estavam contratando, como no caso de Roger e Bruno Silva. Com o sucesso relativo do time na Libertadores, esses jogadores foram se valorizando e sendo assediados por outros clubes ao mesmo tempo em que venciam seus contratos. Ora, a cabeça deles na reta final do Brasileirão estava no futuro, no destino a seguir, e não mais na disputa em questão. Não há como cobrar profissionalismo do jogador se os dirigentes são desprovidos dessa virtude. (...) Parece pouco, mas para quem não tem nada é muito: o Botafogo tem de levar a sério o Campeonato Carioca e a Copa Sul-Americana e, depois, pensar em voos mais altos como Brasileiro e Copa do Brasil”.

 

Miguel Batista Silva, baluarte do blog campeão

 

 

Josué esclarece pontos e cobra melhor avaliação

 

Em conversa mantida ontem, por WhatsApp, o técnico Josué Teixeira (ex-Remo) respondeu a críticas que fiz neste espaço à qualidade das contratações feitas por ele no começo do ano e à opção por desmanchar o time que havia disputado o Parazão. Observa que omiti o fato de que o grupo montado para a Série C fez 5 jogos e estava no G4 quando ele deixou o cargo, sendo em seguida desmontado pelos dirigentes.

Considera injusta a atribuição de culpa pelo fracasso remista no Brasileiro, quando, “apesar de todas as trocas de comando e jogadores, perdeu a vaga na última rodada”. Entende que merecia ser melhor avaliação.  

Ressalta que teve o melhor aproveitamento entre os treinadores. “De 15 pontos disputados, ganhamos 8. Na sequência, de 12 pontos ganharam 4 e terminaram com 27 ganhando 10 pontos”, argumenta, ponderando que merecia melhor avaliação após cinco derrotas em seis meses de gestão. Destaca também que “todos sabiam da real situação do clube”.

De minha parte, mantenho as ressalvas aos critérios de contratação. O fato de o clube passar por aperreios financeiros não pode justificar tantos equívocos na aquisição de jogadores inadequados, muito pelo contrário. Os erros posteriores a Josué não eliminam a gravidade das falhas cometidas de início, por ele e – principalmente – pelos que respaldaram suas decisões.




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