OPINIÃO

Sinais de sobriedade

POSTADO EM: Segunda-Feira, 04/12/2017, 08:17:35
ATUALIZADO EM: 04/12/2017, 08:17:35

Sinais de sobriedade

O Remo dá início hoje, complementando amanhã, à apresentação oficial de elenco e comissão técnica para a próxima temporada. Com 21 jogadores no grupo até o momento, a lista tem posições carentes, mas pode ser ampliada com a confirmação de Gonzalo Latorre, atacante uruguaio que pode vir a ser cedido pelo Cruzeiro aos azulinos.

As indicações de atletas foram feitas pelo técnico Ney da Matta (foto), levando em conta as limitações orçamentárias do clube. Nesse aspecto, cabe ressaltar a diferença de postura em relação ao que foi feito no começo de 2017, quando toda a responsabilidade quanto a contratação de reforços foi repassada ao técnico Josué Teixeira.

Como se sabe, a política de buscar jogadores desconhecidos no mercado do Sul e do Sudeste acabou se revelando desastrosa. A prospecção não foi bem realizada e, ao cabo de tudo, o principal prejudicado foi o clube, obrigado a disputar a principal competição do ano – Série C – com um elenco de baixíssima qualidade.

Muito se culpou Josué pelas escolhas equivocadas, mas o maior responsável pelo desastre foi o próprio comando administrativo do clube, que tratou a questão da procura por jogadores com total descompromisso.

Desta vez, a partir do trauma vivido no Brasileiro, o clube formou um corpo dirigente exclusivo para o futebol profissional e os passos dados têm sido bem calculados, evidenciando seriedade de propósitos e rigor quanto às escolhas.

Boa significativa do lote de contratados está na faixa de 30 anos ou até acima, o que inspira preocupação, mas a palavra de Ney da Matta tem sido decisiva para as aquisições. Ao torcedor resta esperar para conferir o nível dos novos jogadores, torcendo para que o clube não erre nas proporções tsunâmicas deste ano.

Um aspecto, acima de todos, deve ser levado em consideração. A montagem do elenco para a temporada está começando agora, permitindo que o time entre no Campeonato Estadual e na Copa Verde já com a força máxima, ao contrário do que ocorreu sob a gestão de Josué Teixeira, que primeiro privilegiou a prata da casa e mudou radicalmente a equipe para o Brasileiro da Série C.

A sobriedade tem dado o tom das decisões azulinas até agora. O ponto fora da curva pode ser a contratação de Latorre, que é jovem e bem recomendado, mas que não emplacou no Cruzeiro. A última experiência do Leão nessa área, com o argentino Nano Krieger, não foi bem sucedida, deixando no ar um certo trauma com relação a atletas estrangeiros.

 

Quando o coletivo sufoca as individualidades

 

O Campeonato Brasileiro da Série A terminou ontem sem deixar na memória nenhum destaque excepcional. Não que isso constitua novidade. Nos últimos anos, a competição pouco revelou no âmbito individual. Os times que triunfam baseiam seu poder de fogo no jogo coletivo.

Foi assim com o Palmeiras, no ano passado, e com o Corinthians de Fábio Carille. As conquistas são merecidas e incontestáveis, mas o futebol apresentado fica muito longe das expectativas mais módicas do torcedor.

Reflexo da própria estiagem de talento no país pentacampeão, a Série A deste ano foi particularmente discreta na revelação de destaques individuais. Votar na seleção do ano, a convite da Comunicação da CBF, foi tarefa árdua.

Para melhor da competição, depois de muito matutar, optei por Bruno Henrique, atacante subestimado e quase sempre decisivo no Santos. Foi um dos responsáveis pela campanha que permitiu ao Peixe se equilibrar entre os cinco primeiros durante quase toda a disputa.

Bruno Henrique, por sinal, foi um dos esquecidos por Tite nas experiências com a Seleção Brasileira. Rápido, driblador e com bom aproveitamento nas finalizações, impressiona pela frequência com que empreende bons ataques.

Meu voto seria preferencialmente para Luan, que iniciou bem no Brasileiro, mas acabou afetado pela opção do Grêmio em priorizar a Libertadores. Outro gremista, porém, levou meu voto de jogador-revelação: Arthur, que mantém uma regularidade impressionante, rendendo sempre bem seja na Série A, seja na Libertadores.

No meu time ideal, o técnico escolhido foi Fábio Carille, obviamente, pelo excepcional trabalho à frente do Corinthians. O técnico-revelação é Jair Ventura, cujas desventuras na reta final do Brasileiro e consequente perda da vaga à Libertadores, não anula seu papel de quase milagreiro no limitadíssimo elenco botafoguense deste ano.

 

Zona de turbulência impõe atitude mais destemida

A saída de Vandick Lima, dos três diretores do setor de futebol e a liberação de jogadores emblemáticos, como Emerson e Augusto Recife, trouxeram ao ambiente do Papão nos últimos dias uma nuvem de instabilidade que raramente assombrou a Curuzu desde que o grupo Novos Rumos assumiu a gestão do clube.

Nada tão grave a ponto de disparar uma crise interna, mas suficiente para fazer com que várias frentes da administração sejam reanalisadas. A principal, neste momento, talvez seja a maneira de se comunicar com o mundo. O Papão se modernizou em quase tudo, mas não pode ter receio de encarar suas próprias verdades.    



COMENTÁRIOS mode_comment