GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta segunda-feira

POSTADO EM: Segunda-Feira, 27/11/2017, 08:26:10
ATUALIZADO EM: 27/11/2017, 08:26:10

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Miguel Riz/Barcelona

Melhor e mais valioso

Lionel Messi virou a notícia do fim de semana, com a assinatura de um contrato monumental com o Barcelona no inacreditável valor de R$ 2,7 bilhões. Há muito tempo que o futebol profissional anda brincando com cifras que fogem à compreensão dos simples mortais. Em escala menor, foi assim quando o Real Madri contratou Zinedine Zidane, quando Cristiano Ronaldo trocou o Manchester United pelo próprio Real e, recentemente, quando o PSG tirou Neymar do Barcelona.

São quantias tão atordoantes que há dúvida quanto à existência real de todo esse dinheiro. Mais que isso: negócios tão fabulosos suscitam logo desconfianças quanto à origem de tanta grana. É certo que os gigantes do futebol europeu têm recursos e faturam alto com direitos de transmissão, patrocínios e bilheterias, mas é verdade também – vide o Barcelona de Sandro Rosell – que as maracutaias também rondam as principais transações.

De toda sorte, Messi é hoje o atleta mais valorizado do mundo na cena futebolística. Aos 30 anos, com a marca incrível de 523 gols em 602 partidas, caminha para se tornar invencível no aspecto monetário, pelo menos por mais cinco anos. O contrato tem validade de quatro anos, embora a ciranda financeira no mundo da bola já não garanta plena garantia de que um clube consiga segurar um atleta por tanto tempo.

Ocorre que, com a multa rescisória fixada em R$ 2,7 bilhões, o craque argentino passa a valer o triplo que seu amigo Neymar, negociado com o PSG por R$ R$ 821,4 milhões. O salário anual de La Pulga gira em torno de 50 milhões de euros, coerente com a montanha de dinheiro estabelecida pela multa contratual.

É lícito imaginar que a pressa do Barcelona em assegurar mais quatro anos, praticamente o restante da vida útil de Messi como atleta de alto nível, depois do abalo sísmico causado pela perda inesperada de Neymar para o PSG, turbinado pelo dinheiro dos grandes magnatas árabes.

Messi tem hoje o mundo aos seus pés no que se considera a hierarquia máxima do futebol. Falta-lhe apenas um título mundial com a Argentina, carência que o distancia ainda das glórias de Diego Maradona junto aos seus compatriotas. O detalhe é de menor importância para o Barcelona, que se dá por satisfeito com os 30 títulos obtidos ao longo da era Messi.

Artur e Léo Goiano sobem com Braga e Pebas

Artur Oliveira volta a triunfar no futebol paraense, justificando o apelido de “Rei” outorgado há anos pela massa remista. Conduziu o Bragantino de volta à primeira divisão estadual, superando com folga (3 a 0) o Sport Belém, ontem à tarde.

Em Santa Izabel, o Parauapebas de Léo Goiano sobreviveu à perda de um pênalti logo aos 9 minutos e derrotou o Izabelense por 2 a 1, garantindo o acesso.
Duas vitórias merecidas, coroando excelentes campanhas na Segundinha.

Erros primários põem Muralha sob ataque infernal

A internet bomba sempre que o Flamengo joga com Alex Muralha de titular. Por falhar quase sempre, o arqueiro rubro-negro se tornou alvo obrigatório de sarros, zoações e até insultos. A situação se repetiu na partida de ontem contra o Santos, quando foi responsável direto pela derrota de sua equipe.

O lance ocorreu quando o Flamengo ganhava por 1 a 0. Lá pelas tantas, o goleiro recebeu uma bola recuada e inventou de sair jogando com os pés, tentando driblar um atacante. Sem habilidade, perdeu a bola e acabou presenteando o ataque adversário. Bruno Henrique não desperdiçou a chance.

De imediato, as redes sociais passaram a estampar o conhecido rosário de piadas de todo tipo envolvendo Muralha, partindo dos torcedores adversários do Flamengo. A impressão é de que os ‘memes’ já ficam prontos de véspera, só aguardando novas falhas do goleiro.

Diante da má fase crônica que se abateu sobre o goleiro e com o consequente linchamento virtual, soa esquisito que a comissão técnica do Flamengo não pense em poupá-lo por uns tempos. Seria generoso e humano. Do jeito que a coisa vai, Muralha está muito perto de virar sinônimo de goleiro ruim e frangueiro.

Fazia tempo que a situação não ocorria com um grande clube no Brasil. São raros os casos de permanência de um goleiro que comete tantas falhas como Muralha. O normal é que, após um ou dois erros, o goleiro seja sacado da equipe, até para preservá-lo, dando tempo para que se recupere ou para que o torcedor esqueça suas mancadas.

No Flamengo atual, dirigido por um técnico estrangeiro, o desempenho de Muralha revolta a torcida e põe em risco até a integridade física do atleta. Os companheiros apoiam, dão entrevistas incentivando o jogador e afirmando confiar nele, mas nada disso se mantém de pé diante de erros crassos, como os cometidos no jogo diante do Peixe.

É natural que o sistema defensivo de um time se fragilize ainda mais com a presença de um goleiro inseguro, que não inspire confiança. Muralha hoje é certeza apenas de falhas tanto em bolas dirigidas ao gol como em jogadas precipitadas como a que originou o gol de empate santista.

Muralha viveu dias melhores no Flamengo. Tite chegou a convocá-lo no começo de seu trabalho na Seleção Brasileira. É claro que foi daqueles chamados que parecem atender a uma cota que clubes de massa costumam ter no escrete, mas atestou que o guardião tinha qualidades. Depois da passagem pela Seleção, as falhas passaram a persegui-lo.

O bom senso manda que o profissional seja preservado, passando um tempo em recondicionamento técnico ou mesmo afastado do grupo principal de jogadores. Do contrário, a recuperação será praticamente impossível.



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