A tirania do tempo

POSTADO EM: Terça-Feira, 14/11/2017, 08:01:43
ATUALIZADO EM: 14/11/2017, 08:01:43

A tirania do tempo

O capitão Gianluigi Buffon não podia ter sido mais brilhante na definição da dor pela eliminação italiana na repescagem europeia para a Copa de 2018. O veterano goleiro disse, entre soluços e lágrimas, ainda no gramado do San Siro, que “o tempo passa, é tirano... e é justo que seja assim”. Resumiu, em essência, o que significa o futebol como paixão, forma popular de arte e singular manifestação social. Não por acaso, é a mais importante dentre as chamadas coisas desimportantes.

Buffon, com a sabedoria de quem joga futebol há mais de duas décadas, entende como poucos o que significa ser barrado no baile maior. É algo como ser rejeitado pela garota mais bonita das festinhas de colégio. Ele sabe também que perdas desse porte não têm remédio e duram para sempre. Nós sabemos bem disso, pois aqueles 7 a 1 de Belo Horizonte ainda estão bem vivos na memória.

Para o melhor goleiro de sua geração, ficar fora do Mundial da Rússia representa um baque ainda mais significativo porque seria o fecho de uma carreira brilhante. Caprichosamente, os deuses da bola que um de seus mais vitoriosos filhos sofresse a dor e a humilhação de ficar longe da Copa após uma já constrangedora etapa de repescagem.

Na verdade, a tetracampeã mundial (1934, 1938, 1982, 2006) Azzurra começou a se distanciar do torneio quando tropeçou seguidamente nas eliminatórias, sem encantar a torcida e deixando sempre muitas inquietações pelo mau rendimento do time. Buffon seguia como solitária unanimidade e talvez fosse um dos poucos a não merecer a desdita confirmada ontem, em San Siro, diante do frio e esquemático escrete sueco.

Depois que a Itália perdeu a primeira partida, em Solna, por 1 a 0, ficou a quase certeza de que uma reviravolta seria improvável. Tenso e instável, o time italiano foi para o jogo ontem com um imenso peso nas costas, o de tentar impedir a repetição do vexame da eliminação ocorrido há 59 anos. (Para os que adoram coincidências numéricas, foi na ausência da Itália em 1958 que o Brasil conquistou sua primeira e única Copa dentro do continente europeu).

Ontem, apesar da febril insistência, principalmente nos 45 minutos finais, a esquadra azul não conseguiu furar a muralha sueca. Não faltaram lances polêmicos, como um penal claro não marcado para a Suécia no começo da partida. A emoção final, porém, ficou por conta do drama nas arquibancadas e em campo.

Para os italianos, como Buffon, uma tristeza sem cura. Para os fãs do futebol, uma baixa terrível. Depois da não classificação da Holanda, a Copa russa perde outra legenda insubstituível. São nesses momentos que o regulamento modernoso da Fifa mostra seus terríveis furos. É inadmissível que um país tetracampeão fique fora da festa maior.

Direto do blog

“Em entrevista, o executivo de futebol Zé Renato informou que o planejamento aponta para um elenco de 28 atletas. Informou que o clube já conta com 12 atletas, sendo cinco que ficaram da temporada passada e mais 7 que subiram do sub-20.

Ele e o Paulinho Araújo, diretor de base, estão observando jogadores da segundinha do Parazão e pretendem contratar aqueles que se destacarem. A ideia é trazer poucos jogadores de fora do Estado.

Parece que esse é o caminho, pelo menos para o Parazão. Acho que essas ideias já têm influência do técnico Ney da Matta, que sabe trabalhar com jogadores da base, e tenho certeza de que aqueles que aproveitarem a oportunidade terão chances de jogar o Brasileiro”.

Janderson Ferreira, um torcedor azulino que ainda tem fé.

Desafio para o Papão – e para Marquinhos

Enfrentar um Ceará empolgado com a perspectiva do acesso, dependendo da vitória para se garantir na Série A 2018, não é tarefa fácil para ninguém. Muito menos para o hesitante Papão de Marquinhos Santos, que belisca pontos preciosos fora de casa, mas não se apruma dentro de seus domínios.

O esquema que vinha funcionando bem, com dois meias e dois atacantes, mostrou-se trôpego no confronto de sábado diante do Brasil. Pior que isso: o time inteiro não evidenciou firmeza de convicções quanto às suas forças.

Por sorte, o rebaixamento é improvável, ainda que seja matematicamente possível. Ocorre que, ao assustar e frustrar a torcida na Curuzu, a equipe deixou vulnerável a figura do técnico Marquinhos Santos, que já era dado como quase certo para a próxima temporada.

O tropeço diante dos gaúchos complicou os planos de permanência do treinador e deixou para a partida de hoje, na Arena Castelão, uma espécie de sentença definitiva. Caso haja nova derrota, o Papão pouco sofrerá em termos de classificação, mas o técnico ficará em situação quase insustentável.



COMENTÁRIOS mode_comment