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(Foto: Fernando Torres/Paysandu)

A caminho da glória

Terça-Feira, 16/05/2017, 07:31:52 - Atualizado em 16/05/2017, 08:49:53

A vida de técnico de futebol é uma eterna montanha-russa. Apesar de valorizada financeiramente, é uma atividade de alto risco, pois depende essencialmente de resultados. Por vezes, o trabalho é até meritório, mas as peças não se encaixam e as vitórias rareiam. Além dessa característica singular, é ofício sob permanente julgamento de uma corte rigorosa, que se deixa levar por motivações quase sempre emocionais: a torcida.

Tome-se o caso de Marcelo Chamusca como exemplo. Depois de um período meio conturbado junto aos torcedores, ele está bem perto de repetir o feito de Dado Cavalcanti no ano passado: levantar duas taças no primeiro semestre. Contra o Luverdense, hoje à noite, o Papão pode se sagrar bicampeão da Copa Verde. Para isso, terá que mostrar capacidade de superação para descontar a vantagem do adversário no placar agregado.

Há cinco meses no comando técnico do Papão, Chamusca encontrou de início muitas dificuldades para montar um time competitivo, sofrendo com o fraco rendimento de alguns contratados e errando a mão em certas escolhas. Aos poucos, com a evolução natural quanto ao condicionamento físico, os resultados começaram a aparecer.

Enquanto o time penava para superar adversários limitados no Campeonato Estadual e na Copa Verde, Chamusca enfrentava questionamento cada vez mais forte. O conflito chegou a um ponto crítico na partida contra o Galvez, na Curuzu, válida pela primeira fase da CV.

Depois da má apresentação do time, que chegou a ser dominado e esteve a pique de ser eliminado pelo representante do Acre, os torcedores vaiaram e protestaram nas arquibancadas. Chamusca reagiu atribuindo a manifestação a grupos específicos, que queriam prejudicar seu trabalho.

Desde então, a relação entre técnico e torcida se tornou delicada, sujeita a solavancos e queixas. O comportamento tímido da equipe contra o Santos-AP no jogo de ida em São Luís, com baixa produção ofensiva, voltou a inquietar a Fiel. Na volta, em Belém, o time reagiu e se classificou.

O principal motivo das cobranças era a falta de confiabilidade do time, sempre sujeito a apagões e com escasso repertório ofensivo. A insistência com jogadores que não rendiam – como Sobralense, Wesley e Lombardi – também contribuíram para afetar a aceitação do trabalho de Chamusca.

A conquista do título estadual sobre o maior rival foi como um bálsamo. A vitória alcançada no último minuto do clássico eletrizou a torcida e fez com que a zanga se transformasse em aplauso.

Um claro sinal disso é que, três dias depois da vitória sobre o Remo, a queda frente ao Santos no Mangueirão foi assimilada com tranquilidade e  grandeza. Mesmo triste pela eliminação na Copa do Brasil, o torcedor aplaudiu o time agradecendo pelo bicampeonato paraense.

Chamusca tem indiscutíveis méritos na ascensão do Papão. Sofreu enquanto os jogadores não assimilavam o esquema proposto. As vitórias aconteceram quando a qualidade técnica começou a se manifestar. Bérgson, Perema, Rodrigo e Leandro Carvalho são exemplos dessa evolução.

Caso consiga pular o obstáculo representado pelo LEC hoje à noite, com o time mostrando organização e comprometimento, Chamusca estará inevitavelmente nos braços do povo bicolor, confirmando que no futebol uma linha tênue separa o inferno do céu.


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