O preço do sucesso

Quinta-Feira, 04/05/2017, 07:35:12 - Atualizado em 04/05/2017, 07:35:12

Às voltas com três decisões nos próximos 12 dias, o Papão encara o dilema de ter que eleger prioridades, se é que isso é possível para um clube de massa. No futebol, como em qualquer outra competição, é legítimo e natural querer ganhar tudo. O problema é que determinadas circunstâncias podem conspirar contra, fazendo com que não se conquiste nada.

No confronto que abre a final da Copa Verde, hoje à noite, em Cuiabá, o Papão deve apresentar um time quase alternativo, que lembra um pouco o que enfrentou o São Francisco (3 a 0) e o Independente (1 a 0) na etapa classificatória do Parazão. A experiência funcionou bem, tanto é verdade que alguns nomes passaram a efetivos.

Em meio à maratona provocada pela chegada às finais do Estadual e da CV, mais a briga pela classificação na Copa do Brasil, a comissão técnica se vê obrigada a poupar peças de olho nos próximos duelos (Remo no domingo, 7; Santos na quarta-feira, 10, e Luverdense, dia 16).

É o chamado preço do sucesso. Caso tivesse ido mal das pernas, nem tivesse um mínimo de sorte, o Papão estaria livre das decisões e da sobrecarga proveniente de tantos jogos em sequência.

O terrível dilema está nos riscos dessa tomada de decisão. Afinal, cabe poupar titulares num confronto que pode comprometer a luta pelo bicampeonato da CV¿ A título de não precipitar lesões mais sérias, o técnico optou por não levar a Cuiabá o artilheiro Bergson, o zagueiro Gilvan e o volante Wesley, titulares absolutos da equipe.

A sorte está lançada. Na hipótese de resultado insatisfatório, surgirão críticas pela prioridade dada ao Campeonato Estadual. Se, ao contrário, o time tiver bom desempenho frente ao Luverdense, Chamusca será aclamado pela estratégia inteligente. Como se sabe, muitas vezes a diferença entre gênio e bestial é apenas uma questão de circunstância.

Não se pode esquecer que, para chegar à terceira final de Copa Verde, o time não encontrou facilidades, apesar do nível técnico dos adversários nas fases classificatórias. Precisou de nervos de aço contra o modesto Galvez do Acre, passou com certa dificuldade pelo Águia e se classificou superando o Santos do Amapá em dois jogos complicados. Cabe observar que, em nenhum desses cruzamentos, passou confiança absoluta.

Em meio a isso, Chamusca continua a ser questionado por grande parte da torcida, mesmo exibindo números interessantes. Até o jogo contra o Santos na Vila Belmiro, mantinha invencibilidade de 15 partidas. No Parazão, não perde há nove jogos.

Paga o preço da ausência de peças qualificadas nos setores vitais da equipe, a começar pela meia-cancha, onde Diogo Oliveira e Daniel Sobralense não vingaram. Sem um centroavante que convença, o ataque sobrevive da rapidez e do oportunismo de Bergson, o que é muito pouco. Deu para o gasto até aqui, mas é temerário garantir que vai continuar a dar certo.

A sorte está lançada. Na hipótese de resultado insatisfatório, surgirão críticas pela prioridade dada ao Estadual, obviamente em nome da rivalidade histórica. Se, ao contrário, o time se sair bem frente ao Luverdense, Chamusca será aclamado pela estratégia inteligente.

Como se sabe, muitas vezes a diferença entre gênio e burro é apenas uma questão de circunstância ou ponto de vista. A conferir.


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