Importância do maestro

Quarta-Feira, 03/05/2017, 07:04:07 - Atualizado em 03/05/2017, 07:04:07

Um camisa 10 legítimo é hoje, seguramente, o maior trunfo que um time pode ter. Refiro-me a times normais, sem supercraques.  O futebol fica sempre mais bonito de ver quando há vida inteligente no meio-de-campo. Desconfio sempre de equipes alicerçadas sobre o primado dos volantes. Quanto mais carregadores de piano em ação, mais possibilidades de um jogo faltoso e sem inspiração.

Ontem à tarde, a TV mostrou o Real Madri estraçalhando o Atlético de Madri. Zidane versus Simeone. Um massacre. Cristiano Ronaldo e Toni Kroos colocando abaixo a estratégia de marcação dura que o Atlético costuma empregar com razoável sucesso.

Dei uma rápida passada pela Europa, mas o foco deste comentário é a situação da dupla Re-Pa, cuja exibição no domingo passado foi tediosa ao extremo. E por um motivo simples: sobrou cabeça de área, mas faltou cabeça pensante nos dois lados.

No Papão, Diogo Oliveira é o articulador, mas atuou no Re-Pa como se fosse um reles armandinho do passado, um burocrata a distribuir passes laterais. Cabe aqui observar que o meia-armador clássico é o homem que mais busca saídas inventivas. Por isso, não teme o erro.

No time de Marcelo Chamusca, ninguém assumiu riscos, nem mesmo o camisa 10, que passou longe do condutor que a equipe tanto necessitava.

A situação não foi muito diferente no Remo, onde os atacantes dependiam de chutões do goleiro e dos beques. Qualquer garoto peladeiro sabe que ligação direta é recurso de quem não tem um organizador na meia-cancha.

Aí está refletido o valor que Flamel tem para o Remo atual. Ele é um dos destaques do campeonato (está em minha lista dos melhores na votação do Troféu Meio de Campo, da TV Cultura) e sua ausência representou grande prejuízo ao combalido grupo azulino.

Sem ele, o Remo caiu na Copa do Brasil contra o Brusque e na Copa Verde para o Santos-AP. Esses dois fatos já explicam o tamanho do problema que Josué Teixeira teve que enfrentar nos últimos jogos, sendo que Flamel nem é um meia-armador de ofício. Já foi. Hoje é mais meia-atacante, atuando numa faixa menor do campo, a partir da intermediária inimiga.

Aos 33 anos, não pode ser o homem da transição, função que exige velocidade e resistência, mas é o maestro do time. Controla, lidera, acalma. Sem ele, a companhia fica previsível demais. Com ele, o ataque adquire habilidade no passe decisivo. Pode também ser o responsável pelo arremate preciso, tanto em corrida como em bolas paradas.  

O fato é que Leão e Papão precisam de jogadores que tenham (e mostrem) liderança técnica em campo. A ironia da história é que, às vezes, eles só têm a importância reconhecida quando estão ausentes.


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