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(Foto: Reprodução)

Homem-bomba

Domingo, 30/04/2017, 09:53:27 - Atualizado em 30/04/2017, 09:54:10

Homem-bomba A coisa foi tão feia que a Conmebol, normalmente lerda nesses assuntos, já aplicou gancho provisório de três jogos em Felipe Melo pela baderna generalizada no estádio Centenário no meio da semana, por ocasião do jogo entre Peñarol e Palmeiras pela Libertadores. Fazia tempo que a competição não registrava cenas tão bizarras quanto as agressões promovidas e provocadas pelo volante palmeirense contra jogadores uruguaios.

O mais grave de tudo é que foram ações premeditadas e anunciadas através da imprensa. Felipe Melo afirmou, logo após a partida realizada em S. Paulo, que iria esmurrar um uruguaio. Falou com a empáfia própria dos boçais, como se estivesse proferindo frase de profundo alcance intelectual.

Sim, Felipe Melo se orgulha de ser brucutu. Acha que as coisas podem ser resolvidas em campo como nos idos de 1950 e 1960 quando era possível ganhar no muque. É daqueles atletas que acreditam que o futebol é um mero pretexto para distribuir socos e pontapés. O tal fair-play (jogo limpo), tão defendido pela Fifa, é brincadeira de crianças para figuras desse naipe.

Eu tive o desgosto de assistir, na Copa 2010, na África do Sul, o volante carniceiro aprontar das suas envergando a mítica camisa canarinho. Homem de confiança – sabe-se lá o que isso queira dizer – do capitão do mato Dunga, Felipe Melo bufava em campo à caça de um holandês para abater. O Brasil não jogava mal e o próprio Felipe havia dado um belíssimo passe para Robinho abrir o placar no primeiro tempo.

Mas o Rambo que habita a cabeça de Felipe Melo resolveu aflorar naquela noite em Porto Elizabeth. Depois de atrapalhar o goleiro Júlio César no gol que deu o empate à Holanda, o endiabrado volante acertou Robben com uma pernada e, não satisfeito, ainda pisoteou o craque holandês, causando brutal prejuízo ao time brasileiro.   

Depois de várias cenas de pugilato no futebol turco, migrou para a Itália, onde fez jus ao autoapelido de Pitbull, que tanto aprecia. Repatriado pelo Palmeiras neste ano, chegou em grande estilo. Desandou a dar entrevistas agressivas, com olhos rútilos e expressão furibunda. Está sempre prestes a explodir em ódio e distribui ameaças a quem ouse criticá-lo.

Nem parece aquele meia franzino e habilidoso dos tempos de Flamengo, em 2001. No Cruzeiro, seu segundo clube, foi campeão também jogando bola, sem exibir talentos para a arte marcial. A mutação ocorreu no futebol europeu. Talvez preocupado em não parecer fraco, assumiu a persona de ferrabrás. Mais ou menos como Edmundo, que se apegou à alcunha de Animal e chegou a acreditar que era realmente valente.

Felipe é um bom volante, apesar de já não ter tantos recursos, mas está possuído pela ideia de que vai triunfar distribuindo cascudos em todo mundo e que pode amedrontar adversários apenas espumando de raiva. Pode se dar mal. No futebol, como no Velho Oeste, sempre aparece um pistoleiro capaz de sacar mais rápido.  

Velhos titãs começam a decidir o títul

O clássico é o mais disputado do mundo, segundo estatísticas confiáveis. A paixão do torcedor é o combustível que mantém aceso o encanto deste jogo nem sempre primoroso como espetáculo. Na atual temporada, prevalece a invencibilidade azulina, que venceu uma partida e empatou outra. Hoje, briga é mais séria, pois abre a decisão do campeonato estadual.A boa atuação do Papão no 1º tempo na Vila Belmiro faz crer num time mais encorpado. O Remo, ainda às voltas com o imbróglio Eduardo Ramos, sofre com a sequência de lesões no elenco. Apesar disso, não se pode atribuir favoritismo a ninguém. A história ensina que Re-Pa é, acima de tudo, equilíbrio de forças, dentro e fora das quatro linhas.


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