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(Foto: Jorge Luiz/Paysandu)

O grande desafio

Quarta-Feira, 26/04/2017, 07:21:58 - Atualizado em 26/04/2017, 07:55:09

Encarar o Santos na Vila Belmiro é desde sempre parada indigesta para qualquer time. Desafiar os herdeiros do Rei Pelé dentro de seus domínios não é tarefa para qualquer um. Requer bravura, audácia e desassombro. Virtudes que, ao longo da história, o Papão sempre demonstrou ter. Ainda anteontem foi comemorado o aniversário do espetacular feito sobre o Boca Juniors dentro do caldeirão de La Bombonera, na Libertadores de 2003.

Mal comparando, a situação guarda algumas semelhanças com a façanha de 14 anos atrás. Até no formato a Vila lembra a Bombonera. A diferença de nível é óbvia – o Santos foi 3º colocado no último Brasileiro da Série A e disputa a Libertadores. Os jogadores são outros, mas o espírito que norteou aquela vitória pode servir de inspiração agora. Por óbvio, imagino que esse aspecto seja lembrado na preleção de Marcelo Chamusca.

Pelo calibre do adversário, é fundamental que o PSC tenha uma postura confiante, sem necessariamente adotar uma estratégia de risco. Precisa seguir a cartilha obrigatória do visitante em torneios de mata-mata: tentar a vitória sem se expor demais e ficar sujeito a uma goleada. Em termos práticos, um empate será excelente resultado, pois abrirá amplas possibilidades para o confronto de volta em Belém.

Com base nas últimas apresentações do Papão pelo Campeonato Paraense e Copa Verde, acumulando 14 partidas invictas, já é possível observar um padrão estabelecido. A equipe joga bem fechada, quase sempre no 4-3-1-2, resguardando-se ao máximo e marcando muito a partir da linha de meio-campo.

Por isso, sofre poucos gols e consegue sempre reagir quando sai em desvantagem. Foi o que aconteceu nos dois últimos compromissos em mata-mata, contra Santos-AP e São Raimundo. Empatou os jogos de ida, mas superou os adversários no retorno em Belém.

A vulnerabilidade está no setor de criação, pois Marcelo Chamusca não conta com um camisa 10 clássico para organizar os ataques e fazer com que o meio-campo trabalhe mais a bola. A carência técnica em setor tão crucial do time fez com que, contra Santos e São Raimundo, surgissem dificuldades em determinados momentos dessas partidas.

Reside aí o maior perigo para o Papão hoje diante do time de Dorival Junior, que, ao contrário, dispõe de meia-cancha habilidosa, que aprecia a troca de passes e o controle da bola. Times assim criam uma exigência maior de marcação, missão que os volantes bicolores ainda não haviam sido obrigados a cumprir.

Caso equilibre as ações no meio, o Papão terá condições de buscar o gol, passando a depender da velocidade de Leandro Carvalho e Bergson pelos lados. Leandro é agudo, tenta sempre o drible e não tem medo de arriscar jogadas individuais. Vive bom momento e é o jogador mais decisivo do Papão, único capaz de surpreender a marcação inimiga. Bergson fica mais nos rebotes e nos arremates de média distância.

Pela natureza do confronto, dificilmente Chamusca entrará com um jogador centralizado no ataque. É provável que sacrifique o centroavante (Alfredo) para reforçar a marcação, lançando Jonathan no lugar de Diogo Oliveira. Seria uma escolha de segurança, para ajudar a conter o trio ofensivo do Santos – Vítor Bueno, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira. Um embate difícil, mas que pode revelar um Papão mais maduro e competitivo.

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